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Ragna Tales: Feykhus
 
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 [RagnaTales] Leo

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MensagemAssunto: [RagnaTales] Leo   Dom Maio 18, 2008 12:07 pm

Roteiro e texto: Rafael de Agostini Ferreira
Character design e arte: Daniel "NIORI" Uires


Houve uma época em que o Satã Morroc era uma lembrança distante. A cidade de Rachel não tinha a figura misteriosa do Garra das Trevas. Dhutt ainda não era um General e não tentou se tornar o novo senhor de Rune Midgard. Loki não tinha destruído os três mundos de Chaos, Loki e Íris, para que Odin os unificasse. Surtr ainda não tinha reunido sua Ruína, nem tentado destruir o reino. E três membros dela ainda não tinham causado tanta dor a Leafar e Bonnie Heart em uma única madrugada. Leafar, aliás, não tinha sido clonado. E a Ordem do Dragão ainda não tinha renascido.

Antes de tudo isso, já existia um homem. Um homem que buscava a verdade. Sempre.
Seu nome é Leonard Belmont. E é sua história que será contada aqui.

***


Quadrante cinco da cidade de Prontera
Meados de 1500

Há quinhentos anos atrás, uma grande guerra aconteceu nos reinos. Uma profecia se realizaria, e a força dos homens seria testada em seu limite. Milhares morreram lutando. Guildas foram extintas. Cidades, outrora majestosas, tinham tornado-se pó. Alguns deuses tinham ido pessoalmente para Midgard, e a lenda sobre a luta de Thor contra Loki em Prontera seria repetida por séculos.

Alguns grupos, porém, se sacrificaram pelos demais. E à Ordem do Dragão, liderada pelo Lorde Christian Vallmore, general de um dos primeiros Rei Tristan I, coube a missão de um combate derradeiro contra a fera que seria nomeada por camponeses como "Demozan". E um a um, os combatentes de brasão rubro-dourado foram sendo derrotados. Aos poucos, seu sangue tingiu a grama de vermelho. Regimentos inteiros tombaram ante o poder da fera.

E se arrependimento matasse, o elfo Essny Tahllam teria sido o primeiro a morrer. Negou o chamado de batalha quando a guerra explodiu. Abandonou sua amada Geffenia para fugir assustado. Mas mais que isso, tinha negado o convite de unir-se à Ordem do Dragão para aquela batalha. Ferreiro habilidoso, tinha reparado a armadura do Dragão Dourado, líder daquele exército. E, sozinho em sua caverna, arrependeu-se. Correu para o campo de batalha. Tropeçou em corpos e sujou-se em restos de vidas, caídos pelo chão. E ficou de joelhos ao ver o suspiro final de Christian, dando ordens para seu último comandado - um Templário de cabelos azuis.

"Ele morreu", pensou, emocionado com o corpo caído do homem, enquanto via o templário correr. Fugido de sua terra, com a mancha da covardia por não ter lutado aquela batalha, tudo que fez foi seguir de longe o homem de cabelo azul, até uma clareira. Viu ele cavar na terra e enterrar uma espada e um livro. E Essny prendeu a respiração quando notou o corpo peludo e os chifres enormes do Bafomé que encurralava o homem. A garoa fina que caía naquela escuridão parecia ter o poder de iluminar a cena surreal, do templário ferido contra o monstro. E as últimas palavras do templário, que ficariam gravadas na mente daquele elfo, foram ouvidas com atenção por ele.

"Um combatente não é o mais forte. Não é o mais bem equipado, nem o mais bem armado. Não é o que possui mais poderes ou maiores capacidades. Um combatente não é nomeado por títulos, posses ou honrarias. Um combatente é alguém que ama. Um alguém que ama o próximo. Que ama a família e os amigos. É alguém que ama a própria vida, a ponto de abrir mão dela para o bem de todos que ama! E sua maior arma é o poder que emana da sua essência! Jamais vou recuar diante do inimigo! Eu sou um Cavaleiro da Ordem do Dragão, arauto da paz!"

E sob essas palavras, o templário desarmado avançou. O Ferreiro viu o homem ser mortalmente ferido pelo monstro e por suas pequenas crias, de risada estridente e maléfica. E no silêncio de seu esconderijo, viu quando aliados do homem finalmente chegaram e derrotaram o Bafomé. Mas o que realmente lhe seria marcante foi o momento em que ELAS apareceram. Lindas, pernas e braços torneados, armaduras e armas brilhantes. Oito Valquírias, que cercaram o templário e choraram sua morte. E tão sinceras e puras foram as lágrimas das Valquírias que uma pequena poça se formou naquele lugar. E tão rápido quanto chegaram, partiram, carregando o corpo dele para o descanso final, no Valhalla.

O elfo, parado ali há horas, ainda absorvia tudo aquilo. Seus braços, molhados de chuva, foram o apoio para que se levantasse. Caminhou até a água e ajoelhou-se. Suas mãos tocaram o líquido da poça sobrenatural. Ficou olhando o próprio reflexo, que era distorcido pelas gotas que caíam.

- Eu juro, diante dessas lágrimas - disse ele, olhando o rosto refletido - que jamais, enquanto eu viver, voltarei a forjar uma arma ou armadura.

Uma pena então caiu na água. Essny virou-se e ficou boquiaberto diante da visão - uma Valquíria.

- Se veio tirar minha vida, eu aceito e não tenho a menor intenção de reagir, senhora. - disse ele, prostrado no chão, com o rosto baixo.

- Não precisa ter vergonha de me olhar, guerreiro. De fato, não voltará a forjar nesta vida. Mas também errou em tua conclusão. Não vim para cessar tua existência.

A floresta ficou mais escura. Essny olhou para a mulher alada, mas seus olhos élficos tinham dificuldade em encontrá-la.

- Não consigo enxergá-la, minha senhora.

- Pois acostuma-te à escuridão. Ela será teu refúgio e abrigo. Pois assim diz Hildr, e assim há de ser.

Resignado, o elfo ficou de joelhos. Abaixou a cabeça e, com atenção, ouviu as palavras da Valquíria.

***

Cerca de quinhentos anos depois
Izlude

A respiração das pessoas estava presa com a luta. A arena, em Izlude, estava lotada. Aquele era o combate final do torneio amador de pugilismo do reino. Os dois finalistas se enfrentavam com garra e determinação. E um deles, porém, estava acuado em um dos cantos do quadrado. Suas luvas, azuis, estavam sujas com o próprio sangue. Um dos olhos estava roxo, quase fechado. Suas costas estavam apoiadas no pilar que unia as cordas daquele ângulo. Uma mulher segurava um pingente com um escudo, desesperada.

Seu nome era Margareth. Margareth Belmont. Recém-casada, estava sufocada com o medo e, mais que isso, com a surra que um dos homens levava.

- Atena, por favor. Olhe de meu marido. Por favor...

E o louro recebia golpes violentos. Seu longo cabelo movia-se selvagemente para os lados cada vez que a luva do oponente acertava seu rosto. Suas bochechas sangravam muito. Mas o que chamava a atenção é que o homem que apanhava, sorria.

- Já tá com a idéia variada, maluco? - perguntou o moreno, suando em bicas, respirando como um touro.

- Heh. Você bate forte. Mas parece cansado.

O moreno não respondeu. Deu dois socos rápidos, abrindo a guarda do louro, e finalizou com um cruzado no rosto dele. Em alguns segundos, o rosto do louro encontrava a lona. Ouviu ao longe uma contagem, enquanto via, com o olho aberto, a esposa aflita na platéia. Piscou para ela e se levantou sem muito esforço, para surpresa do adversário.

- O que significa isso? - disse o homem, assustado.

- Como eu falei, você parece cansado. - respondeu o louro, tirando sangue da boca com as costas da luva.

Como um trovão, o louro partiu para cima do moreno. Começou a disparar repetidos socos, rápidos e fortes. Se em um momento parecia próximo de ser derrotado, agora batia como se a luta tivesse acabado de começar. A platéia reagia com cada golpe, berrando e assobiando, extasiada com aquilo.

- Vai! - o louro continuava sorrindo, com a boca sangrando, enquanto batia - Pergunta logo!

O moreno tentava se defender, mas os socos foram minando suas energias. Seu rosto agora estava com mais cortes e hematomas do que o do louro. Foi se encolhendo, tentando inutilmente se proteger dos murros.

- Oooolha! - insistiu o louro, batendo sem pausa - Você vai cair e não vai fazer a pergunta! E não vai aprender!

- Desgraçado! - o moreno cuspiu sangue enquanto gritou - COMO reagiu assim?

O sorriso sangrento no rosto do louro aumentou. Agora sim ele sentia-se completo. Aquele questionamento massageava seu ego.

- Só reage quem está perdendo, amigão. Não era o meu caso. Eu fiquei apanhando enquanto você se cansava. É diferente.

Furioso, o moreno avançou. Seus socos acertaram apenas o ar, enquanto o louro esquivava. Vindo de baixo, então, o punho do louro atingiu o queixo do oponente. As pernas dele tremeram. Seus braços relaxaram, e o enorme homem caiu imóvel na lona. O juíz abriu a contagem, enquanto o louro limpava o suor e o sangue do rosto com as bordas das luvas.

- ... oito... nove... dez! - um gongo soou - E o vencedor por nocaute é Leonaaaaaard Belmont!

Margareth correu, empurrando pessoas. Subiu na arena, e sem se importar com sangue ou suor, abraçou o marido.

- Não faça mais isso, Leo.

- Fica tranquila. - dizia ele, tirando o protetor cheio de saliva e sangue - Eu estou certo sobre minha teoria, e é isso que importa.

- Mas precisa disso, amor? Olha seu rosto...

- Bah! Uma curinha e fico novo. Pra quê servem Sacerdotes, no final das contas? Eles precisam fazer algo mais além de ficar apanhando de monstros enquanto alguém ataca de longe!

Os dois riram, se olhando com cumplicidade. Notaram um rapaz se aproximar, segurando um lápis e um bloco de notas.

- Com licença, senhor Belmont. Concede uma entrevista para o Clarim de Izlude?

- Claro. - respondeu o louro, enquanto sua esposa arrumava o rabo-de-cavalo dele.

- O senhor venceu o torneio sem perder nenhum combate. Qual o segredo?

- Treinamento duro, disciplina e dedicação.

- Desde quando o senhor treina boxe?

- Treino com o meu pai desde que eu era pequeno.

- E por que o seu corpo está com essa coloração meio roxa? O que seria? Parece magia...

- Nada. - a resposta foi rápida - É impressão sua.

- Onde reside, senhor Belmont?

- Geffen, com a minha esposa aqui, Margareth.

- Certo. E o senhor é Cavaleiro ou Monge?

- Sou Bruxo.

O repórter riu. Balançou a cabeça, pois tinha escrito "Bruxo" em sua ficha, mas riscou.

- Tudo bem, vou deixar isso como brincadeira. As pessoas vão rir. Mas sério, o que o senhor é?

- Bruxo.

- É piada, né?

- Eu estou rindo?

Os dois ficaram em silêncio. O repórter parou, ora olhando para Leonard, ora olhando para o bloco de notas. Por fim, recebeu um tapinha no ombro, do Bruxo que se afastava.

- Eu te ajudo. "Bruxo enche Cavaleiro de porrada na final do torneio de pugilismo amador de Izlude. Detalhes na página cinco" - disse, saindo sem olhar para trás, segurando a mão da esposa com uma mão e o troféu com a outra.

***

Geffen, algumas horas mais tarde

O aroma de chá invadia o aposento da confortável casa. Margareth trazia uma bandeja com dois bules e duas xícaras. Repousou-a em uma mesinha de madeira. Leonard mal olhou a esposa, concentrado em um livro, no meio de tantos outros abertos sobre uma mesa maior.

- Com leite ou sem?

- Com.

Margareth despejou cuidadosamente o chá dentro de uma das xícaras. Pegou outro bule e derramou algumas gotas de leite nele, dando-lhe nova aparência. Ela serviu o homem, deixando a xícara do seu lado. Ele agradeceu e virou-se para ela, dando um pequeno gole.

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MensagemAssunto: Re: [RagnaTales] Leo   Dom Maio 18, 2008 12:08 pm

- O que descobriu, querido?

- Que eu estou certo. Aliás, sempre estou. Mas descobri mais que isso. Eu estou terrivelmente certo. Por que um artefato se chamaria "Olho de Oparg"? Ora, é simples! Por que ele foi de algum "Oparg"! E existiu um Oparg. Veja isso.

Ele pegou um pergaminho e abriu-o na mesa. A curiosa esposa olhava as anotações por cima, mas gostava mesmo de ouvir as explicações da boca dele.

- Há muito tempo - prosseguiu o louro, com o olhar perdido nas palavras - uma mulher despertou a luxúria em Odin. Como várias, aliás. Sabe-se que o todo-poderoso não é exatamente um exemplo de fidelidade. Mas ele sentiu-se atraído por uma garota humana, uma certa "Lineth". Levou-a para o Valhalla e fez amor com ela até não poder mais, e deu-lhe dois presentes: deu um anel e permitiu que ela fosse uma de suas Valquírias. Lineth, agora como serva de Odin, começou a trabalhar para ele, recolhendo mortos do campo de batalha e fazendo valer sua lei e ordem.

Leonard pegou outro pergaminho e abriu-o. Seus olhos estavam hipnotizados. Ele adorava contar histórias, e um dos motivos que o fizeram apaixonar-se por Margareth foi a vontade dela em ouvir o que ele tinha para contar.

- Foi em algum ponto aqui, Maggie. - disse, segurando o pergaminho aberto - Em algum lugar dessa história, foi quando aconteceu. A Valquíria Lineth conheceu um homem que a fez se apaixonar. Seu nome é irrelevante, pois na verdade ele era a personificação de Oparg, o deus dragão. E ele, com sua magia, na verdade apenas quebrou o encanto que Odin tinha jogado sobre a moça. Encanto este que encontrava-se no anel, uma magia conhecida como "Anel dos Nibelungos".

- Ela o amava por causa do anel então?

- Sim! - respondeu ele, feliz em ser acompanhado no raciocínio. Margareth era, de fato, muito inteligente - E ela se apaixonou por Oparg. Abandonou o cargo de Valquíria e fugiu com o deus dragão, sabe-se lá para onde. Odin ficou possesso. Ele tinha muitas amantes, mas não suportava quando alguém lhe roubava uma. E como tantas outras vezes, com outros deuses, aconteceu uma guerra secreta entre o panteão de Odin e o de Oparg. E como nos prova o artefato "Olho de Oparg", quem venceu foi o senhor do Valhalla.

- Senão teríamos um "Olho de Odin" agora, não? - disse a mulher, sorrindo.

- Sim, querida. Em todo caso, Oparg escondeu Lineth de Odin. Mesmo derrotado, ele não falou onde a moça estava. Ninguém sabe seu paradeiro até hoje. E depois de vencer o deus dragão, Odin destruiu seu corpo e separou as partes, para que ninguém nunca soubesse que ele, de certo modo, falhou. Digo, ele venceu Oparg, mas não ficou com a mocinha no final. Não satisfeito, fez um simulacro de Lineth, para fingir que tinha vencido e que tinha reconquistado seu troféu.

- Simulacro?

- Sim. Uma cópia. Ele pegou o corpo de uma garota malvada que era parecida com Lineth e matou-a. Fez um acordo com Hela, que deixou sua alma e vontade submissa a Odin. Assim, uma das Valquírias de Odin, hoje, é essa farsa.

- Ai, Leo, que horror!

- Mas não é isso o que me causa comoção.

- E o que é?

- Oparg não era um deus tolo. Ele não ia matar ou exterminar Lineth. Seja como for, mesmo tanto séculos depois, ela existe e está viva. E ele deixou um "mapa do tesouro" em algum lugar. Alguém, um dia, vai achar essa mulher. Caso contrário, sua luta com Odin não faria sentido. Nem sua derrota.

Com calma, ele se levantou e foi até algumas caixas que estavam ao lado de um armário. Abriu-a e tirou um embrulho. Levou até a mesa, cuidadoso.

- Encoste a janela. - disse para a esposa enquanto abria as tiras de pano. E ali se revelou um brasão de guilda. Eram duas letras: uma letra O vermelha e um D dourado, mas muito gastas. O símbolo era feito de pano e estava velho, cheio de pontas e sujeira.

- "OD"? - Margareth se inclinou, vendo as letras - O que significa?

- Esse símbolo, segundo meus estudos, data de mais de quinhentos anos atrás, quando Glast Heim ainda era a capital. "OD", querida, significa "Ordem do Dragão". E este brasão é o elo perdido que liga Odin, Oparg e Lineth.

- E o que você vai fazer?

Leonard sorriu. Dobrou o embrulho com o brasão novamente e guardou-o de volta na caixa. Ficou de costas para a mulher e esticou os braços, para que ela lhe vestisse o manto bege e marrom de Bruxo.

- O que eu sempre faço. Vou descobrir a verdade.

***

Caverna Oeste de Comodo

Os homens estavam sem reação. Há alguns minutos, aquele bando de mercenários estava quase terminando sua missão. Recuperaram um baú enterrado e perdido ali há séculos. Mas estavam acuados, e por um único homem. Leonard, com o olhar compenetrado, encarava o que parecia ser o líder.

- Agora lhe daria a opção fácil. Você deixa essa caixa no chão, eu pego ela e vocês vão embora. Mas você não vai fazer isso. Falando assim, eu desafio a sua autoridade diante de seus colegas. É óbvio que você está precisando se firmar socialmente, e se eu subjugá-lo apenas com minhas palavras, você jamais teria sua moral com estes outros homens. Então você pode me atacar.

O Mercenário soltou a caixa e puxou suas adagas, mas sentiu algo de errado. Suas pernas estavam rígidas. Olhou com terror vendo que estava se petrificando. E com o rosto deturpado pela sensação, parou, imóvel.

- Quanto a vocês três, a proposta é mais generosa. Eu realmente deixaria vocês fugirem assustados. Ou podem só pegar seu líder e levá-lo para as cabanas da praia. Mas esta não é a oportunidade perfeita para uma vingança? Digo, eu sou um Bruxo. E vocês são três mercenários. Armados.

O primeiro avançou. Segurou firme a katar e pulou. Foi atingido no peito por uma coluna de pedra, saída do solo. Perdeu o ar e mal conseguia ficar acordado, enquanto viu um meteoro mítico surgir no meio do nada, atingindo em cheio o segundo, tirando-o também do combate. O impacto da pedra deixou o terceiro homem tonto, sem conseguir se controlar.

- "Como ele fez isso sem usar as mãos?" - disse Leonard, com os dois braços para trás, olhando o Mercenário - Ah, é claro. Você pensou isso, né? Desculpe desapontá-lo. Sei que gosta dos meus colegas mais teatrais. Talvez eu devesse erguer meus braços assim.

O louro levantou os braços, fazendo o homem recuar e dar com as costas na parede.

- E talvez eu devesse dizer algo assim: Ifrit, senhor do fogo e das chamas! Permita-me embeber meus braços em seu calor infernal! Que meu Mana queime até o infinito e que a carcaça perene desta criatura volte ao pó diante de teu abraço!

O Mercenário começou a suar. Nada aconteceu. O silêncio o estava matando.

- Ou eu podia fazer isso.

Leonard ergueu uma das sobrancelhas e uma barreira de fogo surgiu na frente do mercenário. Depois outra do seu lado. E outra.

- E aí você escolhe entre eu explodir você aí dentro ou... dane-se. Tenho mais assuntos a resolver aqui.

O Bruxo ajeitou o óculos, enquanto uma rajada azul puro saiu do solo, da sua direção até o Mercenário, que foi envolvido em um bloco de gelo. Sem pressa, ele andou até a caixa que o primeiro homem soltou. Pegou-a, analisando a tampa.

- A Chuva de Meteoros - disse, olhando as gravuras entalhadas na madeira - tem uma pequena chance de causar tontura e perda de sentidos no alvo. Os dois homens que ataquei agora foram vítimas de tontura. Existem alguns outros ataques, porém, que têm essa mesma chance. O Golpe Fulminante, por exemplo. Mas existe um mais eficiente, que foi batizado como "Martelo de Thor".

Ele virou-se para um canto escuro da caverna, com a caixa sob um dos braços.

- A desvantagem é que, mesmo quando se usa esta técnica estando oculto, o solo treme. E para alguém que é diretamente ligado com o ambiente e suas forças, como eu, alterar os elementos que me rodeiam é como tentar passar escondido vestido de preto em uma sala toda branca e iluminada. Além disso, notei sua presença ainda na minha casa, do lado de fora da janela, com esse cheiro de suor não disfarçado, há cerca de quarenta e oito minutos.

A caverna continuou em silêncio. Leonard sorriu.

- Já mencionei também que eu ganhei o leilão em Prontera de uma carta Maya Macho?

- Então as histórias sobre você são verdadeiras.

Uma figura apareceu diante de Leonard. Vestia-se com uma roupa que parecia ser a de um Ferreiro, mas modificada. As botas eram diferentes, além da camisa ser menor. A calça tinha outros detalhes. O corpo era musculoso. E as orelhas, pontudas.

- E, claro, elfo. - complementou Leonard, sem alterar a expressão - Descuidado assim, só podia ser uma criatura que despreza os seres humanos a ponto de subestimar nossa capacidade de observação.

- Não tenho palavras para dizer em como estou feliz em encontrá-lo.

- Responda-me então as duas únicas coisas que ainda não deduzi. Seu nome e o que quer comigo, coincidentemente quando consigo este artefato.

- Meu nome é Essny Tahllam. Venho de uma casa élfica esquecida há séculos. Carrego uma enorme vergonha nos meus ombros, e vivo cada dia de minha vida para limpar minha honra.

- Desculpe, não estou emocionado. Se puder me responder logo o que perguntei, agradeço. Meu tempo é precioso.

- Talvez se interesse então na história do deus dragão Oparg.

- O que você sabe sobre ele?

- O suficiente para ter sua atenção, talvez? Você conseguiu agora o segundo Olho de Oparg. E você sabe que não são apenas duas as partes dele.

- E qual seu interesse em reviver o deus dragão, elfo?

- O interesse, humano - uma voz feminina chamou a atenção do Bruxo - é meu.

Assim como o elfo, a mulher alada surgiu, com as asas gloriosas abertas, pousando suavemente no solo. Ela arremessou uma gema branca no chão, que abriu um portal da mesma cor.

- Um portal divino. - comentou o Bruxo, sem surpresa - Para onde vamos?

- Para longe destes homens, que vão acordar em breve.

Sem perder tempo, Leonard e Essny entraram, seguidos da Valquíria. Em uma fração de segundos, estavam em um lugar bonito, no meio do céu azul. Nuvens passavam por eles e pelo chão de mármore branco.

- Este é o Hall dos Heróis, Leonard Belmont. E o trouxe aqui por duas razões. Uma é a privacidade. A outra é pagamento.

- Não estou vendendo nada.

- Não é por venda. É por recompensa. Você vai nos ajudar, e eu lhe honrarei com o título máximo que alguém de sua classe pode conseguir.

- Vai me tornar um Arquimago?

- Sim, assim como ela me tornou um Mestre-Ferreiro - disse Essny, sereno.

- Eu sou Hildr, uma das Valquírias que serve fielmente a nosso senhor todo-poderoso Odin. Há uma traidora em Asgard, vivendo entre os escolhidos. Você sabe disso.

- E desculpe ser direto, mas o que isso tem a ver comigo? Por que eu te ajudaria? Por que acha que me oferecer a promoção de Arquimago iria me estimular a tomar uma atitude em seu favor?

- As respostas para todas estas perguntas, Leonard Belmont, resumem-se a uma: a continuidade de sua família depende do fracasso de nossa traidora. E você é o único capaz de fazê-la fracassar.

- Sou todo ouvidos, moça.

- Antes de começar, saiba que não lhe darei suporte algum, a não ser informação. Não vou socorrê-lo em combate nem realizar milagres. Se algo der errado, jamais, sob hipótese alguma, meu nome será envolvido.

- Uma mulher sincera. Que raridade... então diga-me quem é a tal traidora e por onde começamos. Ou melhor, diga-me onde isso envolve minha família.

- Lembra-se de seu antepassado, o qual você resgatou o brasão da Ordem do Dragão?

- Julian Belmont. - a resposta foi imediata, e Leonard não deixou de reparar que Essny ficou cabisbaixo à menção de seu nome.

- É exatamente aqui que começa nossa história.

E apenas o vento, o sol e o céu foram testemunhas daquela conversa, até aquele momento. Começava ali uma busca que duraria décadas.

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MensagemAssunto: Re: [RagnaTales] Leo   Dom Maio 18, 2008 12:08 pm



Caverna de Magma
Quinze anos depois

A dupla andava com calma pelo nível mais profundo do calabouço infernal, dentro do vulcão. O calor era absurdo. Lava corria entre canais profundos, dando uma coloração vermelha para o ambiente. Essny e Leonard, entretanto, não suavam. Ignoravam completamente o calor. O Mestre-Ferreiro girava com vigor seu mangual, destruindo pequenos filhotes de dragão que tentavam atacá-los ocasionalmente. Leonard, segurando um pacote grande, nem olhava para o lado enquanto nevascas surgiam a cada passo que davam. Ele usava agora um manto branco, como apenas os ainda raros Arquimagos podiam usar.

Os dois pararam em uma plataforma ampla e aberta. Em sua frente, o que parecia ser a estátua de um dragão, os encarava. Havia um buraco no peito, onde provavelmente cabia um coração. Leonard abriu o pacote que segurava. Um conjunto de garras e presas estavam nele. Reagindo de modo místico à estátua, as garras flutuaram e se encaixaram nela.

- Pronto. - disse o louro, ajeitando o pince-nez, observando a estátua - Agora só falta o seu coração.

- Eu não tenho palavras para lhe expressar minha gratidão, Leonard Belmont. - disse uma voz vinda da estátua.

- Não preciso de gratidão. Preciso de informação.

- Perdoe a intromissão - Essny deu um passo adiante - mas eu concordo. O tempo para mim, como elfo, não significa muita coisa. Mas este ser humano dedicou quinze anos para reunir as partes do seu corpo, Oparg.

- É verdade. Apesar de eu não ter o meu coração e ainda estar preso a esta forma, posso me comunicar com vocês e garantir que nenhuma entidade nos ouça.

- Então, por favor, responda a pergunta que me guiou por estes quinze anos: o que a minha família tem a ver com você e sua briga com Odin?

- Como sabe, eu libertei Lineth de Odin. E ela se apaixonou por mim. Odin não aceitou a derrota e...

- Tá, tá. Você perdeu, seu corpo foi dividido e espalhado, mas você sumiu com a p**** da mulher.

- Não devia falar assim com um deus, humano. - a voz do dragão ecoou forte na caverna.

- Sei. E você não devia ameaçar ou levantar a voz estando preso dentro de uma estátua de pedra. Principalmente se eu me irritar, conjurar meia dúzia de Colunas de Pedra e fazer você nadar ali no fundo do rio de lava. Acho que isso tornaria sua volta um pouco difícil, não concorda?

Essny engoliu seco. Apesar de tantos anos lutando ao lado do Arquimago, ainda se surpreendia com a objetividade do humano. Não se recordava de ter visto Leonard errar alguma vez. Ele sempre tinha o controle da situação, sempre sabia de tudo. E Essny sabia também que Leonard estava irritado com aquela história. Já com seus trinta anos, não tinha tido filhos, com medo do que podia acontecer a eles. Não tinha mais paciência e queria saber de uma vez o que o dragão tinha a lhe contar - barganha que seria paga em troca da reunião das partes de seu corpo.

- Eu reconheço que está em vantagem, e por isso vou relevar sua opinião.

- Quero saber onde entra minha família nessa história.

- O brasão que você recuperou é o que era usado por Julian Belmont, último Cavaleiro do Dragão. Pouquíssimos sabem, mas foi a Julian que eu confiei o paradeiro de Lineth. E ela está em um local fechado por uma magia poderosíssima, em níveis que você jamais sonhou existir.

- Está falando de um Selo Divino, do tipo o que foi usado para retardar a volta de Morroc?

O silêncio pairou no ar quente por alguns momentos. Leonard olhava orgulhoso para a estátua de Oparg. Essny estava apavorado. "Será que ele quebrou a estátua?", pensou.

- Você não apenas conhece então a história do selo de Morroc, como sabe sobre o nível de poder dos Selos Divinos. É realmente um ser humano excepcional, e fico feliz que esteja me ajudando. - disse a voz de Oparg.

- Estou te ajudando porque preciso. Por favor, continue. Lineth está sob um Selo Divino. Qual o grau de proteção deste selo? Estamos falando de qual tipo de combinação para quebrá-lo?

- Estamos falando de um Belmont líder de uma renascida Ordem do Dragão, Cavaleiro, que irá localizar Lineth e quebrar o selo.

- Eu não vou fundar a Ordem do Dragão, desculpe. Fui aceito como membro vitalício do Conselho de Magia de Geffen. Não tenho vocação para ser psicólogo e terapeuta de um bando de sonhadores.

- A Ordem do Dragão não é um clube, Leonard. Ela foi uma das maiores forças de paz que já existiu. Não fosse por ela, nenhum de vocês dois estariam aqui. - disse o dragão, firme.

- E eu ainda digo mais. - Essny deu um passo adiante - Eu os vi lutar. Eram magníficos. Seus ideais eram firmes, tão nobres quanto...

O Arquimago interrompeu os dois, estalando o pescoço.

- Tá, tá. Não precisam me contar isso. Eu conheço mais da Ordem do Dragão do que vocês dois juntos, provavelmente. Eu não vou fundar a guilda. Simples assim.

- Não é você quem vai fundá-la. - disse o Dragão - Vai ser o seu filho.

- Qual filho?

- O primeiro que você tiver.

- Sem chance.

- A valquíria traidora está se passando por Brünhildr, que foi o título que a Lineth original recebeu. Como você sabe, os nomes da valquírias são usados de maneira semelhante ao título do rei. "Tristan" não é o nome, mas é o cargo.

- Sei disso.

- Essa traidora quer duas coisas, Leonard. Ela também foi vítima do "Anel dos Nibelungos". E isso a fará encontrar seu filho e influenciá-lo desde cedo a seguir as pistas que o levem até a Ordem do Dragão.

- Você está louco.

- Seu filho - a voz do dragão aumentou - vai fundar a nova Ordem. Ele vai reunir pessoas que vão lutar pelo ideal da paz, mas que, no fundo, estarão sendo usadas apenas para encontrar a amante perdida de Odin.

- Vocês estão tirando sarro da minha cara. Eu perdi quinze anos buscando partes perdidas de um dragão piadista.

- Apenas um Belmont, líder da Ordem do Dragão, Leonard, pode convocar o espírito de Julian Belmont, encontrar a câmara e resgatar Lineth.

- F****-se vocês dois. Valquíria nenhuma vai tirar um filho de mim para essa loucura. Não vou ter uma criança pra Odin usar a seu bel prazer.

Furioso, Leonard esmagou entre os dedos uma asa de borboleta, desaparecendo. Essny andou para a frente da estátua e se ajoelhou, de cabeça baixa.

- Peço seu perdão em nome dele, secular deus Oparg. Ele é apenas um ser humano.

- E por isso eu agradeço, meu bom elfo. Deixe seu amigo em paz. Ele voltará. Acredite em mim...

Chovia em Geffen. Leonard surgiu na praça central. Furioso, avançou, com seus passos espalhando a água no chão de pedra. Abriu a porta de casa com um chute, fechando-a com força, a seguir. Tirou o manto molhado e arremessou-o no chão. Margareth, que trazia um pedaço de pão quentinho, mal teve tempo de reagir quando ele pegou-a pela cintura, pendurando-a no ombro.

- Nossa! - disse ela, sorrindo - Onde vamos com tanta pressa, Leo?

- Ter um filho. - foi tudo que ele falou, subindo as escadas para seu quarto, com a mulher sendo carregada.

***

Nove meses depois
Geffen

Um trovão interrompeu o sono do casal Belmont. Leonard se levantou, sob o olhar sonolento de Margareth. Andou até o berço, próximo à janela do quarto. Puxou a rede contra insetos e viu seu filho, Elessar, dormindo um sono profundo. A esposa tinha escolhido esse nome por causa de alguma fábula que ela tinha lido. Notou a criança dormindo despreocupada, de macacão de lã e touca. Mas o que fez o louro se arrepiar foi o pingente de prata com uma espada no pescoço dele.

- Maggie. - disse, sem tirar os olhos do bebê - Foi você quem colocou essa coisa nele?

- Que coisa, amor? - a mulher foi até o marido, limpando os olhos. Notou a jóia - N-não...

- O todo-poderoso age rápido, não? - a voz de Leonard saiu num tom irônico. Pegou a criança com as duas mãos, enrolando-o num xale.

- O que significa isso, Leo?

- Esse pingente é o sinal. A valquíria já está influenciando nosso filho. Não vou permitir isso.

- Meu deus, Leo, o que você vai...

- "Deus"? Que deus é esse a qual você evoca? Odin? O que quer usar nossa criança?

Apenas de short e camiseta regata, descalço, Leonard apertou o filho no peito e saiu do quarto. Margareth vestiu um roupão e foi atrás dele. Ela corria para alcançá-lo. Ele andava depressa. Já tinha saído da casa e se dirigia para o oeste. Passou o portão da cidade, enquanto a esposa corria atrás, desesperada.

- Leo! O que você vai fazer?

- Vou vencer.

- Querido! Pare!

O homem não a ouvia. Passou pela ponte oeste da cidade, ignorando os apelos da esposa. Ele apertou o passo, subindo para o observatório. Ventava muito.

- Leo! Por favor, pare! Leo!

O Arquimago ergueu a criança acima de sua cabeça, que chorava descontrolada.

- É isso, Odin? Você precisa do meu filho, não é? Pro seu imenso azar, eu sou a única pessoa do mundo que pode te gerar um "Belmont líder da Ordem do Dragão", não é?

Margareth caiu ao lado dele, se acabando de chorar, segurando seus tornozelos.

- Leo, pelo amor de deus, pare!

- Pois eu - disse o louro, mais alto - estou te mostrando por que os humanos são invejados pelos deuses. Aprenda por que é que nós somos tão importantes para vocês! É porque nós temos o poder de escolher o que queremos fazer. E filho nenhum meu vai ser seu capacho! Nunca!

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MensagemAssunto: Re: [RagnaTales] Leo   Dom Maio 18, 2008 12:09 pm

- Leo! Não! Elessar!

A criança foi arremessada na direção do rio, que passava abaixo da ponte oeste de Geffen. Uma ventania sobrenatural obrigou Leonard e Margareth a se agarrarem para que não saíssem voando. As unhas dela, cravadas na perna do marido, arrancavam-lhe sangue. Seu berro de sofrimento pôde ser ouvido por toda Geffen.

- Acabou, querida. - disse ele, com o a expressão fria.

Ela deu um tapa no rosto dele. Ameaçou gritar, mas ele abraçou-a, forte, passando a mão em seus cabelos.

- Nós temos que ir - continuou - e você sabe disso. Por favor, não vamos perder tempo.

Ele puxou uma asa de borboleta do bolso do short e apertou-a. Os dois desapareceram.

***

Margareth sentia um calor imenso. Sentada, olhou ao redor e viu as paredes de rocha avermelhadas, iluminadas pela lava que vinha do chão, em fissuras ocasionais. Tomou um susto quando Essny lhe ofereceu um copo d'água.

- Por favor, senhora Belmont, aceite. A senhora pode ficar com tontura por causa da temperatura.

Ela pegou o copo, trêmula. Notou que mais a frente Leonard olhava em uma bacia imensa, montada na frente da estátua de Oparg.

- Você merecia um troféu, querida. - disse o louro, olhando algo na água - Eu quase acreditei que você ficou brava comigo.

- Eu não fingi, Leo. Eu estou muito brava com você.

- Então venha aqui dar uma olhada nisso.

Margareth se levantou com a ajuda de Essny. Os dois foram até a bacia e viram uma valquíria voando em alta velocidade. Era possível ver a criança, sem o pingente, nos braços da mulher alada.

- Essa é Hildr, a valquíria que ajudou Essny a me encontrar. - explicou ele, olhando atento para ela - A valquíria simulacro, como te expliquei outro dia, é uma criminosa que parecia muito com Lineth. Mas o feitiço do Anel dos Nibelungos não era tão forte quanto a maldade dela. Então, um de seus objetivos era sim encontrar a Lineth original. Mas o outro era não apenas matar a pobre mulher, mas tomar a liderança das demais valquírias legítimas. Hildr tem muito interesse em nos ajudar.

- Com o máximo de meu poder, senhora Belmont - disse a voz da estátua de Oparg - eu camuflei Hildr. Ela resgatou Elessar ainda nos braços de seu marido. O que a senhora viu cair foi uma ilusão que eu gerei. E o pingente foi destruído.

- Para onde estão levando Elessar? - Margareth se apoiou na bacia, olhando.

- Não reconhece a cidade, querida? - Leonard passou o braço na cintura da esposa, apontando para lugares - Veja as árvores e as cabanas. Esta é Payon.

Hildr diminuiu a velocidade do vôo. Alguns casais cantavam e tocavam violão em volta de uma fogueira. Leonard torceu o nariz, com a cara de desgosto.

- Hippies. Eu ODEIO hippies.

- Eles parecem felizes. - Margareth ficou olhando curiosa, já com as lágrimas secas. Essny também olhava por cima do ombro dos dois.

A mulher se virou então para Oparg.

- Escuta, seu dragão... posso pedir algo?

- O que seria, senhora Belmont?

- Já que meu filho ficará com uma dessas famílias, posso ao menos escolher qual? Tem algum deles que é religioso?

A estátua ficou calada por alguns momentos. Na água, os três puderam ver que Hildr levou a mão até o ouvido, concentrada em algo. A voz de Oparg pôde ser ouvida novamente.

- Um dos casais ali presentes são os Cerridwen. São sacerdotes, como todas as gerações recentes de sua família.

- Gostaria que meu filho fosse viver com eles então.

- Sua vontade será realizada.

Oparg voltou a ficar em silêncio. No reflexo da água na bacia, a valquíria, invisível aos olhos humanos, voou em círculos, pousando em uma moita atrás daquele monte de gente. Andou até a beira do riacho e depositou o adormecido Elessar ali. Ainda invisível, andou até o meio das pessoas, que cantavam, bebiam e fumavam. Abaixou-se e encostou a boca na orelha de Hideki Cerridwen, sussurrando algo.

- O que foi? - perguntou o marido, vendo que a mulher fechara a expressão repentinamente.

- Não sei. Sinto que tem algo errado. É como se eu precisasse ver algo... algo me chama.

Sem maiores explicações, a mulher se levantou, indo na direção do riacho. Seu marido a seguiu, e os dois ficaram boquiabertos com a criança dormindo na beirada das águas.

Na caverna de Magma, Margareth começou a chorar.

- Abrace a minha esposa. - Leonard empurrou Essny pelo ombro enquanto se virava para Oparg - Então meu filho está seguro agora?

Sem jeito, o elfo abraçou Margareth. Pensou em como Leonard teria sido um excelente elfo, com tanta frieza e objetividade.

- Sim, Leonard. - a voz de Oparg ecoou mais uma vez - Seu filho será criado pela família Cerridwen, de Payon.

- Tudo bem. Mas isso não resolve meu problema. Eu quero ter mais filhos. E quero criar minha própria família. E não quero mais brincar de arremesso de bebês à distância. Qual a solução que me propõe?

- Se você fosse um ser humano comum, eu lhe diria que não sei o que fazer. Mas sei que desafios não lhe representam muita coisa.

- Desafios são medidos pela quantidade de recursos que eu vou gastar para superá-los. E dinheiro não me falta depois que eu recuperei a sua gloriosa cabeça de pedra.

- Então sente-se, Leonard. Já ouviu falar do doutor Zenit Zerter Lighthal?

- O tal que enlouqueceu quando a esposa adoeceu e tentou fazer outra dela?

- Se eu tivesse controle sobre o meu corpo agora, eu estaria sorrindo. Sim, este mesmo. Eu tenho um plano.

Margareth agradeceu a Essny e foi até o marido. Segurou seu braço. O elfo foi até o lado do casal e começou a ouvir o plano de Oparg. Os corpos deles se arrepiaram a cada palavra proferida. Seria ousado e dolorido, mas era o preço a se pagar por enfrentar um deus como Odin.

- O que me diz, Maggie?

A loura beijou o ombro do marido e segurou seu braço.

- Eu confio em sua decisão, Leo. Sempre.

- Se é assim, eu aceito.

A voz de Leonard saiu firme. A partir daquele momento, começaria a jornada do casal por um filho que eles ainda não tinham, mas cujo nome um dia seria proferido com medo e raiva por criminosos e bandidos, e com admiração e respeito pela maior parte do povo de Rune-Midgard: Leafar.


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