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Ragna Tales: Feykhus
 
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 [RagnaTales] Morroc Saga

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MensagemAssunto: [RagnaTales] Morroc Saga   Dom Maio 18, 2008 12:10 pm

Texto: Rafael de Agostini
Arte: Daniel Uires



Prólogo

Em algum lugar de Rune Midgard, há séculos atrás, uma luta titânica e impiedosa acontecia. Não se sabia como havia começado, mas duas figuras se enfrentavam, há dez dias e dez noites, sem pausa, sem interrupção. Uma tentava destruir tudo e todos, e a outra tentava impedi-la.

O mundo era uma criança. As poderosas nações dos dias atuais, cujos nomes seriam proferidos com orgulho por seus habitantes, mal engatinhavam. Algumas delas sequer existiam, tendo em seus lugares originais apenas descampados e rochas. Não existiam muitos heróis. Mas o maior de todos eles - e talvez, de fato, o maior que já existiu - estava ali. Sua armadura, pesada e brilhante, refletia seu poder, que emanava de uma aura pura e límpida, azul, cheia de vida. O curto cabelo azulado contrastava com os olhos escuros, fixos no oponente. Mexia-se com velocidade, e seus músculos explodiam com pura energia.

Seu nome era Thanatos.

O oponente era uma das criaturas mais temidas do mundo. O corpo, coberto por uma escama tão rija quanto à de um dragão, marrom escurecida, era sustentado por braços colossais. Um punhado de olhos de serpente enfeitavam a grotesca visão, piscando em seus ombros e músculos. O rosto da criatura, cheio de chifres, tinha uma bocarra nojenta, com dentes amarelados e um hálito podre que faria plantas murcharem no mesmo instante. Do alto de sua cabeça descia uma capa de couro ainda mais duro, colada em seu corpo, que cobria sua espinha, com pontas afiadíssimas, que envolviam suas coxas e sua longa cauda.

Este era Morroc.

A violência dos golpes fazia o ar ficar pesado. Não havia mais nada vivo perto deles. Os dois se batiam de maneira franca, direta, sem fintas, sem esquivas. Rune Midgard, futuro lar de tantas lendas e histórias, tinha naquele palco o maior duelo que suas terras presenciaram por séculos.

E após tantos golpes de espada, tantos ataques de garras, tantas magias e tanta devastação, a terra tremeu. Tremeu por quilômetros. No centro de uma grande cratera, apenas cheia de areia e restos, resultado da incomparável luta, o demônio estava, finalmente, vencido. Thanatos erguia-se de pé sobre ele, segurando sua poderosa espada de duas mãos. O lendário "Cavaleiro Arcano" tinha vencido e, mais que isso, escrito para sempre seu nome na história.

Não satisfeito, embainhou sua espada nas costas. Agarrou firme a cauda espinhenta de Morroc e arrastou-o para o deserto ao sul. Thanatos sabia como vencer o demônio, e garantiria que ninguém mais teria que ver a criatura, nem dentro de cinco mil anos.

Ali começaria uma Era de prosperidade, que duraria alguns milênios. Mas, como em toda história, um dia a paz chegaria ao fim. E talvez nunca mais retornasse.


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MensagemAssunto: Re: [RagnaTales] Morroc Saga   Dom Maio 18, 2008 12:11 pm

Primeiro Capítulo
~ A Carta

O som de passos quebrava o silêncio do longo corredor. Um após o outro, os pés delicados conduziam suavemente sua dona pelo piso de mármore impecavelmente limpo. Grandes colunas de pedra, intercaladas por pinturas na parede, acompanhavam aquela caminhada, cujo destino era um gramado, acariciado por um sol belíssimo. O brilho fez os olhos da elfa se apertarem, enquanto a brisa tocava suavemente seu longo rabo-de-cavalo prateado. Correu o olhar pelo campo, até ver outro elfo, com um arco armado, pronto para disparar. Do seu lado, um Guardião de Midgard, ou simplesmente "GM", estava ao lado de um dispositivo.

- Vai. – disse o elfo, sereno.

O GM apertou um botão e um disco foi arremessado em alta velocidade, bem alto, no céu azul. Com calma, o elfo acompanhou o objeto voador e, com um movimento curto, liberou a corda retesada do arco. A flecha voou certeira no alvo.

- Belo disparo, Raijen – disse a elfa recém-chegada, retribuindo um cumprimento respeitoso do GM ao lado do amigo.

- Disponha, Lu. Quer atirar um pouco também?

Ela apenas fez que não com a cabeça. O GM que previamente acionara o dispositivo para Raijen notou um olhar de canto de olho da elfa. Pediu licença e se afastou, vendo que ela solicitava educadamente para falar a sós com o amigo.

- O que houve? – Raijen limpava o suor da testa e da cabeça, aproveitando para pentear o cabelo moreno e curto.

Os dois conversaram por muito tempo. Raijen deixou o arco deitado no chão, sentado na grama com Luthien. O tempo, ali em Asgard, passava em um ritmo diferente do que passava para os seres humanos, em Midgard. E ficaram assim por suas próprias horas, até que o sol começou a se pôr.

- Você entende a necessidade dessa missão, meu amigo? – disse Luthien, com certo pesar na voz.

- Claro. Mas nós vamos lutar, não vamos? Digo, não vamos começar com aquele papinho de "Boa sorte, heróis!" pra ficar só assistindo, né?

- Eu prefiro cair morta agora se tiver que falar isso uma única vez para um dos heróis de Rune Midgard.

- Que bom! Um pouco de ação! E quando você quer começar a agir?

- O quanto antes. Cada minuto é precioso demais.

Raijen se levantou, quieto, tomando o arco em uma das mãos. Andou até o que parecia um bebedouro - uma bacia de prata em um pilar de pedra, no meio do campo. Sussurrou algo e tocou com calma a água. Imagens começaram a se formar na superfície, enquanto Luthien se aproximava, curiosa.

- Escute... imagino que vá chamar ele também. - disse o elfo.

- Vou sim. Na verdade, era o primeiro nome que eu imaginava.

- Tem certeza? Acho que prefere gente que consiga lutar para ajudar, não é?

Luthien ficou preocupada e voltou sua atenção para a imagem na água da bacia de prata.

- Ele vai se ferir gravemente de novo? - perguntou, com a voz baixa.

- Sim, mas não fisicamente...

Os dois suspiraram, olhando as cenas que lhes eram mostradas. Em determinado momento, a elfa virou o rosto para o lado, chocada com o que viu.

- Eu... entendo. Que assim seja. Mas prepare-se. Quando chegar o momento, vamos usar todos os nossos recursos. E chamaremos todos que forem de nossa confiança.

Com graça e leveza, a elfa se afastou. Raijen apertou o arco, ainda olhando para a bacia de prata.

- Eu estou pronto desde que nasci, Luthien...

***

Rune Midgard

- N-não... de novo não! Não pode ser!

Drácula estava indignado. Seu corpo estava suspenso no ar, cravado na parede escura e fria da base da Torre de Geffen. A larga espada de lâmina roxa atravessava seu peito, fincada com violência, enquanto seu sangue escuro jorrava aos montes. Começou a derreter, observado pelo Lorde na sua frente. Os fios de cabelo louro escorriam pelo elmo de Orc Herói que ele sustentava na cabeça, ofegante.

Mais uma vez, Leafar vencia o Conde Drácula, dentro de sua base, em Geffen. E teria sido uma batalha rotineira, típica, não fosse pela garotinha loura caída aos pés dele.

Foi tudo muito rápido. Elizabeth Sarah Belmont era seu nome. Era filha adotiva do clone de Leafar com a Caçadora. Aquela criança, que seguia o caminho divino do sacerdócio, era a última remanescente de uma família com uma história muito triste; o último elo de Leafar com sua vida passada. Por motivos que pertencem à outra situação recente, que jamais foi contada, aquele era o ápice de uma aventura. Alguém descobriu como devolver a Drácula a maldição de transformar as pessoas em vampiros. Após uma jornada dolorosa, onde relacionamentos acabaram e pessoas foram gravemente feridas, Drácula estava privado desse poder, fadado novamente à mediocridade de ressurgir de hora em hora para assombrar eternamente o calabouço da Torre de Geffen.

- Eu... estava tão... p... pert...

Era impossível para o vampiro falar mais qualquer coisa. Estava completamente derrotado, com o corpo se decompondo rapidamente. Em silêncio, Leafar voltou-se para a menina, naquele chão fétido. A roupa branca de noviça estava suja de sangue, misturado à lama e sujeira daquele túmulo gigante.

- Você me salvou, Liza.

Ela sorriu, quase sem forças. Com a mãozinha, segurou a capa de Leafar, puxando-o para perto dela. Murmurou no ouvido dele. Os olhos do Lorde encheram-se de lágrimas no mesmo instante. Levantou-se e arrancou a espada da parede, embainhando-a. Com cuidado, pegou a menina com as duas mãos e começou uma subida longa e demorada, degrau por degrau, até o topo da torre.

Amanheceria em alguns minutos. Leafar finalmente alcançou o último andar. Tirou o elmo e soltou a guarda da espada, deixando ambos no chão.

- Eu sou a última vampira... - disse Liza, olhando fixamente para o rosto de Leafar.

- Não fale isso...

Morrendo de dó, Leafar abraçou forte a menina. Olhava para o céu com medo. Sabia que a luz do astro-rei traria fim imediato para ela. Mas não negaria seu pedido - ver seu último nascer do sol.

- Com o meu fim, ninguém nunca mais vai virar vampiro, né?

O Lorde engoliu seco. Liza falava a verdade. Era a última com a maldição de vampirizar pessoas. Sua morte traria paz para muita gente. E mesmo assim Leafar não queria que ela se fosse. Era seu laço com a família que queria ter construído. Não conseguia fazer nada diferente de chorar com a menina nos braços.

- Descanse em paz, Liza... - finalmente disse, notando os primeiros raios alaranjados surgindo no horizonte.

- Obrigada por tudo, tio Lea... obrigada... papá.

Leafar virou-se com ela para o leste. O sol, em seu espetáculo matinal, começou a nascer, superando a escuridão. O calor de seus raios atingiu a dupla, no ponto mais alto de Geffen.

- É... lindo...

Estas foram as últimas palavras de Elizabeth Sarah Belmont. O preço da garota por assistir a uma das maiores apresentações diárias da natureza, como vampira, era ter sua existência erradicada. Seu rosto se petrificou com o brilho - não do sol, mas do seu sorriso. Sua pele começou a secar. Não houve mais nenhum movimento de seu corpo.

- Deus, não... por favor, não...

O louro tombou de joelhos. A brisa matinal começou a dissolver a pele da menina, cujos restos começaram a voar como pó para o nada, encerrando definitivamente um ciclo. Nada, nem cabelo, nem osso ou sequer sangue restou. Apenas suas roupas e acessórios caíram no chão, obrigando Leafar a fechar os olhos com força, para não gritar de desespero.


Sentiu então uma mão em sua cabeça, acariciando-o. Não precisou olhar para reconhecer seu pai, Leonard Belmont, Arquimago membro do Conselho de Magia da cidade.

- Acabou, meu filho.

- Por que meus inimigos destruíram toda a minha vida? Por que, pai?

- Olha, tecnicamente, eles destruíram a vida do seu clone e de todos relacionados a ele. Não foi a sua.

- Por que, pai? Por que essas coisas acontecem comigo?

- Que coisas? Refere-se a você ter sido clonado, seu clone ter se casado e tido uma filha no seu lugar, depois sua pseudo-esposa ter assassinado seu clone, você ter perdido seus poderes de sacerdote e ter sido enfiado em uma guerra contra os Arautos de Surtr como Lorde, ter tido que assumir a Ordem do Dragão mesmo sem saber do que se tratava, sua quase esposa ter sido morta na sua frente junto com as suas amigas, você ter sido espancado até o limite da vida e sua quase filha ter morrido nos seus braços como vampira?

Leafar olhou com raiva para o pai. O Arquimago coçava o queixo, olhando para o alto.

- Isso para não citar que, desde então, você perdeu... hm... duas namoradas? Ou três? A sacerdotisa louca conta? Tinha aquela outra caçadora ruiva maluca, depois a brux...

- Pai, por favor!

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MensagemAssunto: Re: [RagnaTales] Morroc Saga   Dom Maio 18, 2008 12:11 pm

- Olha, se você usasse uma máscara pra esconder o rosto e um nome legal como "Espada Vingadora" ou "Cavaleiro do Sol Nascente", esse tipo de coisa não aconteceria, sabe? – Leonard deu a mão para que Leafar se levantasse.

Segurou o filho pelo ombro, terminando de admirar o nascer do sol.

- Sério, você devia pensar a respeito disso!

- Preciso de férias.

- Precisa. Sua mãe e eu já preparamos algo para você.

O Arquimago, com o mesmo tique de Leafar, estalou o pescoço, balançando o cabelo, preso no alto da cabeça em um rabo-de-cavalo. Puxou então um envelope do bolso e entregou para o filho.

- Eu não acredito que no meio dessa busca contra o Drácula o senhor ainda teve tempo para planejar as minhas férias! Digo, isso é uma falta de respeito!

- Aprenda, filho. Você precisa fazer planos. Se você não faz planos, significa que não pensa no amanhã. De um modo ou de outro, Drácula seria derrotado. Está no nosso sangue vencer ele. Sua mãe e eu confiamos em você. Agora você precisa descansar.

- Mas essa cidade... – dizia ele, vendo o conteúdo da carta - nunca fui para este reino! Arunafeltz...?!

- Vá, filho. Nunca se sabe quando vai começar a próxima aventura. E, pior, quando ela vai terminar... e com quais consequências!

O Arquimago abaixou e pegou os restos das roupas de Liza. Colocou na mão de Leafar, com o olhar complacente. O Lorde abraçou-o, de olhos fechados.

- Descanse. E deixe as lembranças de hoje repousarem no fundo do seu coração. Você precisa dele para continuar vivo.

Os dois ficaram em silêncio, respeitando a morte da pequena Elizabeth. Leafar suspirou e olhou o envelope, sussurrando o nome da cidade para a qual iria logo mais.

"Rachel".

***

Cidade de Morroc

O sol estava a pino no céu azul e límpido. O bafo quente trazia o cheiro da areia do deserto, invadindo cada fresta da cidade, construída naquele lugar distante, solitário e cheio de mistérios. Em meio a isso, duas figuras de branco protegiam os olhos com as mãos na testa, enquanto andavam para o maior prédio do lugar – o Palácio de Morroc.

- Raijen, – disse Luthien, enquanto o vento alisava seu cabelo – procure as guildas locais. As que investigam a cidade e, em especial, as que cultuam Morroc, seja com a intenção de ajudar ou de... você sabe.

O GM apenas sorriu. Deu as costas e andou na direção da taverna. Luthien puxou um caderninho do bolso, junto com uma caneta. Abriu em uma página previamente marcada e começou a conferir suas anotações. Andou ao redor do palácio. Marcava coisas, rabiscava e andava pela cidade, conferindo cada lugar em que parava. Ficou assim por muito tempo. Sua expressão estava triste. O que quer que fosse que estivesse comparando, estava tirando sua calma. Só saiu de seu transe quando sentiu alguns toques no seu ombro.

- Ei, tia! – disse o garoto, com roupas de Aprendiz – Você é GM, né?

- S-sou sim. – a elfa tinha percebido tarde demais que esquecera de ficar invisível para trabalhar em paz.

- Será que você poderia me ajudar? – disse o garoto sorridente, tirando uma grande Casca de Ovo da cabeça.

- No que precisa de ajuda?

- Onde fica a guilda dos gatunos? Não é aqui na cidade, né?

Luthien ficou parada, observando o menino. Seu olhar parecia perdido. Engoliu seco e apertou inconscientemente o caderninho, angustiada com algo.

- Tia? – insistiu o Aprendiz, assustado com a reação dela – Eu não quero tank não! Só me fala onde é a guilda que eu me viro, por favor!

Saindo de seu transe, Luthien piscou forte. Fixou o olhar no garoto, saindo de seus devaneios.

- Isso... não fica na cidade. Ela fica dentro da pirâmide, na saída noroeste. Tem um labirinto lá. Para encontrar a guilda, você...

- Ah, muito obrigado! Com isso eu me viro! Só precisava saber onde era! Até mais!

O menino acenou e saiu correndo, determinado, enquanto ajeitava a Casca de Ovo na cabeça. Luthien sentou-se à sombra do palácio, consternada. O tempo passou e continuou sentada, segurando o caderninho, com medo de abri-lo. Finalmente viu Raijen se aproximar, trazendo dois sorvetes de casquinha. Deu um para ela e sentou-se do seu lado.

- Pode dizer – falou o GM, dando uma lambida no sorvete.

- Dizer... o que?

- A verdade. Os cálculos batem?

- Rai... um Aprendiz veio me perguntar onde era a guilda dos gatunos. Era só uma criança. E eu indiquei pra ele a pirâmide.

- A pirâmide vai ser afetada?

- N-não...

- Então relaxa um pouco. E aí, os cálculos batem ou não batem?

Com pesar, a GM abriu o caderninho. Mostrou uma página específica para o elfo. Ele passou os olhos e voltou a fitar a amiga.

- Eu falei com os populares – disse ele, dando uma mordida generosa no sorvete.

- E eles? Sabem de algo? Quão perto chegaram?

- Passaram longe. A maioria acredita que é um selo, que cultos vão liberá-lo, que sacrifícios têm poder e todo esse tipo de coisa. Alguns juram de pé juntos que são defensores do selo e toda uma conversa bonita, até. Eu quase entrei em duas guildas. Pena que não posso...

- E isso nos ajuda ou atrapalha?

- Ajuda, claro. Se houver uma mudança repentina no comportamento desses "seguidores - protetores" de Morroc, vai chamar demais a atenção. E eu ter conversado com eles reforçou suas fantasias. São todos pessoas boas, e vão ajudar, mesmo sem saber disso.

Raijen pegou o sorvete da mão de Luthien, que não tinha encostado nele. Começou a tomar ele também, enquanto ela olhava para as torres do belo palácio. O elfo notou e passou a mão no ombro dela.

- Pare de pensar a respeito disso. Você sabe que é preciso agir. Já se passaram alguns meses aqui em Rune Midgard, desde que decidimos esperar. Os heróis estão prontos.

- Eu não sou muito adepta de "missões secretas", Rai. Mas...

- ... mas você sabe que uma movimentação de milhares vai chamar a atenção. Vai ser difícil de controlar, coordenar e, pior, ter sucesso. Multidões são para guerras. E não é exatamente com uma guerra que vamos lidar agora.

A elfa se levantou e colocou a mão no bolso. Puxou uma gema azul. Ia arremessá-la no chão, pronta para abrir um portal, mas sentiu a mão de Raijen segurando a sua.

- Calma. Não perca a esperança ou a fé. Nós temos que ser fortes. Sinceros, sem joguetes... mas fortes. Somos o exemplo para todos eles.

Os dois se abraçaram. A partir daquele momento, não saberiam quando teriam outro momento de paz. Assim que deixassem Morroc, começariam uma longa e complicada jornada. Sabiam que não lutariam pela paz, mas pelo cenário com menos estragos possível.



- Muito bem. – a elfa se recompôs e soltou um longo suspiro – Vamos para Prontera.

A gema foi arremessada no chão, transformando-se em uma coluna de luz azul. Raijen estalou os dedos, olhando determinado para a frente. Sem perder mais tempo, entrou na coluna, desaparecendo. Luthien notou as pegadas dele no chão. Ficou momentaneamente saudosa, mas, balançando a cabeça, também entrou no portal.

***

Arredores de Prontera - Entrada do Labirinto da Floresta
Algumas horas depois

O silêncio era matador. O grupo estava sentado na grama, quieto há alguns minutos. Algumas folhas de papel passavam de mão em mão. Cada vez que alguém as relia, sentia uma perturbação enorme. Por fim, uma Lady pegou a tal carta com fúria e se levantou.

- Peraí! Deixa eu entender direito então essa p***a! Cês tão me dizendo que Morroc vai pra casa do c*****o?! É isso?

- Eu não usaria estes termos - Luthien falou sem jeito, ruborizada pelos modos da Lady - mas... sim.

- P***a! Aí f***u tudo!

Raijen, também ali, olhou para as duas Suma Sacerdotisas. Elas apenas mantinham-se quietas, pensativas. Ambas, ruivas, viajavam em seus próprios pensamentos. Miara, com uma longa trança nas costas, estava com a cabeça apoiada nos braços, sentada. Bonnie Heart, com o cabelo mais curto, mexia em uma pequena coroa dourada, como se fizesse planos.

- Luthien - disse ela, voltando o olhar para a GM - então deixa eu repassar, para eu ver se entendi.

- Claro.

- Morroc voltará; é inevitável e a cidade será destruída.

- Sim.

- Não existe absolutamente NADA que possamos fazer para impedir isso.

- ... ... ... ... exato - a resposta demorou para sair.

- Nossa única chance de contê-lo é por meio de Thanatos. Mas essa parte eu não entendi direito.

A elfa se aproximou e sentou mais perto das sacerdotisas, observada pela Lady. Começou a falar, com a voz baixa.

- Thanatos foi o único homem capaz de derrotar Morroc. A torre que ergueram para ele funciona como um tipo de "armazém" com as suas memórias; tanto que o monstro que reside lá é a "Memória de Thanatos". Mas essa memória, porém, não tem o que chamaríamos de "personalidade". São sentimentos específicos que lhe dão algo próximo de ter uma. E por serem sentimentos ruins, como a Desgraça e o Ódio, a "Memória de Thanatos" é o monstro que é encontrado lá, como conhecemos.

- Tudo bem - disse Bonnie, se ajeitando na grama, sentando mais perto - Mas eu não entendi o que temos que fazer. O que tem a ver enfrentar o Thanatos se queremos anular o Morroc? Ele não é um demônio preso na torre, com intenções de dominar o mundo?


- Essas coisas são por causa dos sentimentos ruins que são usados para invocá-lo, Bonnie. Temos que fazer sentimentos BONS preencherem sua memória no momento em que ele for invocado. Temos que vencer os sentimentos ruins e substituí-los pelos bons. Assim teremos a esperança de que ele nos dê alguma luz para sabermos como enfrentar Morroc.

- Luz? Esperança? - a Lady mais uma vez ficou indignada - Aqui, oh orelhuda! Tu já lutou contra Thanatos? - ao dizer isso, a mulher, de longo cabelo moreno, jogou o Bardiche no chão, furiosa.


- Nunca lutei contra ele. Só vi os relatos a respeito, Sandy.

- Minha filha, com essa p***a desse bicho não tem conversa! Enquanto tu vai tentar jogar papinho de hippie nele sobre a paz mundial, ele vai te matar, pegar os seus ossos e ***** *** ***** ** ***** ** *****, *******! - disse, dando um chute em um Poring que tentava inutilmente comer a longa arma.

Luthien notou que não só ela, mas os demais estavam todos vermelhos - até mesmo Raijen. Sua voz quase não saía.

- Eu sei que você já o enfrentou, e sei que seu grupo é eficiente na batalha típica contra ele. Por isso que sua ajuda é necessária, Sandy. E essa batalha não será "típica". Precisamos realmente invocar os sentimentos bons dele. É possível?

A Lady olhou para as duas Suma Sacerdotisas. Mediu então os dois GMs.

- Vocês dois vão com a gente?

- Vamos.

- Bonnie, tu vai chamar a sua rapaziada?

- Vou selecionar alguns Gullwings e iremos.

Sandy então observou Miara, ainda sentada. Abaixou o tom de voz, um pouco sem jeito.

- Desculpa perguntar... mas por que você está aqui? Cadê o Lea?

- Ele não está aqui e não virá - Miara respondeu rapidamente, com a voz firme.

- Sei que não é da minha conta, e pergunto como amiga. Tu realmente me desculpe, não quero te desmerecer na liderança, mas aconteceu alguma coisa com ele? Por que não é ele que está aqui?

A ruiva de tranças se levantou. Em seu peito, resplandecia o brasão rubro-dourado da Ordem do Dragão. Olhou Sandy nos olhos, firme.

- Aconteceu algo sim e ele não está conosco. Não acho educado e próprio falar da vida pessoal de meu líder e amigo dessa maneira, nessa situação. Ele confiou a liderança da Ordem do Dragão a mim neste momento. Se não estou sendo útil, posso lhes desejar ótima sorte em sua empreitada, senhoritas.

- N-não, Miara. - Sandy colocou a mão no ombro dela - Desculpe mesmo. Eu não fiz a pergunta nesse tom. Só fiquei preocupada porque sei que ele seria o primeiro a estar aqui pra ir com a gente.

- Tudo bem, Sandy.

- Bem... é isso aí, mulherada! - Raijen se levantou e esticou os braços acima da cabeça, se espreguiçando - Combinado?

As quatro olharam para ele, quietas. Sem jeito, ele deu as costas para elas, disfarçando, enquanto Luthien tomava a frente novamente.

- Partiremos amanhã à noite. Por favor, convoquem apenas os que acharem realmente necessários. Levem seus melhores equipamentos. Na madrugada, subiremos a Torre de Thanatos e resolveremos isso o mais rápido possível.

- Eu tenho uma última pergunta, Luthien.

- Diga, Bonnie.

- Por que não podemos falar sobre isso para o rei?

Luthien abaixou os olhos. Devagar, dobrou a carta e guardou-a na bolsa de sua roupa de GM. Sua voz saiu fraca, baixinha.

- Pelo mesmo motivo pelo qual não podemos contar com a cidade de Morroc daqui a alguns meses.

A elfa arremessou uma gema no chão, abrindo um portal. Raijen acenou para as três e entrou, seguido pela elfa silenciosa. Miara e Bonnie se entreolharam, sem dizer nada. Sandy parou na frente das duas.

- Aí, só eu não entendi? Qual a pegadinha? Como assim, "não contar com Morroc daqui a alguns meses"?

- Sandy, - Bonnie segurou uma gema azul, também pronta para abrir um portal - não poderemos contar com a cidade porque ela deixará de existir. Logo, baseado nessa comparação, o Rei Tristan III... ...

A Suma Sacerdotisa entrou em seu portal. Miara se levantou, cruzou as mãos no peito e desapareceu, sob a luz típica do Teleporte. Apenas a Lady e seu Peco Peco ficaram ali, parados, ao som de grilos, até que a expressão de Sandy finalmente mudou, com os olhos arregalados.

- ... ... ... entendi! P***a!!!!

***


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MensagemAssunto: Re: [RagnaTales] Morroc Saga   Dom Maio 18, 2008 12:13 pm



Segundo Capítulo
~ Sentimentos

A taverna de Juno tinha o som típico de um final de jantar. A garçonete retirava alguns pratos de uma longa mesa de madeira, com restos do que fora um javali assado um dia. Os copos tinham os fundos sujos de vinho e sucos variados. Teria sido um começo de noite típico, não fosse o barulho que veio do lado de fora do estabelecimento. O som de passos foi aumentando, levando a garota a sair para olhar. E a ficar boquiaberta.

Dezessete pessoas andavam juntas, determinadas. Não eram pessoas quaisquer ou inexperientes; eram guerreiros transcendentais, abençoados com a graça do poder máximo que um ser humano consegue em Rune Midgard.

Puxando a fila, Bonnie Heart, Miara e Sandy iam em silêncio, na direção da praça central. A pé, três Lordes e três Paladinos puxavam suas montarias - Peco Pecos e Grand Pecos devidamente protegidos com armaduras próprias. Um casal de Algozes mantinha-se a uma distância segura e confiável um do outro. Um Mestre, de braços cruzados, notava de canto de olho o Menestrel ao seu lado, que olhava os quadris de uma outra Suma Sacerdotisa e de uma Professora, dedilhando repetidamente apenas uma das cordas de seu alaúde, distraído com a visão. Por fim, dois Arquimagos seguiam o grupo, falando baixinho entre si.

Pararam em uma das inúmeras praças de Juno, perto de uma coluna de luz mágica, que periódica e repetidamente lançava seus raios para o céu escuro. Viram então duas figuras se materializarem em sua frente. Luthien, outrora trajada com a roupa alva de Guardiã, agora apresentava-se como uma Suma Sacerdotisa. Raijen também abandonara as vestes de GM, trajado como um Atirador de Elite. Ambos seguravam Elmos das Valquírias sob os braços.

- Saudações, aventureiros. - disse a GM, com a voz suave - Eu sou Luthien, Guardiã de Midgard.

- Aos que não me conhecem - adiantou-se o elfo - eu sou Raijen, Guardião de Midgard, e também vou acompanhá-los nessa jornada.

Alguns deles se arrepiaram. Mesmo tendo Transcendido, não eram todos os aventureiros que tinham a honra de lutar ao lado de um GM. Automaticamente, com exceção de Sandy, Bonnie e Miara, os demais se ajoelharam, compelidos a respeitar aquela dupla. Bonnie deu um passo adiante, segurando sua Coroa Menor nas mãos delicadas.

- Estes são os Gullwings escolhidos: Rinoa Beldandy é a Algoz. A Professora chama-se Helena, e o Arquimago é Janus Lightheart.

Luthien e Raijen fizeram uma breve mesura a eles. Olharam a seguir para Sandy. A Lady bateu o pé, e seus comandados ergueram-se rapidamente, em postura de sentido, típica de uma guilda com base militar.

- Wanted! Apresentar! - disse ela, de peito estufado, segurando um Elmo do Deus Sol pelas alças.

- Hannybal, senhora! - disse o primeiro Lorde, segurando um elmo e uma lança.

- Gerenal, senhora! - o Lorde moreno, a exemplo do primeiro, também segurava um elmo e uma lança.

- Joop, senhora. - a voz do Algoz saiu mais baixa, calma e firme.

- Kamikaze, dos guerreiros de Tróia, minha senhora e esposa! - terminou o último Lorde.

Os quatro bateram a mão direita fechada em cima do coração e voltaram a se ajoelhar. Novamente os GMs fizeram uma breve mesura. Todos voltaram então sua atenção para Miara. Ela engoliu seco. Por um breve segundo, hesitou. Mas retirou com calma a Coroa de Abelha-Rainha que usava. Olhou os rostos dos companheiros, que sorriram para ela, orgulhosos. Ela sorriu de volta e voltou sua atenção para Luthien.

- Da Ordem do Dragão, trago-lhe o vigor dos Paladinos Kita Yagushi, Barthiel e Zack Holyheart. Apresento as poderosas Garras do Dragão do Mestre Castor. O senhor das artes arcanas Damiam é o Arquimago que nos acompanha. James, o Menestrel a quem chamamos carinhosamente de "Bardo", é que nos dará fiel apoio. E para me auxiliar no suporte a nossos companheiros, tomei a liberdade de convocar nossa ex-companheira Jelanda Bogardann, que conduz a guilda Equilibrium.

- Thanatos está f***do... - Sandy falou espontaneamente, sorrindo. Dessa vez, até Raijen riu. Luthien ficou ruborizada e deu um passo adiante, sorrindo, enquanto todos ficavam de pé.

- Não tenho palavras para lhes agradecer pela ajuda. Como suas líderes adiantaram, precisamos convocar Thanatos por meio de seus sentimentos bons. Para isso, teremos que reverter a polaridade dos Fragmentos de Memória de Thanatos. São eles Dolor, a Agonia; Despero, o Desespero; Maero, a Desgraça; e Odium, o Ódio.



Raijen pegou uma pequena caixa de madeira do chão e abriu-a, revelando diversos artefatos, entre Chaves, Pedras e o que pareciam quatro amuletos.

- Como sabem, - continuou Luthien - apenas Guerreiros Transcendentais podem subir até o décimo terceiro andar da torre. E existe um processo longo e demorado para a subida e para a convocação da Memória de Thanatos. Estes itens, porém, vão poupar nossa jornada. Não precisaremos perder tempo caçando coisas. Temos apenas uma missão: subir a Torre, alcançar o último andar e convocar a Memória de Thanatos do nosso jeito.

- Espero que estejam prontos, amigos. - Raijen colocou seu elmo e deu um gole em uma poção esverdeada. Ao mesmo tempo, todos os presentes colocaram suas proteções de cabeça. Lordes e Paladinos montaram em seus animais.

Luthien segurou quatro gemas azuis e olhou determinada para o grupo. Viu a confiança deles nela e agradeceu a si mesma por ter aliados tão confiáveis.

- Não vou lhes ensinar como lutar; já fazem isso muito bem. Sigam suas líderes. Nossa única preocupação é chegar ao décimo terceiro andar da torre. Temos uma missão a cumprir!

As gemas foram arremessadas. Assim que cada uma tocou o solo, uma pequena coluna de luz azul se formou onde elas bateram. Um a um, todos foram pisando nas colunas e sumindo. E, ao longe, a garçonete ficou admirada com a cena, de olhos brilhantes, emocionada.

***

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MensagemAssunto: Re: [RagnaTales] Morroc Saga   Dom Maio 18, 2008 12:13 pm

Cidade de Rachel
Mansão Belmont

A noite avançava na principal cidade do reino de Arunafeltz. Do terraço da enorme mansão, com muros altos de pedra, o homem louro contemplava um pequeno lago, ao sul da muralha interna da cidade. Aquela visão o fazia lembrar do pequeno "lago" em Prontera - o lugar onde fazia as cerimônias da Ordem do Dragão. Já tinha esquecido há quanto tempo estava em Rachel. Pela primeira vez, em todo caso, Leafar respirava em paz. Desde sua turbulenta volta, quando saiu da animação suspensa, finalmente vivera uma aventura só sua, sem sombras de clones, famílias ou heranças. Estava feliz. "Se eu tiver que escrever um diário, já tenho história pra contar", sorriu consigo mesmo.

Ouviu alguns latidos e virou-se. Seu cãozinho, Rush, apareceu, vindo da escadaria, eufórico. Um pouco depois, um homem bem vestido, com roupa social e colete cinza, calvo, aproximou-se. Trazia uma bandeja prateada.

- Patrão Belmont, seu brasão e seu telefone.

- Obrigado, Albert.

O mordomo deixou a bandeja em uma mesa de madeira, que já tinha meio sanduíche comido e um copo de suco vazio. Leafar tirou a tampa e olhou o aparelho - um retângulo fino e leve, todo preto, presente de Bonnie Heart. Vindo de Lighthalzen, o tal do telefone permitia que pessoas distantes se comunicassem, exatamente como fazia o brasão da Ordem do Dragão, acompanhado de um bracelete largo.

O louro pegou o aparelho e digitou uma sequência de números. Levou-o ao ouvido e andou no terraço enquanto ouvia um "tuuuu" em intervalos longos. Ficou assim por um longo tempo, até que o aparelho ficou mudo. Tentou novamente, e mais uma vez não teve resposta. Olhou sem graça para o telefone.

- Algum problema, patrão? - disse o mordomo, dando um passo adiante.

- Não. É que, bem, Mia não atendeu. Sei lá, deve ter quebrado esse negócio.

- Talvez o telefone dela esteja sem bateria, patrão.

- Não sei. Ela sabe que eu ligo todas as terças-feiras, para saber como estão as coisas em Rune-Midgard e se a guilda teve algum problema.

- O patrão poderia ligar então para a senhorita Bogardann ou para a senhorita Heart.

Dando de ombros, Leafar tornou a digitar outra sequência de números - dessa vez para ligar para Jelanda. O aparelho fez o mesmo sinal por muito tempo, até ficar mudo. Tentou mais duas vezes, mas nada aconteceu. Um pouco tenso, Leafar tentou então contato com Bonnie, do mesmo jeito. E a exemplo das outras duas, nada aconteceu.

- Elas não atendem.

- Talvez as senhoritas estejam ocupadas, patrão. Se me permite dizer, vocês são jovens e possuem uma vida bastante ativa. Senhoritas solteiras como elas talvez estejam empenhadas em agregar um parceiro para suas vidas.

- Não acho que nenhuma delas seria de fazer isso, Albert. Estou preocupado.

Levou então a mão até o brasão rubro-dourado na bandeja, com as letras "OD" intercaladas. Seu brasão, como dito, ligava todos os membros da Ordem do Dragão. Podiam se falar mentalmente independente da distância em que estavam. Com o uso de um bracelete, que chamavam de "Altigê", podiam até mesmo ver quem estava acordado e conectado ao brasão. E chegou a colocá-lo, mas o som de um poderoso sino vindo de dentro da casa o fez parar antes de pegar o brasão e prendê-lo à camiseta.

- Eu... me esqueci dela! - disse, interrompendo a ação e levando a mão até a testa.

O mordomo se retirou. Leafar tirou o bracelete e repousou-o de volta na bandeja. Cobriu tudo com a tampa momentos antes de uma garotinha surgir.

- Ei! Senhooooor Leaaaaaa!

A menina, de cabelo ruivo, correu para abraçá-lo. Ele se abaixou, de joelhos, ficando da altura dela. Abraçou-a, passando a mão em suas costas, no manto bege que ela usava por cima da túnica.

- Ei, Ruby! Tudo bem?

- Tudo bem! Noooooossa! Eu esqueço como sua casa é grande!

- É por isso que é chamada de "mansão", Ruby. É uma casa enorme! - disse ele, sorrindo.

- Mãe-são?

- Mais ou menos isso! - disse ele, se levantando para cumprimentar o homem que chegou alguns momentos depois.

- Sacerdote Zhed, é um prazer recebê-lo em minha casa. - disse Leafar, estendendo a mão para o grisalho.

- Casa não! Mãe-são! - Ruby interrompeu, antes de sair correndo e brincando com Rush.

- Sempre um prazer visitá-lo, meu amigo. - disse o homem, com uma aura natural de nobreza e tranquilidade - E sabe muito bem quão especial é para a pequenina vir até aqui.

- Sim. E eu tenho muito carinho por ela, desde que...

Leafar foi interrompido ao ouvir a garota invocar a magia de Aumentar Agilidade sobre si, enquanto corria do pobre cachorro, de língua de fora e arfanado.

- Ei, Ruby! Venha aqui um pouco!

A menina correu e parou na frente dele, repentinamente. Rush trombou com força na canela dela e caiu desacordado. Leafar se abaixou novamente.

- Fala, senhor Lea!

- O que nós conversamos sobre você usar poderes em público?

- Aaaaaaah! Eu só estava brincando!

- Sim, mas você se lembra o que aconteceu, não?

Ruby abaixou a cabeça e começou a passar o dedo na ponta do cabelo ruivo, mexendo na ponta dele. Suspirou.

- Eu queria tirar essa peruca feia.

- Mas você precisa ficar com ela. Aliás, porque não está cobrindo um dos olhos, como te ensinei?

Ruby tinha um olho de cada cor. Era difícil olhar para eles e não ficar hipnotizado. Com carinho, Leafar pegou uma mecha de cabelo da peruca e fez uma franja na menina.

- Usa ele assim. Deixa um dos olhos cobertos, pra não chamar a atenção. Se perguntarem, fala que você é emo.

- Isso! - Ruby sorriu, feliz com a brincadeira - Eba! Eu sou eeeemooooo! Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

- Calma! Você não pode ser tão feliz para ser emo!

- Sou emooooooo! Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

A menina correu, puxando o cachorro desacordado pela coleira. Zhed, porém, notou que Leafar não sorrira com a cena.

- O que o preocupa, meu amigo?

- Hein?

- Está com a cara fechada desde que chegamos. Podemos voltar depois.

Leafar olhou rapidamente para a bandeja fechada. Estava se corroendo por dentro, de vontade de pegar o brasão e saber se estava tudo bem. Engoliu seco e armou-se com um sorriso.

- Desculpe, eu não almocei direito. Vamos entrar. Albert vai nos preparar algo para jantar enquanto você me conta como estão as coisas no templo. - virou-se então para a menina, falando por cima do ombro - Ruby! Cuidado para não matar meu cachorro!

E enquanto a falsa ruiva de olhos de cores diferentes brincava com o desmaiado Rush, Leafar se afastou da bandeja de prata fechada, tentando livrar a mente de paranóias ou perturbações.

***

Torre de Thanatos
Décimo terceiro andar

O vento que atingia o grupo era espectral. Não havia muros nem sequer muradas no alto da Torre. O piso de pedra branca e liso era assustador. O topo da Torre, aberto, possuía várias passarelas e pontas. Uma sensação muito ruim pairava no ambiente. Era se como aquele lugar fosse maldito. Apesar de inerte, parecia que a torre reagia negativamente à presença deles ali. O céu parecia avermelhado, visto dali de cima.

Os Guerreiros Transcendentais, ou "Os Dezessete", como começaram a se chamar durante as longas horas de subida, não estavam nem suando. Estavam orgulhosos de sua força e sua organização. Isso os mantinha em certa tranquilidade, mas Luthien estava horrorizada por dentro. Sabia que aquele grupo subiria a perigosa torre mesmo de olhos vendados; a Guardiã sabia que a verdadeira missão começava agora. Sentiu a mão de Raijen em seu ombro. Olhou com cumplicidade para o amigo, que lhe oferecia a caixa de madeira. Pegou-a e abriu-a, olhando os últimos artefatos ali restantes - quatro amuletos.

- Estes são os Fragmentos da Memória de Thanatos - disse ela.

Sua voz saiu baixa. Mas foi o suficiente para que todos ouvissem.

A GM pegou um dos amuletos e foi até uma das pontas da Torre, seguida pelos demais. Ela passou a mão no chão, e uma pequena plataforma de pedra subiu alguns centímetros. Virou-se então para o grupo.

- Vamos começar pelo Fragmento de Agonia. - disse ela, segurando o amuleto - Entendam que para reverter o sentimento precisamos derrotá-lo.

- Tu tá falando do bichinho que aparece, né? - Sandy deu um passo à frente, segurando o Bardiche com uma das mãos - Só dar um *** nele e boa, né?

- Temo que seja mais complicado que isso. Para reverter, teremos que encarar o nosso sentimento pessoal. No caso da Agonia, teremos que enfrentar a Agonia personificada de um de nós. Por isso temos que ter cuidado. Aquele que encaixar o amuleto nesta plataforma, vai convocar o Sentimento Dolor, de Thanatos. Porém, se fizer isso se focando no próprio sentimento, o Dolor vai se transformar na sua Agonia. Aí teremos que vencê-la para que ela se reverta.

- Ainda bem que tem um GM pra explicar essas coisas - disse o Menestrel, baixinho, para Castor.

- Fica quieto, bardo. Já deu pra ver que não vai ser brincadeira não. Só precisa saber qual de nós vai convocar a própria agonia.

A frase soou alta. Todos ficaram quietos. Fazia sentido; quem teria coragem de convocar a própria Agonia? Cada um dos Dezessete ficou calado, pensando sozinho, discutindo com a própria consciência. Depois de longos intervalo que talvez tenha durado horas - perderam a noção, dada a tensão - um deles deu um passo à frente.

- Eu vou. Vou encarar a minha agonia.

A voz do Arquimago Janus saiu com firmeza. Ele esticou a mão para Luthien.

- Está certo do que fará? Mais que isso... está certo do que nos fará enfrentar?

- Sem problemas, dona. Minha maior agonia é bem clara para mim: foi quando matei dois amigos meus e um rival. Não que eles não merecessem... mas a cena me perturba até hoje. Se eu convocar eles novamente, o que pode acontecer de ruim? É só matá-los de novo.

Não deixou de ser chocante para todos ouvir aquilo. Janus tinha dito com tranquilidade que tinha assassinado pessoas próximas, e não parecia nem um pouco abalado com aquilo. Limitou-se a pegar o amuleto da mão de Luthien.

- E aí? Então eu penso nos meus amigos e encaixo esse amuleto aqui, né?

- Isso mesmo. Mas por favor, seja forte. Você precisa VENCER os seus sentimentos. Se for dominado por eles...

Luthien começou a invocar suas bênçãos. As Suma Sacerdotisas faziam o mesmo, preparando todo o grupo. A linha de Lordes, liderada por Sandy, preparou suas armas, enquanto os Paladinos ligavam alguns dos membros com sua linha sagrada e divina da Redenção. Os demais assumiram suas posturas de ataque e defesa. Janus foi até a plataforma e encaixou o amuleto.

Sua mão brilhou, segurando o artefato encaixado. A plataforma se recolheu, entrando no piso novamente. Uma criatura então se materializou. Era pequena, de pele marrom. Parecia um Goblin de máscara, com o focinho salientado por ela.

- Que bonitinho! - disse ele, enquanto sua coloração mudava para o roxo, consequência de sua Proteção Arcana - Agora é a hora que você vira meus amigos e eu mato vocês de novo?

O Dolor olhou para os lados, assustado. Deu alguns passos para trás.

- E aí? Tá com medinho, é?

- Pa-papai?

Janus esbugalhou os olhos. A voz lhe era terrivelmente familiar. Engoliu seco.

- Papai, é você? Eu tenho medo!

- Cilpher...?!

O Dolor tirou a máscara. Uma criança assustada pôde ser vista, de cabelo longo e azul igual ao do pai. Castor, que estava pronto para liberar o poder de seu Punho Supremo de Asura, abaixou a mão. O grupo ficou comovido, com exceção de Joop e Rinoa, que seguravam suas adagas de katares em punho firme, observando.

- Papai! Onde está a mamãe?

- Eu... eu não sei. Sua mãe... ela...

- Papai, por que suas mãos estão sujas? Isso é sangue?

O líquido vermelho realmente escorria das mãos de Janus. Ele deu alguns passos para trás.

- Cadê a mamãe?

- Ammie... sua mãe, ela... ela...

- Foi você, não foi, papai? - Cilpher começou a andar na direção de Janus, que correu assustado para o meio do topo da torre.

- N-não! Não fui eu!

- Acalme-se, Janus! - Bonnie tentou abençoar Janus, mas ele estava abalado. O falcão de Raijen subiu aos céus, inquieto.

- Foi você, papai. Você matou a mamãe.

- Eu não mataria Amatsu. Eu não faria nada com Ammie!

- Foi você sim. E você matou ela... depois que me matou.

O menino caiu no chão. Janus correu aos berros para cima dele. Tomou-o nos braços, em lágrimas.

- Filho! Acorda! Não foi culpa minha! Não foi! Eu... eu estava possuído. Foi o demônio. Foi... ele.

O céu escureceu. Alguns relâmpagos estouraram no ar, e o vento aumentou. Luthien ensaiou dar um passo para a frente, mas sentiu a mão de Raijen segurar seu braço.

- Já era, Lu. Ele perdeu.

O robe do Arquimago começou a se rasgar. Espinhos começaram a crescer em suas costas, assim como uma longa cauda. Seus olhos ficaram vermelhos, assim como sua pele, e suas mãos tornaram-se garras.

- P****! Ele virou um demônio! - Sandy avançou com o Peco. Ia atacar, mas levou um golpe, sendo arremessada para longe.


- Sandy! - Kamikaze correu até ela, preocupado com a esposa. - Você está bem?

- Eu não sou de vidro, filho da p***! Vai lá f**** esse bicho que eu já vou!

O Lorde bateu as esporas no Peco Peco. Segurou o Pique com força em uma mão e o escudo na outra, avançando. No impacto da batida, porém, levou a pior. O gato morto que usava na cabeça caiu no chão, enquanto tombava ao lado da Lady.

- O que faremos, Luthien? - Miara perguntou preocupada, vendo que a atenção do demônio tinha se voltado para o grupo.

- Nós... nós...

- Nós temos que vencer ele! - Raijen empurrou a chocada Luthien para o lado e disparou suas flechas no demônio. Miara olhou para os companheiros.

- Castor! Kita!

Os dois se limitaram a correr ao ouvir a voz de sua líder. O Mestre brilhou em vermelho. Raios circulavam seu corpo, que agora estava tão duro quanto a mais densa das rochas. O Paladino, por sua vez, estava com sua linha divina protegendo o amigo, e tinha, sob seus pés, um Santuário invocado pela Suma Sacerdotisa.

As flechas de Raijen começaram a varar o corpo do transformado Janus. Damiam parou do lado de Raijen.

- Aguenta aí, campeão. Alguém lexa ele pra mim.

Jelanda espalmou a mão, enquanto espadas translúcidas espetaram simbolicamente o monstro. O Arquimago sorriu de canto de boca.

- Segura essa, meu filho!

O céu se abriu misticamente. Conjurando o poder do elemento preferido, Damiam fez imensos meteoros explodirem em cima do ex-colega de magia. A criatura deu alguns passos para trás. Deu um berro com a boca enorme, furioso com o Arquimago.

- Chora mesmo, neném!

- Não provoque ele, Damiam. - Miara advertiu, vendo que Castor era atingido violentamente pelos golpes - Isso aqui é sério.

Os Lordes avançaram contra o demônio, que era mantido sob controle por Castor. Porém, assustaram-se quando os Algozes apareceram ao lado do monstro. Os katares de Rinoa e as adagas de Joop pareciam embebidas em algum tipo de Veneno Mortal. Em uma pequena fração de segundos, as lâminas cortaram sem piedade o demônio, abrindo muitas feridas. Antes que pudessem ser contra-atacados, já tinham desaparecido. Foi a vez então, finalmente, dos Lordes. Gerenal e Hannybal avançaram, com as viseiras de seus elmos abaixadas. Bateram cada um de um lado, perfurando a pele marrom daquilo que fora Janus um dia. Em sincronia, suspenderam a criatura do chão, erguendo-a com as armas.

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MensagemAssunto: Re: [RagnaTales] Morroc Saga   Dom Maio 18, 2008 12:14 pm

- Raijen. - disse James, segurando o Alaúde como se fosse uma arma de fogo.

- O que?

- Gostei das Rajadas de Flechas. Mas agora aprende.

O Menestrel piscou para o Guardião e começou a dedilhar furiosamente o instrumento musical. Um número incontável de flechas translúcidas saíam das cordas, atingindo o monstro como se fosse a lava de um vulcão. Janus tombou de joelhos, ofegante.

- Sai que eu mato! - Damian ergueu o cajado. Sua voz, que conjurava novamente o poder da Chuva de Meteoros, chamou a atenção do demônio. Como se estivesse furioso com ele, libertou-se das lanças de Gerenal e Hannybal, com as energias renovadas pela raiva do golpe mágico que o ferira tanto da outra vez.

Bonnie percebeu e rapidamente conjurou a proteção do Assumptio nos dois mais próximos - Zack e Barthiel. Os dois correram, depois que os tapas do demônio fizeram os Lordes também voarem longe. Os Paladinos pararam na frente, mas a fúria do demônio os jogou para os lados. Damiam continuou a conjuração, de braços abertos, com o cajado firme.

- Morreu, babaca. - disse ele, olhando firme nos olhos do demônio, que lhe dava um soco mirando a cabeça.

Os meteoros novamente surgiram misticamente dos céus. Dessa vez, esmagaram impiedosamente o corpo do demônio. Damiam continuava de pé, na frente dele... sem a cabeça. Ela tinha rolado até os pés do Menestrel, que olhou sério para Raijen.

- É isso que dá perder a cabeça nessas horas. - disse, apoiando o alaúde no chão.

Raijen ficou congelado com a piada sem graça. Não tiveram nem tempo para ficar tristes, quando uma luz vermelha subiu do lugar onde o amuleto fora previamente encaixado por Janus.

- A luz vermelha... - disse Luthien, pálida.

- O que isso significa? - Joop perguntou, com a voz abafada pelo echarpe vinho na frente da boca.

- Que falhamos. Foi um sentimento ruim que foi convocado. Se fosse a luz branca, teríamos conseguido.

A Guardiã olhou os Gullwings e os Dragões lamentando as perdas dos dois Arquimagos. Bonnie se aproximou.

- Temos tempo para chorar depois. Ainda temos uma missão para cumprir, não é?

- Sim, Bonnie.

- Eu quero ser a próxima.

Todos olharam chocados para a Suma Sacerdotisa. Ela pegou a caixa de madeira no chão e puxou um dos amuletos.

- Janus, no passado, tinha sido possuído por um demônio, quando matou sua esposa e seu filho. Era essa sua maior agonia. Ele não conseguiu superá-la, como vimos. Eu quero enfrentar o meu desespero.

- Não podemos nos arriscar de novo, Bonnie. Você tem certeza que é forte o suficiente para isso? Tem certeza do que iremos enfrentar?

- Absoluta. Minha vida é um livro aberto. Sou general do Rei Tristan, de Rune Midgard. Meu maior desespero é simples e óbvio. E você sabe muito bem qual é.

- Bonnie! - Miara se aproximou, indignada - Você tem noção do que está fazendo?

- Qual é a boa aí, que eu peguei o bonde andando. Tomei um porradão, caraca! - Sandy passava a mão na bunda - O que tá pegando?

- A Bonnie quer enfrentar o Desespero dela. - Miara falou, suspirando.

- Demorou, filha. Chama aí que a gente capota ele. - a Lady acaricou a cabeça do Peco Peco, enquanto o marido tentava ver se ela estava bem.

- Sandy, você sabe qual é o maior Desespero da Bonnie?

- Não.

Bonnie olhou para o lado, segurando as lágrimas. Voltou a olhar então para Sandy, emocionada.

- Há alguns meses, uma amiga minha foi morta. Ela fez muitas coisas erradas, mas se arrependeu no último momento. E quando ia nos ajudar, ela foi morta.

- Que amiga?

- Jô Mungandr, a Paladina. - Miara falou, firme.

- Só... e quem matou ela, que nós vamos ter que enfrentar?

- O Jestr, o Desordeiro lendário, da Ruína de Rune Midgard.

- Bonnie - Luthien segurou a mão dela - você não pode deixar o sentimento ruim te dominar. Se você for tomada pelo desespero, talvez nós é que tenhamos que te matar. Não vai bastar, como você viu, nós derrotarmos a personificação do sentimento; é você quem tem que vencê-lo, para que nossa vitória seja completa.

- Eu vencerei. Confie em mim.

A Suma Sacerdotisa pegou o amuleto e acionou a outra plataforma. Assim como Janus, encaixou-o e viu o mecanismo engolir o artefato. O ar começou a mudar. Como magia, de repente o enorme grupo se viu no que parecia ser o Deserto de Morroc. James olhou para Castor.

- Roedor - disse ele - se não me falha minha memória de contador de histórias, a Paladina morreu no Labirinto da Floresta, não foi?

- Foi.

- Quem morreu no deserto foi... ... ... !!

Um trovão explodiu com muita, muita força. Tudo ficou claro. Uma risada poderosa, insana, ecoou no ar, nas sombras de um martelo Mjolnir.

***

Cidade de Rachel
Mansão Belmont

Os primeiros raios de sol começavam a tocar Rachel. Na porta da Mansão Belmont, Zhed segurava a adormecida Ruby em seus braços.

- Realmente foi uma noite agradável, Leafar. Nunca tinha ouvido histórias tão interessantes. Suas aventuras realmente deixam uma vontade latente de sair de Rachel!

- Ah, eu não trocaria a paz daqui por nada, Zhed. Acredite.

- Não vai mais voltar para Rune Midgard, então?

- Vou sim. Mas não hoje... nem agora!

- Entendo. Bem, bom dia, meu amigo!

- Bom dia, Zhed!

O homem mais rico da cidade foi então, a pé, com a menina nos braços, para sua mansão, na outra ponta da cidade. Leafar virou-se desesperado para Albert, que já trazia novamente a bandeja de prata com o brasão e o bracelete.

- Nossa, eles não iam embora nunca!

- São seus convidados e gostam do senhor, patrão.

- Sim, Albert. Mas eu quero saber se está tudo bem com a Mi...

Uma luz azul explodiu no meio da sala da mansão. O mordomo, inabalado, se limitou a olhar para o lado, na direção dela, enquanto Leafar já estava em pose de ataque com a tampa da bandeja. Largou-a, porém, quando reconheceu Luthien. A Guardiã estava ferida. Seu corpo estava marcado por vários hematomas. A roupa de Suma Sacerdotisa tinha vários cortes e rasgados.

- Lea... f...

Ela tombou para a frente. O louro correu e segurou-a nos braços.

- Luthien! O que aconteceu?

- S-socorr...

O rosto de Leafar foi ficando distante para a GM. Tudo que ela se lembrava era de estar tombando a cabeça para o lado, antes do mundo ficar totalmente escuro.

***

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MensagemAssunto: Re: [RagnaTales] Morroc Saga   Dom Maio 18, 2008 2:19 pm

Rox a lot....

Mas como o Rafa é lerdo (acredite, eu conheci a figura ¬¬) vai demorar pacas pra ele postar o próximo cap
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