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 Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA

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Yokan
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Ter Jul 01, 2008 12:26 pm

Num é castidade o nome não? o.o Vixe malz, é que foi o primeiro nome que me veio a cabeça >_<

É, depois de ver um Paladino ficar tão 'du mau' a ponto de virar um MvP não duvido de mais nada Very Happy

Agora para de conversar e posta a fic manu Ò_ó
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qua Jul 02, 2008 10:01 am

EPISÓDIO 05 - UMA GRANDE ENRASCADA: O TIGRE-DEMÔNIO EDDGA

Os corredores das alas mais internas da Catedral de Prontera fervilhavam como um formigueiro. Serviçais corriam para todos os lados, carregando potes, alimentos, garrafas de bebida. Outros limpavam cadeiras, arrumavam quadros, batiam tapetes para retirar o pó. Carpinteiros davam retoques em bancos de madeira destinados ao povo em geral, e pintores davam novas mãos de tinta branca nas paredes do lado de fora da Catedral, fazendo o interior em um tom levemente azulado. Poucas ocasiões como a que estava por vir mereciam tamanho cuidado.

No Grande Salão Principal, onde eram realizadas missas, casamentos e quaisquer celebrações especiais, um homem alto supervisionava o trabalho dos serviçais. Suas longas vestes escuras, de mangas compridas e detalhes em um belo tom de vinho, o denunciavam como sendo um sacerdote. Apesar de se manter calado todo o tempo, o sacerdote olhava para os preparativos com a atenção de quem espera muito que algo termine e seja um sucesso.

Sem que o sacerdote percebesse, um outro homem, tão alto quanto ele, adentrou no Salão. As vestes deste, porém, eram brancas, com caprichosos detalhes bordados em vermelho. Era um sumo sacerdote, o segundo grau mais elevado na hierarquia da Igreja de Prontera. Se quisesse seguir a carreira eclesiástica, inicialmente a pessoa deveria passar por treinamentos básicos que o consagrariam um Noviço. Alguns anos de estudo e dedicação plenos em serviço da Igreja levariam aqueles mais aptos ao posto de Sacerdote. Somente décadas de total integração com os ensinamentos, de trabalho incessante, de devoção e entrega absolutos, poderiam levar um sacerdote ao posto máximo de Sumo Sacerdote. Existia uma certa quantidade destes na Igreja, mas apenas alguns selecionados - cinco no total - faziam parte do Conselho Eclesiástico, o grupo que ajudava o Pontífice Máximo a tomar todas as decisões pertinentes. Este Pontífice Máximo, por sua vez, apesar de ser também um Sumo Sacerdote, era o líder máximo da Igreja, apontado em votação pelo Conselho, aprovado pelo regente da época e respondendo somente a ele.

O Sumo Sacerdote parou do lado de seu subordinado. Sendo membro do Conselho, ele possuía vasta experiência em conhecer as pessoas, o que se passava em suas mentes e afligia seus corações. Notando certa inquietação no Sacerdote, resolveu perguntar em tom calmo e agradável:

- Algo nos trabalhos dos serviçais o incomoda, Sacerdote Álgifer?
- Não, não é isso, Lorde Mazir. Nossos serviçais trabalham bem. Eu apenas estou ansioso com as festividades da semana que vem.
- Ah, sim, claro. - o Sumo Sacerdote Mazir assentia com a cabeça. - Faz tempo que Lorde Holfer partiu... Soube que sua missão, levar os ensinamentos da Igreja para os distantes povos das ilhas orientais, foi um sucesso.
- Não poderíamos esperar menos de nosso Pontífice Máximo.
- Claro que não. E agora, preparamos esta grande festa para saudar seu retorno. Você tem feito um excelente trabalho, Sacerdote Álgifer, e sei que também está ansioso com sua graduação durante a cerimônia.
- Sim, Lorde Mazir. Sei que não cai bem a um Sacerdote da Igreja possuir ansiedades e desejos mundanos, por menores que sejam, mas não consigo evitar de estar feliz em ter sido apontado como Sumo Sacerdote.
- Alegria é um sentimento muito bom, e deve ser compartilhado por todos, sejam ou não membros da igreja. Além disso, seu trabalho dedicado faz de você uma excelente indicação. Sei que como Sumo Sacerdote se dedicará ainda mais à Igreja. - Lorde Mazir já se dirigia a uma porta lateral, que levava aos aposentos internos da catedral.
- Obrigado, Sumo Sacerdote Mazir.

Assim que Lorde Mazir chegou à porta, o Sacerdote Álgifer voltou novamente sua atenção para os serviçais, que continuavam sua atarefada corrida para terminar os gigantescos preparativos. O Sumo Sacerdote, porém, não atravessou a porta. Virou-se novamente para Álgifer e perguntou:

- A propósito, Sacerdote Álgifer... por onde anda seu pupilo? Já faz algum tempo que não o vejo.
- Precisei deixá-lo em Alberta, senhor. O mandei em uma missão, mas ele não voltou a tempo, e eu precisava retornar a Prontera.
- Torço para que ele esteja bem, Álgifer. Você sabe o quão importante é para todos nós que ele se consagre Noviço.
- Sim, Lorde Mazir. Por isso mesmo, cuido para que sua educação seja a mais completa e dedicada o possível. O senhor não tem com o que se preocupar.

E, novamente voltando-se para as tarefas que eram realizadas no Salão, Álgifer completou sem olhar para Lorde Mazir:

- Tenho certeza de que meu pupilo está bem, são e salvo.

Algumas dezenas de quilômetros longe dali, Matthew estava bem, são e salvo, agarrado à orelha esquerda de uma pantera-demônio gigante, com uma flecha passando bem perto de sua cabeça.

=======================================================

Sylvia corria à toda velocidade pela floresta. Ela e os outros já haviam tomado muita distância do lugar onde estiveram com Justinian pela última vez, e quando perceberam que o aterrorizante rugido que ecoou alguns minutos antes vinha daquela direção, a distância pareceu ainda maior.

Sague não sabia se pensava mais no primo ou no dinheiro que ganharia capturando o monstro. Seu raciocínio saltava de “espero que meu primo esteja bem” para “espero que meu primo canse bastante o bicho para facilitar o serviço” com extrema facilidade. Matthew já possuía uma preocupação um pouco mais genuína com o alquimista, apesar de, no fundo, se imaginar condecorado pelo Pontífice Máximo por livrar Rune Midgard de tão terrível fera. Bris ia onde Sylvia fosse. Isso para ele já bastava. O fato de estarem correndo na direção de uma fera matadora de aventureiros não parecia fazer muita diferença para ele.

Os quatro passaram pelo local onde, algum tempo atrás, estiveram conversando sobre a missão da arqueira. Não haviam sinais de luta ou violência. Parando um instante, Sylvia observou o lugar, procurando sinais da direção que Justinian poderia ter tomado. Finalmente, percebeu um grupo de folhas amassado no chão, como se tivessem sido pisadas, e viu que as marcas seguiam para o interior da floresta, saindo da pequena clareira onde estavam.

Liderando o grupo, Sylvia estava ansiosa. Sua vingança contra a terrível fera estava cada vez mais próxima, a cada metro percorrido. Logo estaria tudo acabado, e ela poderia voltar para Payon. Um novo rugido, tão potente e terrível quanto os anteriores, deram a certeza de que a fera se aproximava.

- Só mais um pouco, - gritou Sylvia - já estamos perto!
- Finalmente, o tal Eddga vai ver o que é bom! - Sague já se decidia mais pelos pensamentos sobre zeny.
- Ali! Estou vendo, aquele gigante alaranjado! É ele! Hã... hein?

Bris foi obrigado a parar, assim como os outros. A visão era difícil de observar, mas os quatro puderam notar a mochila rasgada de Justinian largada no chão, seu conteúdo espalhado e pisoteado. Mais à frente, o gigantesco tigre Eddga. Pessoalmente, era maior do que podiam esperar. Um pêlo alaranjado se espalhava pelo corpo do monstro, garras fortes e presas à mostra não deixavam dúvidas - aquela era mesmo o monstro lendário que buscavam.

- Não vejo o senhor Justinian em lugar algum!
- JUST! - Sague gritou - Se estiver na barriga do monstro, grita pra gente! - os outros três olhavam para o gatuno, descrentes na frase que acabavam de ouvir. Entretanto, logo depois, a conhecida voz do alquimista ecoou na floresta, vinda de algum ponto desconhecido:
- Eu não vou virar comida de tigre-demônio! Não antes de você, Sague!
- Primo!!! - Sague começou a choramingar - Você virou almoço do Eddga! Não tema, vamos tirar o que sobrou de você daí!
- Sague, eu estou...

Just (ou sua voz espectral que pairava na floresta) não terminou. Sague se pôs a correr na direção do tigre, mas um novo rugido enfurecido o fez parar para reavaliar sua situação. Enquanto Eddga se ocupava com Sague, Bris parecia murmurar alguma coisa, enquanto uma aura de leve tom violeta se formava ao seu redor. Sylvia, ajeitando uma flecha no arco, virou-se para Matthew e disse:

- Se esconda em algum lugar, menino. Agora é trabalho para adulto!
- Mas... senhorita Sylvia...
- Anda logo! Já basta aquele alquimista tonto ter sido devorado...
- EU OUVI ISSO!
- ...e agora sua alma nos assombrando! Vamos, garoto, se esconda que vamos cuidar do Eddga!

Matthew então correu para trás de uma árvore. Ali mesmo, onde estava, Sylvia começou a atirar flechas. Estava a uma distância segura, e Sague, fugindo como podia das investidas do monstro, ocupava Eddga o suficiente para dar tempo ao mago. Bris, cuja aura violeta estava mais intensa, apontou seu cajado na direção do monstro,e evocou uma de suas magias; um ar frio se acumulou na frente do cajado, a ponto de congelar sua ponta, e foi arremessado em direção à pantera. A rajada atravessou o ar, tentando acertar as patas do monstro, mas atingiu um arbusto próximo, que congelou completamente.

Enquanto isso, Sylvia acertava flechadas, ora nas árvores, ora nas pedras, e algumas vezes em um inimigo imaginário que estava em um ponto distante no céu. Estava nervosa, ansiosa demais, e não conseguia se concentrar no alvo, por maior, mais terrível e alaranjado que fosse. Eddga, alheio aos dois amigos, se concentrava em acertar Sague, que fugia entre as árvores, evitando - sempre por muito pouco - as investidas do monstro. Um dos ataques, entretanto, não pôde ser evitado, e Sague após ser acertado por Eddga, foi arremessado de encontro a um grupo de pequenos arbustos. A pantera se aproximava do gatuno.

- Ei, garoto! Vai ficar aí parado com cara de bobo?

A voz de Justinian soou limpa e clara aos ouvidos de Matthew, como se o alquimista estivesse apenas a alguns metros dele. Imaginando que ouvir os chamados dos mortos devia contar pontos em sua escalada ao clericato, Matthew tomou coragem para entrar na desigual luta - que não ficou mais justa com sua participação. Pegou uma pedra, a maior que pôde agüentar, e arremessou em Eddga.

- Aqui, tigre feioso! Deixe o Senhor Sague em paz!

A pedra acertou com força uma das patas de Eddga, que sentiu a dor e voltou sua atenção para o aprendiz de Noviço. O monstro então resolveu que deveria devorar o jovem primeiro, e avançou em Matthew. Este, notando a enrascada - e torcendo para que não tivesse cometido um erro - correu até subir em uma árvore que julgou alta e forte o suficiente para que o monstro não pudesse alcançá-lo.

Enquanto isso, Sylvia ajudava Sague a se levantar. O gatuno se arranhara nos arbustos, mas fora isso estava bem. Bris permanecia além da batalha, cogitando qual feitiço seria melhor usar e qual momento mais apropriado, e não ajudava muito na luta fazendo isso.

- Temos que dar um jeito de vencer esse monstro. Se continuarmos assim, não vai demorar para que Eddga acabe conosco!
- Eu sei, Sylvia... mas para enfrentar esse bichão, a gente precisava de um plano, e dos BONS!

Matthew, já devidamente posicionado em cima de uma árvore, arremessava frutas e pequenas nozes na cabeça de Eddga. Não que fizessem alguma diferença ou efeito além de irritar cada vez mais o monstro, mas a sensação de estar sendo útil - mesmo que da maneira mais ínfima - faia o jovem se sentir melhor. O tigre gigante, entretanto, não gostou quando uma das nozes lhe acertou o olho. Rugindo, Eddga acertou uma feroz patada, tentando atingir o rapaz. Incapaz de alcançá-lo, o golpe acertou o tronco da árvore, arrancando-lhe um bom pedaço, fazendo a planta balançar para os lados como um broto numa tempestade. Isso desequilibrou Matthew, que rolou pelo galho até cair.

- Matthew!!
- Garoto! Você está bem!!
- Uhn.. sim... estou sim! Dei sorte de cair neste chão macio e...

Com um rugido, o chão macio sacudiu com violência. Tarde demais, Matthew percebeu que o chão era alaranjado, cheio de pêlos e cheirava desagradavelmente mal. Tinha aterrissado em cima da cabeça de Eddga, e agora se agarrava às orelhas do tigre gigante, lutando para não cair.

- Calma, fique aí parado, vamos tirá-lo daí!
- Ficar.. whoa.. parado.. ahhhh... COMO......senhor Sague......!!!!!!!
- Vou tentar novamente congelar esse monstro! – Bris não possuía coragem real na voz, apenas tinha esgotado todas as possibilidades de ação que lhe chegaram à mente e que pareciam muito perigosas – e com isso devidamente desnecessárias. Mas sua rajada novamente errou o alvo. Eddga se mexia muito com o aprendiz preso em suas orelhas. O sopro congelante atingiu outra planta perto de Eddga, a qual quebrou com um golpe da cauda do monstro. Ao ver a planta se despedaçar, e sua parte superior tombar ruidosamente, Sague enfim teve um plano.

>>>continua no próximo post
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qua Jul 02, 2008 10:03 am

- Já sei! Já sei o que podemos fazer!
- Fugir pra longe?
- Não, mago... Já sei como podemos sair dessa... e preciso da sua ajuda!
- Eu? Porque?
- Você vai ver. Procure a árvore mais alta e com tronco mais grosso que você achar!

Sague então puxou Bris para mais fundo na floresta. Logo encontraram uma árvore satisfatoriamente alta e grossa. Sague deu umas batidinhas no tronco, confirmando sua espessura – e eventual peso.

- Use sua rajada congelante nela, o mais que puder! Transforme esse tronco em sorvete!
- Tudo bem, mas...
- Você vai entender! – dizendo isso, o gatuno voltou para Sylvia. Esta havia acertado algumas flechadas em Eddga, e o monstro estava, a cada pêlo arrancado por Matthew, mais furioso.

- Sylvia! Use suas flechas! Trás o Eddga pra cá!
- Porque?
- Só faça! Matthew! Continue se segurando!
- T-t-t-tá booomm.... ahhhhhh...

Sylvia então recomeçou a disparar suas flechas. A confiança de Sague parecia tê-la contagiado. Agora, ela acertava com mais freqüência. Algumas flechas ainda erravam – inclusive uma passou bem perto de Matthew.

O tigre seguia a arqueira, tentando acabar com a desagradável atacante. Finalmente, chegaram à árvore que Sague escolhera. Bris, exausto, congelara boa parte do tronco, perto do chão, e a área trincava devido ao peso da árvore.

- Agora, Sylvia, atira nele! – Bris estava atrás da árvore, e chamava a arqueira. Mais duas flechadas, Sylvia se posicionou no mesmo lugar que o mago. Sague, por sua vez, permaneceu em frente à árvore congelada.

- Aqui, pantera feiosa! Me acerta aqui!!!
- Sague, vem pra cá! Ele vai acertar você!
- Mas é isso que eu quero, Sylvia! Atira nele de novo!

Eram as últimas flechas de Sylvia. A primeira acertou outra árvore, perto de Eddga, ao alcance de Matthew. A outra acertou em cheio o ombro esquerdo do monstro. Com a dor, Eddga levantou a outra pata, e a desceu com violência e ferocidade, na direção de Sague. Por muito pouco o gatuno escapou por baixo da enorme garra, correndo para trás da árvore onde estavam os outros. Eddga, com o golpe, acertou com força a parte congelada da árvore, que se desfez em brilhantes pedaços de gelo. Fragilizada pela pancada, a árvore balançou para frente.

- AGORA! EMPURREM!

Os três então fizeram força como nunca antes, empurrando a árvore, em seu ponto frágil, na direção do tigre. O pesado tronco enfim cedeu, e começou a tombar. Neste momento, novamente, a voz de Justinian veio, de algum ponto mais alto que Sague acreditou ser o céu:

- Não, não! Essa árvore não, Sague, seeeeeeeeeuuuu...

Matthew não esperou para ver de perto o resultado. Pegando todo o impulso que pôde, saltou na direção da flecha que, segundos antes, acertara o tronco perto dele. Antes, porém, notou uma coisa, um objeto preso no pêlo de Eddga. Deixando para ver melhor o que era depois, Matthew puxou o objeto e pulou, agarrando a flecha, que quebrou com o peso do rapaz, mas foi suficiente para amortecer sua queda.

Gritando “AAAHHHhhhhhh”, a árvore congelada desceu com violência, atingindo Eddga em cheio na cabeça, e caindo por cima do tigre, que gemeu alto, mas nada pôde fazer, a não ser receber o impacto e cair por terra. Justinian, por sua vez, acabou arremessado para fora da copa da árvore, caindo sentado atrás do braço esticado e imóvel do monstro. Saindo de detrás do que restou da árvore, Bris parecia não acreditar no que via.

- Nós. Nós... derrotamos MESMO esse bicho?
- O Eddga... ele.... Sague, essa foi incrível! Quem diria que... hã? Sague?

Quando Sylvia percebeu, Sague já estava agarrado ao primo, em um abraço tão apertado e entusiasmado que sufocaria qualquer pessoa.

- JUSTINIAN!!! VOCÊ RESSUSCITOU!!!!! Os deuses lhe deram outra chance, como estou feliz!
- Eu vou lhe dar a chance de ver os deuses de perto se você não me largar! Você quase me matou! DE NOVO!
- Pensamos que o Eddga já tivesse feito isso, senhor Justinian!
- E você acha mesmo que eu seria idiota a ponto de ficar para comprovar o quanto aquelas unhas estavam afiadas? Joguei minha mochila nele e corri até essa árvore. Fiquei aqui e vi vocês enfrentarem o Eddga.
- E o que achou de nossa batalha épica, primo?
- Depois de eu ter fugido desse monstro você tenta me arremessar direto de volta pra ele, e ainda me pergunta o que eu achei? Eu achei PÉSSIMO!
- Bom, - Sylvia e aproximou, guardando o arco. – acho que acabou... finalmente me vinguei, Eddga está derrotado! Pena que não tive sinais de Suzette...
- Senhorita Sylvia, acho que isso era dela... Estava preso nas costas do Eddga.

Matthew mostrava uma pequena boneca de pano, meio rasgada. Tinha um pequeno colar de contas de vidro, e era por ele que a boneca estava presa quando Matthew a viu. Bris ensaiava um discurso do tipo “Não se preocupe, tudo está bem pois estou ao seu lado”, mas não foi necessário. Sylvia não parecia triste. Pelo contrário. Ao ver a boneca, o rosto da arqueira se encheu com um enorme sorriso, que ia quase de uma orelha à outra. Pegando a boneca nas mãos, Sylvia começou a balbuciar:

- Tanto tempo eu procurei... quis vingar você... mas agora.. agora... Suzette...
- Pelos Deuses, a garota enlouqueceu de vez, primo.
- Percebe-se, Sague. E então, Bris, ainda vai investir nela, agora que o único presente que você pode dar a ela é uma camisa de força?
- Bem... coitada.. ela vai precisar de alguém para cuidar dela, não?
- Que coração bom, senhor Bris.
- Claro, Matthew. Eu não a colocaria em um sanatório qualquer... Schwartzwalt deve ter casas de recuperação de qualidade... – a conversa parou quando Sylvia, no auge de seu delírio, com os olhos cheios de lágrimas agarrando com força a boneca, gritou:

- SUZZETTE, QUE BOM QUE VOCÊ VOLTOU!

Jamais as florestas de Payon seriam testemunhas de um silêncio tão absoluto quanto o que se seguiu após isso.

- Nós...nós.... NÓS QUASE MORREMOS POR CAUSA DE UMA... UMA... BONECA??? – Justinian foi o primeiro a sair do transe.
- Não é uma boneca qualquer. É a MINHA Suzette! Somos amigas desde pequenas, eu não podia deixar que aquele monstro...
- EU VOU MOSTRAR QUEM É MONSTRO QUANDO EU ACABAR COM VOCÊ!
- Senhor Justinian, por favor, se aclame! No final, derrotamos o Eddga, ajudamos os dois... os deuses devem estar felizes conosco...
- Nós quase vimos os deuses PESSOALMENTE e você diz para me acalmar?
- Ah, primo – Sague pegava uma presa de Eddga, que caíra do bicho com o impacto da árvore – pense no lado positivo... podemos vender a pele do bicho em Prontera, ganhamos uma boa experiência de luta... er.. o que mais, Bris?
- Hm.. estarmos vivos?
- É, tem isso também.
- Ah, chega! Vamos embora daqui. E mantenham essa... essa... essa MALUCA longe de mim, antes que EU devore essa boneca idiota!
- Ouse fazer isso e eu caço você como fiz com Eddga!
- Com suas flechadas nas árvores?
- Ah, cale a boca. Não fui eu que fiquei em cima de uma árvore fugindo como gatinho medroso.
- Eu não sou medroso. Sou prudente!
- Ah sim, claro. Prudência agora é sinônimo de covardia.

Sague, que via seu primo e a arqueira se distanciando enquanto discutiam, perguntou a Bris:

- Falta muito daqui até Payon?
- Um dia de viagem, mais ou menos.
- Vinte e quatro horas ouvindo os dois brigando?
- É o que parece...

Sague olhou para o tigre caído, lembrando do zeny que poderia cobrar pelas presas que recolhera de Eddga. Depois, olhou para os dois que discutiam mais à frente. Pensou um pouco e, começando a caminhar na direção do primo e da arqueira, decidiu:

- É, acho que vale à pena. Vamos!

A Bris, restou apenas perguntar a Matthew:

- Ele sempre pensa com os bolsos antes de usar a cabeça?
- Não... só quando estão vazios... eu acho...

E os quatro retomaram seu caminho em direção à Payon.

Citação :
NOTAS DO AUTOR #5: Falem a verdade, alguém pensou que o Justinian tinha virado aperitivo de MVP? [/heh] Fico imaginando é a XP que o Matthew ganhou oO.
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qui Jul 03, 2008 12:33 am

Nossa, depois de tanta coisa é capaz dele virar Noviço e perceber que pegou 99 lol

Putz, na hora da Rajada eu pude imaginar perfeitamente a cena... Tu descreve bem pra caramba as cenas cara, coisa de prufissonaul
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qui Jul 03, 2008 10:10 pm

concordo com o Yokan, descrição perfeita... E ao contrario do tabu que diz que descrição deve ser grande, pesada e dificil... vc quebrou totalmente fazendo uma descrição bem reforçada com poucas palavras...
ri bastante
Spoiler:
 
parabéns ^ ^
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Sex Jul 04, 2008 10:40 pm

Gente, devo admitir, meu ego foi fazer um curso na NASA, pois ele já já atinge a estratosfera /heh Muito obrigado pelos elogios, e podem apostar: DESTA VEZ A FIC VAI ATÉ O FIM.

Digo isso pois é a QUARTA vez que posto essa fic... e sempre parei por algum motivo ou outro, nos fóruns onde postei. Mas eu terminei de escrever o Livro 1, e já estou escrevendo - e adiantado - o Livro 02.

Aguardem, pois a Família Von Shumer tem MUITA loucura pra espalhar por aí.


Última edição por Arkano em Sex Jul 04, 2008 10:48 pm, editado 1 vez(es) (Razão : Corrigir erros de digitação)
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qua Jul 09, 2008 9:37 am

EPISÓDIO 6 – A BARGANHA DE SAGUE

- Umha... nahm.... tchempuláriah?

O restaurante exalava aromas deliciosos que se espalhavam por toda a casa. Carnes assadas, peixes grelhados, temperos... a comida de Payon era apreciada em todo o continente pelo seu tom altamente exótico – que era acentuado pelo segredo absoluto que os cozinheiros da cidade faziam a respeito de seus pratos. Payon era visitada freqüentemente por cozinheiros do Castelo Real de Prontera, que buscavam aprender mesmo que apenas detalhes da culinária atípica.

Payon, entretanto, era exótica não apenas na culinária, mas como um todo. Diferente das outras cidades de Rune Midgard, que abriram espaço nos campos para crescer, Payon fora criada dentro da floresta, em comunhão com a natureza. Muitas das casas foram construídas à volta das árvores, usando-as como colunas, e quase nada fora derrubado para dar lugar a prédios. Nem mesmo o Palácio Imperial agredia a floresta, mas quase se fundia em seus tons de marrom e verde. Essa conjunção com a natureza dava à cidade um tom pacífico que nenhuma outra possuía. Era um lugar procurado pelos mais variados tipos de pessoas, não apenas os interessados em gastronomia. Algumas buscavam aprender os truques da Guilda de Arqueiros – os mais famosos Arqueiros e Caçadores do mundo vinham de Payon. Outras tentavam assimilar uma forma de luta única em toda Rune Midgard, conhecida como “taekwondo”, que significava “caminho da luta com chutes” no antigo dialeto da região; uma arte que usava chutes e a força das pernas como arma, e que só podia ser aprendida com mestres da cidade na floresta. Muitas pessoas apenas procuravam um local pacífico, longe da agitação das cidades grandes, para descansar, meditar e tirar férias.

E haviam pessoas que tentavam esquecer que, no dia anterior, escaparam da morte certa nas garras de panteras-demônio.

- Exatamente, Bris. Uma templária.
- Tem certeza?
- Claro que tenho, Sylvia. A armadura prateada típica, o emblema da cruz vermelha típico... uma típica espada longa que quase me cortou a cabeça....
- Mas nhós... nham... nhão vihmos nadja... nhac.. quando chegamos lá, nhac, tinha só o Eddga urrando... nham.. e chuas coichas eshpalhadas pelo chão... nenhuma nham templária. – Bris devorava uma coxa de galinha de maneira tão voraz que, se os diretores da Guilda de Magos de Geffen o vissem, incluiriam uma nova cláusula no regulamento da ordem: expulsão por maus modos à mesa.
- Não imagino o que uma Cavaleira da Ordem Templária de Prontera estaria fazendo no meio da floresta, tentando matar o senhor, senhor Justinian... – Matthew era bem mais educado enquanto se servia de um prato de sopa de tentáculos de Marina. Justinian apenas rodava o garfo, enrolando um longo fio de macarrão que parecia não ter fim.
- Eu também não, garoto, mas ela estava lá. E provavelmente vai aparecer de novo.
- Desde que não traga nenhum brinquedinho como o que você descreveu... BRIS, você já tem seu prato, não tem? Então tire as mãos do meu! – o mago, aproveitando a distração de Sylvia, esticava o braço tentando pegar uma coxa de galinha do prato da amiga.
- Você me disse que ia fazer... nhac.... rechime!
- Sim, mas você não precisa me ajudar comendo a comida por mim!
- Querem parar de falar de comida, tentaram me matar ontem! Bris, na academia de Geffen você nunca ouviu falar desse troço não?
- Nham... bem... na academia eu já li sobre o Galho Seco... – e, terminando de engolir, Bris continuou – Quando qualquer ser vivo morre, ele tem dois caminhos: ou vai para Asgard viver com os Deuses e as Valquírias, ou cai em Niffleheim, o reino dos mortos que não foram escolhidos para o Valhalla. Às vezes, quando um monstro morre, sua alma se angustia, e se perde em Niffleheim... se transformando em novos monstros e impregnando até objetos e outros seres. Existe um monstro em Niffleheim repleto dessa angústia: a Árvore Maldita. Dizem que seus galhos podem trazer de volta os monstros que morreram... estes seriam os Galhos Secos. Raramente os Salgueiros de nossa Midgard produzem ramos com as propriedades dos Galhos Secos, já que também são árvores animadas por almas de monstros.

Justinian naquele momento se lembrava do ramo ressecado que Sague, sabe-se lá porque, comprou em Alberta de um mercador que pareceria obviamente suspeito para qualquer um – qualquer um que não fosse Sague, claro. O gatuno deixou o ramo cair assim que entrou em casa pelos fundos, pisando nele e quebrando-o. Por sorte, nenhum monstro perigoso, como uma Múmia ou um Gárgula, foi evocado... mas a cozinha de Justinian jamais foi a mesma depois que aquele pobre e assustado Peco Peco acabou com quase toda a louça e metade da comida, antes de entalar na janela do aposento quando tentou fugir.

- Sobre os Galhos Secos eu sei. Já tive uma.... experiência com um deles. Mas o galho que aquela templária usou não era um Galho Seco normal.... er... e por falar em coisas anormais.. onde está meu primo?
- O senhor Sague disse que iria tentar vender aquela presa que caiu do Eddga... deve estar na cidade procurando algum comprador.
- Ai ai... é mais provável que o Sague DÊ dinheiro para que levem aquela porcaria. Só espero que ele não faça besteira nem se perca de nós. Ou que, pelo menos, não faça besteira.

===========================================================================

Sague observava um belo vaso branco, adornado com o desenho de flores com finas pétalas azuis. Junto daquele vaso haviam dezenas de outros, tão bonitos quanto aquele, e Sague já passara quase meia hora olhando os vasos, o que irritava notavelmente o dono da barraca.

- Meu filho, você poderia se decidir logo?
- Hã?
- Vai ou não comprar algum vaso?
- Ah sim.. quer dizer, não, não vou não.
- E porque está esse tempo todo vendo os vasos?
- Só passando o tempo.
- Hmmm.. se importaria então de... “passar o tempo” em OUTRO lugar? Está atrapalhando outras pessoas que, talvez, queiram COMPRAR algum vaso.
- Ora meu senhor, se eu quiser, compro toda a sua barraca de uma só vez! Veja, eu tenho ISTO! – e o gatuno mostrou um objeto curvo, branco, que parecia uma grande e afiada unha de alguma fera. O vendedor olhou com absoluto desdém para o tal objeto.
- Hm... e o que seria isso, meu jovem?
- Não reconhece? É a presa de EDDGA, a poderosa pantera demônio. EU a enfrentei, derrotei e trouxe esta prova de minha façanha, uma das presas da besta-fera, que deve valer MILHÕES!
- Ora, garoto... se espera comprar meus vasos com essa porcaria...
- PORCARIA? É uma das presas de uma das mais terríveis abominações da floresta, meu senhor! Observe bem e diga! Quanto o senhor pagaria por ela?
- Cinco zeny, por um peso de papel está ótimo. E saia daqui, garoto, já disse, está atrapalhando meus clientes de verdade.
- Ora... passar bem, meu senhor, não sabe a oportunidade que perdeu!
- Sei bem, por isso mesmo que recusei. Agora vai, vai, vai...

Enquanto Sague ainda argumentava com o vendedor de vasos, usando de toda sua excepcional lábia e persuasão para convencê-lo de que comprar a presa era um bom negócio, dois homens observavam o gatuno.

- É ele? – o que perguntou era baixo, e usava um capacete que parecia grande demais para sua cabeça.
- Sim.. eu o vi junto do garoto... se o seguirmos, poderemos saber onde está aquele broche....
- Você tem mesmo olhos de águia, hein, Taruk? Ver aquele broche na mão do garoto....
- Claro, Werg. Um broche daquele tamanho, com certeza vale um bom dinheiro... E já sei como vamos conseguir pôr as mãos nele....
- Como?
- Deixe comigo.. e aquele gatuno ali vai nos ajudar, hehehe...

===========================================================================

- Bom dia, jovem amigo! Gostaria de falar com você um instante, se fosse possível...
- Agora não posso, estou ocupado.
- Tentando vender a alguém esta presa gigante?
- Sim, isso mesmo.
- Vejo que é uma presa muito bem afiada, de cor limpa... deve valer um bom dinheiro....
- Sim, com certeza vale. EU mesmo matei a fera abominável que era dona dela antes.
- Que incrível! – o tom de voz no qual o homem falava não era suficiente pra enganar alguém, mas seu ouvinte não era qualquer um, era Sague Von Shumer, o que fazia o tom de voz se tornar algo verdadeiramente crível e totalmente desprovido de malicia e más intenções. – Isso deixa este objeto ainda mais caro!
- Sim, com certeza! Quanto pagaria por ela?
- Hmmm... – o homem coçou a barba de leve. Era magro, rosto fino, que parecia estar olhando o tempo todo para os lados procurando novos alvos. – Eu daria mais ou menos dois milhões de zeny...

O transe atingiu Sague de imediato. Em fração de segundos, o gatuno ora viu-se nadando em uma piscina de fulgurantes moedas prateadas, ora cercado das mais belas odaliscas de Comodo, e logo depois comendo em uma enorme mesa repleta das mais finas iguarias, enquanto assinava um contrato onde se tornava sócio majoritário da Corporação Kafra. Claro que dois milhões de zeny, apesar de formarem um valor considerável, não conseguiriam comprar tanta coisa, mas se avaliarmos que a maior quantia de zeny que Sague vira em sua vida não chegava a uma fração disso, e ainda mais com o agravante de a quantia estar saindo de seu bolso – na verdade do bolso de seu primo, mas isso não era relevante - ao invés de entrar nele, podemos compreender o fascínio momentâneo do rapaz.

- Err.. dois milhões?
- Sim, sim. Percebe-se que se trata de um item raro, que deve ser apreciado da forma correta. Eu mesmo estaria disposto a comprá-lo...
- Verdade? – os cifrões dançavam à frente de Sague.
- Sim. Mas entenda, uma compra como essa é muito arriscada, você sabe, são dois milhões. Eu precisaria de uma... garantia de que este artefato é real e que vale o dinheiro.
- Garantia? Mas que tipo de...
- Não se preocupe, amigo. Nada fora de seu alcance. Apenas.. um certo broche.
- Broche? Mas eu não tenho...
- Aquele seu pequeno amigo, que entrou com você no restaurante... ele não estaria interessado em vender o broche que estava com ele, aquele da camisa dele, estaria?
- Er, bem... eu até posso falar com ele, mas...
- Perfeito, combinado, fale com ele e me encontre perto da caverna ao norte da cidade. E não aceito não como resposta! Adeus! – dizendo isso, o homem saiu por entre as pessoas, sumindo na multidão. Sague ficou ali, estático, com a presa de Eddga na mão, por alguns segundos, avaliando em silêncio a situação que lhe fora proposta (ou imposta, o que era mais verdadeiro, mas Sague não veria mesmo a diferença). Assim que as imagens da mesa farta e das odaliscas de Comodo voltaram à sua mente, porém, o gatuno seguiu em disparada para o hotel onde o resto do grupo se encontrava.

Alguns minutos depois, Taruk estava próximo da caverna que ficava nos arredores ao norte da cidade. Dirigindo-se a Werg, comentou com o típico orgulho de quem está realizado um plano sórdido, e tem certeza de que ele vai dar certo.

- Hoje à noite, teremos zeny suficiente para sair daqui, rapaz. Vamos para as cidades da República do norte e deixar as autoridades daqui pra trás, hehehe.
- Ouvi dizer que Lighthousen tem uma polícia muito forte, Taruk. Será que vale à pena?
- Qualquer problema, viramos gângsteres na favela que tem ao lado da cidade. Agora vamos, temos que nos preparar para receber um broche bem caro mais tarde...

(continua no próximo post)
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qua Jul 09, 2008 9:38 am

Depois que saíram do restaurante, os quatro aventureiros se separaram. Syvia e Bris voltaram para a casa da arqueira, nos arredores do Bosque Celestial. Segundo a garota, agora que sua missão de vingança estava concluída, ela poderia fazer parte de um dos clãs que disputavam a posso dos castelos que ficavam no Feudo. Essas disputas eram chamadas de Guerras do Emperium, pois os clãs precisavam alcançar uma sala no castelo onde era guardada uma grande pedra de Emperium – um cristal raro que era símbolo de poder e força. Justinian imaginou Sylvia agitando a boneca no ar e gritando “Vamos Suzette!!”, o que o obrigou a segurar as risadas que dava em sua mente. Bris, obviamente, iria onde Sylvia fosse, então não foi necessário perguntar nada a ele.

Justinian e Matthew estavam hospedados em um pequeno hotel, próximo ao Palácio Imperial. A visão do quarto era no mínimo inusitada: a gigantesca copa de uma árvore invadia a janela do quarto do alquimista, e Justinian já havia se acostumado com os dois pequenos esquilos que ocasionalmente tentavam roubar algum dos tubos de ensaio sobre a mesa. De vez em quando, Matthew os saudava com um “olá, pequeninos esquilos!” que fazia Justinian sentir um calafrio na espinha.

- Há quanto tempo o senhor Sague mora com o senhor, senhor Justinian?
- Mais do que o que eu gostaria.
- Vocês dois parecem se importar muito um com o outro.
- O que colocaram no seu café, garoto? Sague tem sido um problema desde que entrou na minha vida. Já perdi a conta de quantos experimentos perdi, quantas pessoas tive que ressarcir e quanto zeny já gastei reconstruindo minha casa, e a dos outros, por causa do desleixo, da impulsividade e da total falta de noção do que é seguro ou não que o Sague tem.
- E o senhor já deixou isso claro para ele alguma vez?
- Também já perdi a conta disso.
- E mesmo assim, ele ficou frente a frente com o Eddga para salvar o senhor?
- Ah, isso foi...

Mas Justinian não terminou o raciocínio. Pela primeira vez, o alquimista notava que o primo havia posto a própria vida em risco por ele. A sensação era assustadora. Agradecer a Sague por algo era uma coisa que Justinian jamais pensou em fazer, mas a obrigação gritava em seus ouvidos, como se soubesse que aquele ato seria algo único na história da humanidade.

Algumas batidas na porta tiraram Justinian daqueles terríveis pensamentos. Era Sague que chegava ofegante, como se sua vida dependesse de entrar no quarto – a vida ou a condição financeira, o que às vezes para Sague era a mesma coisa. Justinian teria aproveitado aquele momento para falar sobre a luta com Eddga, e para (“Pelos antigos deuses, eu vou MESMO fazer isso?”) agradecer ao gatuno, mas não foi rápido o suficiente.

- Matthew, meu querido amigo! Sabe o quanto eu o estimo e admiro, não? Sua busca em se tornar noviço, sua determinação em alcançar um objetivo, e também “oi primo, você está aí?” tanta força! Quando foi a última vez que passeamos pela cidade?
- Mas nós nunca....
- Já está na hora então, vamos, eu vi uns vasos na cidade que você vai achar lindos, venha, vamos “estamos saindo, Just” anda, Matthew, pressa!

A cena durou cerca de 10 segundos, do momento em que Sague irrompeu pela porta até Matthew ser arrastado para fora do quarto. Como o gatuno conseguiu falar tanta coisa em tão pouco tempo é um detalhe que, infelizmente, ficaremos devendo. Justinian, por outro lado, apenas acompanhou o quase seqüestro do aprendiz sem falar nada, pois a velocidade na qual aquilo tudo ocorreu deixou o alquimista absolutamente sem reação. Somente após sua consciência compreender o que acontecera é que Justinian, olhando para os dois esquilos, chegou a uma conclusão.

- Acham que eu deveria ir atrás deles? – um “squiiirrrk” acanhado foi sua resposta – Puxa, agora EU estou falando com esquilos.... Além disso, porque haveria de acontecer algo errado?

E, dizendo isso, arrumou apressado suas coisas e saiu disparado atrás dos dois.

===========================================================================

A tarde inteira já havia passado, e o avermelhado sol já estava em seu trajeto em direção aos confins do horizonte. Sague e Matthew já haviam passado por barracas das mais variadas, com comidas, bebidas e souvenires de Payon. Inclusive, passaram quatro vezes pela barraca de vasos que Sague visitara de manhã – o dono só não avançou no gatuno pois derrubaria sua mercadoria, e o prejuízo material não compensava o prazer momentâneo. De tempos em tempos, Sague ensaiava um tipo de pergunta, mas parecia sempre hesitar e rapidamente mudava a frase para um comentário sobre a beleza dos arcos artesanais ou um puxão em Matthew para outra barraca. O aprendiz se preocupava cada vez mais com a hora de voltar. Conforme os comerciantes voltavam para casa, cada vez menos opções estavam disponíveis para que Sague enrolasse em seu objetivo, e quando haviam apenas duas barracas abertas, o aprendiz perguntou:

- Er.. senhor Sague, foi um passeio bem legal, quer dizer, acho que agora conheço mais detalhes de Payon do que qualquer habitante ou estudioso da história local, mas não estaria na hora de voltarmos para o hotel?
- Bem, claro que sim, quer dizer, não, é que... bom, eu queria perguntar uma coisa...
- Sim?
- É que seu broche, sabe, ele é tão bonito, tão cheio de detalhes... – era verdade. A jóia consistia de uma bela pedra vermelha, encrustada em uma armação prateada com minuciosos detalhes. Dentro da pedra, pareciam haver pequenos desenhos, como se fossem runas – Você já pensou em... vendê-lo?
- Ah, nunca, senhor Sague! Mesmo que eu quisesse, jamais poderia vender esse broche. Ele está na família a séculos! Eu nunca teria coragem de me desfazer de um objeto com tanta história e tradição na minha família, ainda mais tendo esse broche sido passado de geração em geração, e meu pai mesmo foi quem me entregou. O senhor Justinian poderia examinar melhor o broche e contar para o senhor o quanto ele é importante para minha família. – e, abrindo um inocente sorriso para o gatuno - Porque a pergunta?

E, pela primeira vez na vida, Sague ficou envergonhado por ter pensado em dinheiro.

- Não, por nada, só que a pergunta me veio à cabeça agora, he he he... Vamos para o hotel, er... já está tarde, vamos! – mas antes que pudessem dar alguns passos, Sague e Matthew foram abordados por dois homens, um mais baixo que parecia algum tipo de mercador ou comerciante, usando um aparentemente pesado capacete de segurança, e outro mais alto, que usava trajes típicos de ferreiros; este último já era conhecido por Sague – o gatuno conversara com ele pela manhã sobre a presa de Eddga.
- Hotel? Não, amigo gatuno, eu acho que não... esqueceu nossa pequena barganha?
- Er.. é que.. não é certo vender uma jóia com tradição na família, sabe? Dá azar.
- Senhor Sague... o senhor queria que eu vendesse o meu broche?
- Não! Quer dizer, bem, eu não sabia que tinha esse valor sentimental tão grande, e, bem...
- É isso mesmo, menino – o baixinho se dirigia à Matthew - E agora que estamos aqui, levamos seu broche, e de quebra, uma garra de pantera-demônio que seu amigo aí tem, hehehe...

Os dois homens se aproximavam mais e mais do gatuno e do aprendiz. Não havia tempo para planos, fugas nem pedras. Naquele exato instante, Justinian finalmente encontrou seu primo e o aprendiz, apenas para ver, de longe, Sague sendo nocauteado e caindo no chão, enquanto Matthew era agarrado com broche e tudo e levado para os arredores ao norte da cidade.

Citação :
NOTAS DO AUTOR #6: Não, eu não odeio nenhum vendedor de vasos xD Este capítulo é, até o momento, o que eu particularmente mais gostei, devido a duas situações: a falta de educação do Bris à mesa e o coitado do vendedor de vasos rsrsrss. Mas tem coisa mais engraçada preparada para Just e Sague quando eles chegarem a Prontera. SE chegarem
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qua Jul 09, 2008 1:25 pm

Porque sempre tem o Ferreiro malvado? T_T

Eu sempre quis ter um Ferreiro, mas upar Mercador sux... Enfim.

O que falar? Não sei.... Capítulos assim eu geralmente não prefiro comentar, além de que sua descrição da cena continua perfeita.... É, acho que é só >_<

Nunca comentei tanto numa fic, Gzuis to ficando louco.

Ah tem um "obs"

Obs: Ri MUITO com "Puxa, agora EU estou falando com esquilos...." xD
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qua Jul 09, 2008 1:39 pm

Yokan escreveu:
Porque sempre tem o Ferreiro malvado? T_T
LOL Na verdade, se você reparar, estes dois são uma menção ao anime "Ragnarok: The Animation", onde, no primeiro episódio, aparecia uma mini-gangue composta por um Ferreiro, um Mercador (se não me engano) e a líder Arruaceira. Very Happy

Obrigado pelos elogios!
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qui Jul 10, 2008 2:28 pm

Ah é verdade.... Mas sempre pensei que eram dois Mercadores lol

Não sou muito observador em relação as classes... No RtA eu só sabia que o Roan era um Templário pela armadura (LOL) e pela Crux Magnum Very Happy
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Seg Jul 14, 2008 2:33 pm

EPISÓDIO 07 – RESGATE EM PAYON

As odaliscas dançavam vigorosamente, ao som de uma hipnotizante música com tons tribais. A cada mexida dos quadris, véus esvoaçantes se lançavam ao ar, revelando formas atraentes que mexiam com a cabeça de um estupefato espectador. Sentado à uma mesa farta, repleta das mais finas comidas do reinado, Sague apreciava a beleza das dançarinas, enquanto abocanhava quase com violência uma gigantesca coxa assada de galinha. As odaliscas se aproximavam, rostos cobertos com véus, deixando à mostra apenas os olhos tenros e convidativos. As garotas, ao lado de Sague, lhe alisavam o corpo, deixando o gatuno extasiado. De repente, uma delas chegou bem próximo dos ouvidos de Sague e lhe perguntou em um tom que deixaria qualquer homem delirante:

- Senhor Sague, o contrato vitalício, no qual o senhor se torna sócio majoritário da Corporação Kafra, stá aqui... basta assinar.
- Sim, docinho, sim...
- A comida está de seu agrado, senhor Sague?
- Sim, sim, minha belezinha, he he, está sim.
- Se é assim, senhor, eu gostaria de lhe pedir um... favorzinho.
- Claro, meu docinho! Qualquer coisa! – A odalisca então retirou seu véu, revelando, ao invés de um angelical e adorável rostinho de boneca, o rosto enfurecido de um conhecido alquimista.
- ENTÃO ACORDA, SUA ANTA, QUE VOCÊ FEZ BESTEIRA DE NOVO!
- AHHHHHHHhhhhhhhhh......

No mundo real, Sague acordava com um sobressalto. Ao seu lado, Justinian continuava com a mesma cara de raiva que sua contraparte do sonho, o que fez seu primo se assustar ainda mais.

- Onde está? Onde está?
- Não sei, Sague, ele estava com você, ora!
- Ele? Ele quem?
- Quem mais, Sague, o Matthew!
- Mas eu estou perguntando sobre a odalisca... Ela era tão....
- SAGUE VON SHUMER! O Matthew foi seqüestrado! E, acredito cegamente, por sua culpa! Quem eram aqueles dois homens?
- Ahn... na verdade, não conheço... um deles me disse que compraria minha presa de Eddga se o Matthew... O MATTHEW! Ai, Justinian, eles levaram o Matthew!
- E só agora que você resolve se preocupar com o garoto?
- Se chegarmos ao Sacerdote Álgifer sem o Matthew, nada de pagamento dobrado!
- ... – a incredulidade se apoderou de Justinian por uns instantes, mas afinal, fora Sague que falara aquilo, então era absolutamente normal - Vamos Sague, precisamos ir atrás deles, e rápido! Eles foram para o norte da cidade.
- Ta bom, ta bom... ai, minhas odaliscas, onde quer que vocês estejam.... não tenham a cara do Just...
- Como é?
- Er.. nada, nada!

Os primos iniciaram a noite de Payon procurando sinais dos dois bandidos. Era difícil encontrar rastros ou coisa parecida, pois além de estar escuro, haviam pegadas de outras pessoas, e seguir passos ali era algo realmente impossível. Enquanto Sague fora incumbido de encontrar vestígios dos homens, Justinian ficou com a parte mais investigativa, e perguntava para as poucas pessoas nas ruas se haviam visto dois homens levando um garoto com cara de bobo. Uma destas pessoas, uma senhora que colocava para fora de casa um pequeno Lunático que parecia ser de estimação, havia visto dois homens e um menino indo na direção da área mais ao norte da cidade, onde ficava a Guilda de Arqueiros.

===========================================================================

Justinian estava diante da entrada da Guilda. Cogitava qual seria a melhor abordagem para perguntar sobre Matthew – dizia-se que os arqueiros de Payon treinavam duramente durante o dia e descansavam de forma igualmente pesada durante a noite, e que incomodá-los não era boa idéia, não importava o motivo. O alquimista cogitava planos para entrar na Guilda sem ser enxotado.

- Hm.. vou bater à porta e pedir com calma e educação... se bem que se eu abrisse a porta de repente e despejasse o problema, eles não tivessem outra reação a não ser ajudar... hmmm... o que fazer...
- Primo...
- Sague, poderia esperar um pouco, estou ponderando sobre métodos eficazes de aproximação aqui...
- Mas primo, é que eu...
- ...e NÃO gostaria de ser interrompido. Se bem que esses arqueiros e caçadores também não gostariam que eu os interrompesse enquanto dormem... Ai, ai, o que fazer...
- Just, se viesse aqui um instantinho... eu achei algo que...
- Mas Sague, será que você sempre precisa ficar me interrompendo? – e agora Justinian berrava, esquecendo completamente o local onde estava. – Mas que coisa inconveniente você falando, falando e... – o som de uma porta se abrindo pôde ser ouvido atrás de Just.
- Inconveniente é o BARULHO que você está fazendo, rapazinho!

Um homem alto, corpulento, com cara de quem foi acordado no meio do sono pelos gritos de algum alquimista sem modos, estava na porta diante de Justinian. Recompondo-se rápidamente do susto inicial, Just pigarreou e começou a contar o que houve.

- Meu bom homem, estamos com um problema... sabe, um pequeno amigo nosso foi levado por dois homens, e estamos procurando por ele... o senhor ou algum dos seus arqueiros não os teria visto pass...
- EU NÃO VI NENHUMA DUPLA PASSANDO POR AQUI, TAMPOUCO ALGUM GAROTO. Agora, se me dá licença, rapazinho, BOA NOITE! – e a porta se fechou com violência, deixando Justinian com a boca aberta, incapaz de continuar o que tentara falar.
- Ora.. ora... ORA! Jamais vi tamanha falta de educação! O Palácio Imperial vai ouvir sobre isso, ah se vai!... Mas agora, ficamos sem pistas do garoto... E você, Sague, poderia ajudar em algo, não poderia?
- Mas primo... se você tivesse me escutado quando chamei... Achei isso no chão aqui perto – e Sague mostrou ao primo uma escova de dentes que pegara há poucos instantes – É do Matthew!
- E porque não me avisou antes, Sague?
- É que você parecia ocupado levando gritos daquele caçador....
- Unh... vamos, vamos achar mais pistas, vamos. E sair da frente dessa Guilda de Mal-Educados que já me estressou o bastante!

Enquanto os dois se distanciavam, uma figura os observava de uma das janelas da Guilda de Arqueiros.

===========================================================================

Uma escova de dentes, dois rolos de papel higiênico, uma adaga curta, um sapato, um cantil com água pela metade, quatro bananas, dois blocos de anotações, três maçãs, um rosário, o outro sapato do par, um vidro de água benta, cinco potes de poções curativas, alguns punhados de ervas vermelhas, um estojo de lápis – com dois lápis ainda dentro - e exatos 37 zenys depois, Justinian e Sague encontravam-se na frente de uma tenebrosa atração turística de Payon. Uma caverna nos limites da cidade, onde, dizia-se, se escondia uma antiga Payon, devastada por uma guerra e esquecida no tempo. Lá, de acordo com as lendas, os espíritos e esqueletos dos antigos guerreiros ainda vagavam, e podiam ser ouvidos, de vez em quando, gemidos vindos do fundo da caverna. Os primos seguiram o rastro de tralhas que Matthew largara para trás até chegarem na entrada da caverna. A noite era escura e perigosa naquela região da cidade, pois não haviam guardas, nem tochas iluminando o lugar – podia-se contar apenas com a luz da lua, o que não ajudava muito quando se tratava de evitar ser assaltado, sofrer alguma violência ou ser sequestrado.

- Misericórdia, como pode ter tanta coisa dentro de uma mochila tão pequena, primo?
- Da mesma maneira que tem tão pouca coisa dentro da sua cabeça enorme, Sague. E eles tinham MESMO que vir para uma caverna? Tantos becos, vielas, casa abandonadas e eles precisavam escolher uma caverna?
- Qual o problema com a caverna?
- Simples. Eu não precisaria entrar nesta aqui se você não tivesse me levado para aquela outra.
- Mas será possível que tudo que acontece é culpa minha, Just?
- Tudo não. Só as coisas ruins. Vamos, quanto mais rápido entrarmos, mais rápido saímos.

A caverna de Payon era, assim como a caverna dos pés-grandes em Alberta, escura, úmida, e com paredes cheias de mofo. Aliás, como qualquer outra caverna em toda Rune MIdgard, mas as cavernas onde Justinian entrava pareciam particularmente piores, principalmente na opinião dele. O mundo de fora parecia cada vez mais convidativo, enquanto os primos entravam pelos corredores quase sem iluminação. Um som bem distante, de goteiras, podia ser ouvido.

- Por que não voltamos e pegamos algumas tochas, primo?
- E com isso avisamos aos bandidos que estamos aqui. Brilhante idéia.
- Mas Just, não enxergamos quase nada! Como vamos achar o caminho aqui dentro?
- Ainda conseguimos enxergar um pouco. Além disso, os bandidos devem ter iluminação lá onde estão, basta que a gente siga qualquer fonte luminosa que virmos.
- Mas podemos tropeçar, e cair, e...
- Não vamos tropeçar em nada, Sague! O que poderia ter no chão para... AHHHH - e Justinian ía de encontro ao solo
- Eu falei, primo.
- Mas que droga, isso é SEMPRE comigo! Que porcaria foi essa que... que...

Justinian perderia a fala ao notar que havia tropeçado em um crânio humano. O esqueleto no chão estava ainda bem conservado, e haviam outros pelo chão. O manto de Just ficara preso na mão ossuda do esqueleto, e o alquimista o puxava com força, mas o manto não se soltava.

- Sague, me ajude aqui! Estou preso nesse esqueleto!
- Faça força, primo! Você precisa se alimentar melhor, está muito fraquinho.
- Eu não estou "fraquinho", Sague. É essa droga de esqueleto, que não me larga! - e, dizendo isso, Justinian deu um puxão mais forte, que desprendeu a ponta do manto da mão esquelética. - Pronto. Agora podemos continuar.

Mas Justinian não continuou. Quando tentou andar, sentiu um puxão, e viu que a ponta do manto, novamente, estava presa nos dedos do cadáver.

- Ora, mas como... Sague, por favor, isso não é hora para esse tipo de brincadeira! - o alquimista soltava de novo o manto.
- Mas primo... eu estou aqui na sua frente. Como poderia mexer no seu manto?
- Bem, você... er... - e Justinian sentia seu manto mais uma vez ser puxado. Ao olhar para trás, se deparou com o esqueleto que tanto gostara de seu manto se levantando - e sendo imitado pelos vários outros do chão. Os primos descobriram naquele momento, que parte das lendas sobre a caverna de Payon era verdadeira.

A pior parte.

- Ma-ma-ma-mas o que que é isso?!?!
- P-p-primo Just, corre! Tem muitos mostos-vivos aqui!
- Eu não t-tenho boas recordações da última vez que corremos assim em uma caverna!
- Então fica aqui e divide suas lembranças com eles que eu vou ver se divido as minhas com o Matthew!

Á medida em que corriam, se aprofundando mais e mais na caverna, mais esqueletos se levantavam do chão. Justinian e Sague acabaram chegando a um beco sem saída. Amaldiçoando a parede por estar ali, Just prometia a si mesmo que aquela seria a última caverna em que entraria se conseguisse sair vivo.

- Não tem nenhuma pedra pra atirar neles dessa vez, Sague?
- Só se eu arremessasse a caverna toda, com essa quantidade de esqueletos!
- Então, acaba aqui. Depois de querer tanto uma vida tranquila e normal... Sague, não posso dizer que foi um prazer estar com você durante esses anos, mas...
- Just! OLHA!

Uma fraca luminosidade, que aos poucos foi ficando mais forte, podia ser vista no chão, entre os primos e a horda de esqueletos. De dentro dela, foi surgindo uma jovem garotinha, usando um roupão oriental rosado, e um chapéu cerimonial que seria típico em Payon - seria, não fosse o amuleto de proteção anexado è sua frente, cobrindo parte do rosto da garota. Com voz suave, ela perguntou:

- Meu diário... ele não pode ver... vocês têm o meu diário....
- Diário? N-nós não t-temos nenhum diário conosco, er... "garotinha"....
- Só uma pergunta, você veio a mando das Valquírias ou de Hel?
- Sague!
- Não custa perguntar, não é?
- Não...não sinto meu diário por perto.... vocês não estão com ele.... - a garotinha se voltou de frente para os esqueletos, e com tom de ordem, apesar da suavidade da voz. - Voltem, guerreiros, procurem meu diário... ele não pode ver.... ele não pode ver....

Com isso. os esqueletos começaram a retornar para os lugares de onde vieram. Um, inclusive, apenas caiu por terra, bem diante dos primos, que observaram a cena como se já pudessem ver os portões do Valhalla diante deles. A garotinha, por sua vez, simplesmente desapareceu, em uma pequena nuvem de poeira que se dispersou com velocidade.

- O que foi isso, primo?
- Não sei, Sague... mas não estou a fim de ficar mais tempo nessa caverna e acabar descobrindo. Vamos achar o Matthew e sair daqui o mais rápido possível.

(continua)
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Seg Jul 14, 2008 2:34 pm

- Hehehehehe! Não sei se essa garra gigante é mesmo real, Werg, mas deve dar uma boa grana!
- E se for falsa, vai dar uma boa grana do mesmo jeito, ora! Ou você acha que aquele gatuno realmente matou um monstro como esse tigre lendário?
- Com aquela cara? Com certeza não.
- E eu estou mais afim é de vender esse broche! Dá uma olhada nele de perto, Taruk. Parece que tem umas coisas dentro dele, uns desenhos, sei lá.
- Desde que eles aumentem o preço do broche, pra mim pode ter quantos desenhos quiser. Você já olhou a mochila do garoto?
- Pensei que você tivesse olhado. Vou ver o que tem nela.

A mochila estava ao lado de Matthew, mas ele não podia pegá-la. Estava encostado em uma parede, amarrado e amordaçado - mas exalava uma desconcertante tranquilidade, como se achasse que tudo aquilo era apenas mais uma provação dos antigos Deuses para que ele se provasse merecedor da consagração como Noviço. E eu não me surpreenderia se fosse exatamente isso que Matthew estivesse pensando.

- Nossa, mas como está pesada! O quem aqui, minério de ferro?
- Anda logo, tira tudo daí, vamos ver se tem algo de valor aí.

E assim os dois bandidos começavam o processo de escavação. Retiraram da mochila um copo, duas garrafas de suco de maçã, três camisas, dois pães, quatro asas mágicas de mosca, um pedaço de fracon, um vidro pequeno de álcool, uma lupa, seis uvas, uma lanterna, dois pedaços de queijo, um bloco de anotações (sim, haviam dois na mochila) e três pares de meias - enroladas em bola para ocupar menos espaço. Somente perguntando pessoalmente poderíamos descobrir o segredo de Matthew, mas acreditamos que ele tenha feito algum curso de Organização de Almoxarifados na Igreja de Prontera - isso explicaria muita coisa. Mas, além disso tudo, Werg encontrou um pequeno bloquinho verde que lhe chamou a atenção.

- Aqui, Taruk... Esse caderninho estranho, encapado... Tem um desenho nele, parece com aquele que tem dentro do broche.
- Deixa que eu vejo.. ora! É um passaporte! Nosso amiguinho então não é de Midgard? De onde você veio, garotinh....
- Taruk, o que foi?
- Werg, parece que nosso convidado vai nos dar mais do que um broche. Olhe aqui o sobrenome dele.
- O que tem o sobrenome dele?
- Vem comigo que eu explico, Werg. Precisamos bolar um plano para levarmos nosso amiguinho de volta para casa... e ganhar MUITO zeny com isso, hehehe...

===========================================================================

De longe, escondidos atrás de um grupo de pedras no chão, Justinian e Sague viam um dos bandidos mexendo na mochila de Matthew.

- Matthew lhe falou algo sobre a mochila dele ser mágica, Sague?
- Não.
- Unh... bom, precisamos dar um jeito de chegar no Matthew sem sermos vistos, mas com aqueles dois lá não tem como...
- Olha, eles estão conversando. O que é aquilo que ele pegou na mochila?
- Daqui não dá pra ver direito... mas parece um bloquinho... Sague, eles estão indo pra outra sala. é nossa chance!

Os primos então entraram na sala aberta na caverna. Jsutinian ficou vasculhando uma mesa de madeira, que provávelmente fora trazida até ali pelos bandidos, enquanto Sague desamarrava Matthew.

- Matthew, como você está?
- Estou bem, Senhor Sague... mas aqueles bandidos....
- Eles estão longe, vamos aproveitar e sair daqui
- Mas eles levaram meu broche, e meu passaporte, Senhor Sague!
- Passaporte? Aquele bloquinho verde era um passaporte? Matthew, você não é de Midgard?
- Não, senhor Justinian. Vim pra cá a pedido de meu pai.
- Seu pai? E quem é seu pai?

Foi então que uma luz, semelhante àquela que aparecera para os primos minutos antes, surgiu no meio da sala. De dentro dela, um jovem, usando roupas cerimoniais muito semelhantes às da garota de antes, mas sem o amuleto pendendo do chapéu, apareceu, e com ar severo, se dirigiu aos três aventureiros apontando para Matthew:

- O DIÁRIO DELA! ME ENTREGUEM O DIÁRIO!
- Que diário é esse afinal?
- Não sei, Sague, mas ele parece nervoso... Matthew, o que você fez com o diário dele?
- Eu não sei que diário é esse, Senhor Justininan...
- EU PRECISO DO DIÁRIO! DEVOLVAM! - e, dizendo isso, o fantasma levantou os braços. Com esse movimento, o chão da caverna rachou em vários pontos, e de dentro das fissuras saíram mortos-vivos - desta vez, zumbis, com carne apodrecida e pele seca.
- Ele está mesmo falando sério! Matthew, dá o diário do rapaz, por favor!
- Mas eu não tenho nenhum diário.. a não ser....
- A não ser o quê, garoto?
- Antes dos bandidos me amarrarem aqui, eu vi um caderno rosado no chão... peguei e coloquei dentro da mochila, achei que pudesse ser importante.
- E onde está esse bendito caderno agora?
- Acho que os bandidos levaram junto do meu passaporte.

Um grito ecoou na caverna, vindo da mesma direção na qual os bandidos haviam ido. Logo depois, Taruk saía correndo por um dos corredores, acompanhado de Werg. Atrás deles, um exérito de esqueletos, liderado pela fantasma de roupas rosa, que parou ao ver o jovem de azul flutuando no centro da sala. O jovem então se voltou para os dois bandidos.

- Vocês estão com o diário. Me entreguem!
- D-d-d-diário? Ma-ma-mas que...
- O caderno rosa que vocês pegaram! - Justinian gritou - Entreguem pra ele!

Taruk então pegou o caderno e atirou para o rapaz, que o agarrou no ar. A fantasma rosa, ao ver o diário, se enfureceu e ordenou seus esqueletos a atacarem taruk e Werg, Os dois bandidos, com isso correram gritando para a saída, mas não conseguiram ir muito longe. Um grupo de caçadores, liderado pelo caçador que tão amávelmente atendeu Justinian na porta da Guilda, e acompanhado de uma jovem arqueira, recepcionou os dois.

- Podem parar os dois, aqui mesmo! Mas... hein?

O jovem fantasma lia o diário, atento, sob os olhares da fantasma de rosa. Então, ergueu a cabeça e disse:

- Então, foi isso... Munak, perdão... eu não sabia...
- Agora você sabe, Bongun. Sempre amei você... Sempre quis estar com você...
- A partir de agora estaremos juntos, minha querida... Vamos embora...

E com isso, abraçados, os dois fantasmas desapareceram lentamente, envoltos na mesma luz que os havia trazido. Os mortos vivos por sua vez, se desfizeram pelo chão, espalhando pó e ossos. Justinian também foi ao chão, sentado ao lado de Matthew.

- Terminou?
- Acho que sim, senhor Justinian...
- E PORQUE VOCÊ ESTAVA COM AQUELE DIÁRIO, AFINAL?
- É, meu primo voltou ao normal. - Sague pegava o diário no chão, enquanto olhava para os dois bandidos, amarrados um de ostas para o outro, diante dos caçadores. A arqueira então tomou o broche e o passaporte, que ainda estavam na mão de Taruk, e, se voltando para os primos e Matthew, perguntou:

- Acho que isso aqui pertence a vocês, acertei?

===========================================================================

Do lado de fora da caverna, o grupo estava na porta da Guilda dos Arqueiros. Justinian tentava ler o diário rosado deixado para trás pelos dois fantasmas. Os bandidos eram levados para a cidade pelos caçadores -sob o olhar atento do caçador corpulento de antes.

- Hmm... agora entendi aquela confusão sobrenatural...
- Então nos explique!
- Você nem ao menos entrou na caverna, Bris, então não está com tanta pressa de saber.
- Sylvia, eu estava... er... cogitando os melhores feitiços para usar lá dentro!
- Sei. Se meu tio e os outros caçadores não tivessem chegado, eles estariam até agora na caverna!
- Aquele caçador gigante é seu tio?
- Sim. E é lider de um clã também. Um dia serei como ele.
- Musculoso e com bigode?
- NÃO, SAGUE, FORTE E LÍDER DE UM CLÃ.
- Ahn.
- Vocês querem que eu leia o maldito diário ou não? - Justinian enfim conseguia a atenção que queria. - Ao que parece, a fantasma rosa, Munak, era apaixonada por Bongun, aquele jovem de azul. Mas ela foi prometida pelos pais a outro, então fingiu que não gostava de Bongun, para não magoá-lo. Bongun não aguentou o casamento dela, e se matou. Ela diz no diário que ficou com muito remorso, então provávelmente também cometeu suicidio, para encontrar Bongun no além.
- Que história de amor linda, não é Bris?
- Er.. claro, claro. - Bris imaginava que com certeza se mataria por Sylvia, mas não sem antes esgotar absolutamente todas as outras possibilidades.
- Aqui, Matthew, seu broche e seu passaporte.
- Obrigado, Senhor Sague!
- Você disse que não era de Rune-Midgard, Matthew... de onde você veio?
- De Lighthousen, senor Justinian. Pode ver meu passaporte!

O passaporte de Matthew era um documento necessário para cruzar as fronteiras que separavam o reino de Rune-Midgard da República de Schartzwald, onde ficava a grande cidade de Lighthousen. Justinian reconheceu o símbolo na frente do passaporte, e começou a gaguejar quando abriu o documento.

- Ma... Ma... Matthew, posso ver seu broche?
- Claro, Senhor Justinian. Eu quis mostrar para o senhor lá em Alberta, quando saímos da caverna dos Pés-Grandes, mas o senhor não quis ver, então...
- Matthew... Esse símbolo dentro do broche... é o que eu penso que é?
- É o brasão da minha família, senhor - Matthew sorria inocentemente. Justinian, boquiaberto, virou-se para Sague.
- Sague... acho que vamos ter que cuidar MUITO melhor do Matthew a partir daqui.
- Não entendi, primo.
- Leia o nome no passaporte e você vai entender. - Just então entregou o passaporte para Sague. Ali, podia-se ler o nome completo do garoto que os acompanhava até então.
- Matthew... Olver...Canveldar... o que é que tem? - os olhares de todos se voltaram para Matthew.
- OLVER CANVELDAR? DA FAMÍLIA CANVELDAR DE LIGHTHOUSEN?
- Sim, Sylvia, essa mesma. Meu pai é Folter Olven Canveldar.
- Não entendi nada ainda!
- Sague - Bris explicou -, os Olven Canveldar são uma das famílias mais ricas de Swartzwald! E o Matthew aqui, ao que parece, é o herdeiro mais novo da fortuna! Já que é filho do Marquês Folter Canveldar.... e no broche dele está a prova maior... esse desenho no centro é o brasão oficial da família Canveldar.
- Er... o quão ricos eles são?
- Pelo que dizem - Justinian disse - só perdem para os Rokenber... o que faz dos Canveldar a segunda família mais rica da República.
- Então... quer dizer que... que...

Sague olhou para Matthew, mas tudo o que conseguiu ver foi um gigantesco cifrão sorridente, e se atirou com todo amor e carinho que pôde simular.

- MATTHEW, MEU GRANDE E QUERIDO AMIGO! SEMPRE SOUBE QUE VOCÊ ERA RICO... digo, ESPECIAL! Venha, vamos sair daqui, está frio, vamos para o hotel, você precisa se aquecer, e se alimentar direito, você não quer ficar magrelo que nem o Justinian não é? Então? Vamos, vamos!

Incrédulos, os outros três observavam enquanto Sague arrastava Matthew Payon afora.

- Bom, - Bris perguntou - pelo menos podemos imaginar que assim o Sague vai cuidar bem melhor do Matthew..., não é?
- Bem possível. Afinal - completou Sylvia -, agora ele vê o garoto como um investimento...
- O pior - Justinian suspirou - é que eu não tenho certeza se isso é algo bom ou ruim...

Com isso, voltaram todos para o hotel. O dia seguinte estava quase raiando, e agora, Justinian e Sague precisavam levar até Prontera não um aprendiz de noviço, mas uma pequena fortuna ambulante chamada Matthew.

Citação :
NOTA DO AUTOR #07: Esse capítulo eu demorei a escrever por causa de uma pusta crise criativa, mas quando voltei, escrevi o maior Episódio da fic hehehe. Agora é seguir em frente! Assim como Justinian e Sague, que seguem seu caminho para Prontera. Só espero que consigam chegar lá =)
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Seg Jul 14, 2008 3:05 pm

Muito bom, você é um dos únicos escritores que não colocam tanta magia em uma fic, uma coisa mais real. Aprecio muito isso.

Nota do Leitor: NUNCA leia capítulos desse rapaz almoçando... Sério, na hora que chegou a parte do "Muculoso e com bigode" eu engasguei com a comida e cai no chão do quarto, literalmente você quase me matou de rir... Sem mais
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qui Jul 17, 2008 10:13 am

EPISÓDIO 08 - DE VOLTA À ESTRADA

- Cuidado, Matthew, tem pedras no chão, você pode se machucar!
- Er.. obrigado Senhor Sague, eu...
- Olha, não corra muito, o que faremos se você ficar cansado demais?
- Mas eu não...
- MATTHEW, SAI DAÍ, UMA JIBÓIA.... não... é só um cipó. Cipó terrível, não assuste o meu amigo Matthew assim!
- ...

A viagem estava assim desde que os primos Von Shumer e o Aprendiz de milionário - digo, Noviço saíram de Payon naquela manhã. Após a curta experiência sobrenatural que tiveram com os fantasmas de Bongun e Munak na caverna de Payon, Justinian, Sague e Matthew passaram parte da manhã daquele dia descansando no hotel. Bris e Sylvia voltaram a seus respectivos afazeres: a arqueira, feliz com sua amiga Suzette, treinava para entrar no clã que seu tio controlava, enquanto o mago, apesar da vergonha que sentia por estar apaixonado por uma garota que, mesmo já tendo passado dos dezoito anos, andava para cima e para baixo por Payon com uma boneca surrada a tiracolo, mantinha suas esperanças de um dia atrair mais a atenção de Sylvia do que a boneca. Antes de partirem de Payon, os três viajantes discutiram muito sobre que métodos utilizar, que rotas tomar e, da parte de Sague, quais as maneiras mais seguras para Matthew chegar são e salvo a Prontera - mesmo que ele e o primo alquimista não estivessem incluídos no conceito de "são e salvo":

- Mas Justinian, essa rota tem Esporos Venenosos! Não podemos expôr Matthew a um caminho tão perigoso!
- Então passamos pelos Castelos do Feudo de Payon, e chegamos no Des...
- Claro que não! E se algum daqueles clãs de malucos estiver em guerra, como sempre estão? Matthew poderia ser atingido por algum feitiço descontrolado!
- Hnnn... E que tal se fôss...
- Esse caminho não tem bandidos não, primo? E se algum bando de arruaceiros estiver à espreita? Eles podem nos atacar, nos roubar, nos matar... ou, o que é pior, fazer algo com o Matthew!
- Sague, a segurança do Matthew vem antes da do grupo?
- Depende de quantos Olsen Candelar estiverem no grupo.
- "OLVEN CANVELDAR", Sague, e pare de pensar no Matthew como se ele fosse um investimento a curto prazo! Além disso, até onde sei, o tal Sacerdote caloteiro que é mentor do garoto já o fez passar por coisa muito pior. A propósito, Matthew, como você conseguiu sobreviver a tanta coisa, mesmo sendo apenas um aprendiz?
- Bom, senhor Justinian, eu tenho um grande segredo que me ajuda.
- Hmmm... e qual seria esse truque secreto?
- "Enfrentar todas as dificuldades com alegria e esperança!!!" - e Matthew abria seu sorriso de animador de festas infantis de tal forma que Justinian precisou desviar o olhar de nervoso.
- Puxa, e eu ainda pergunto....
- Just, e se fôssemos por aqui? - Sague apontava para o mapa que se estendia na mesa redonda do quarto. - Essa ponte aqui, no fim da floresta...
- Sairemos na parte leste do Deserto Sograt.... até que não é má idéia, visto que só precisaremos seguir para o norte a partir dali... Sague, como você conseguiu dar uma sugestão tão boa?
- Ora, meu intelecto superior me indicou um caminho seguro!
- Uhn... um dia os sábio de Juno descobrirão o que realmente aconteceu. Por hora, precisamos arrumar tudo! - com isso, Just levantou da mesa e foi arrumar suas coisas.
- Nossa, senhor Sague! Como deduziu tão fácilmente uma rota mais fácil e segura para nós?
- Eu deduzi?
- Ué... o senhor não falou para seguirmos o caminho da ponte?
- Ah sim... na verdade, é que eu achei a cor no mapa mais bonitinha mesmo.

======================================================

E assim, os três aventureiros deixaram, naquela tarde, a cidade de Payon, e retomaram seu caminho. A Capital Real de Prontera ainda estava longe, e Justinian acreditava que cada passo desperdiçado aumentava a chance de que o Sacerdote Álgifer se esquecesse da dívida que tinha. Estavam agora nos arredores da floresta de Payon, e já não haviam àrvores na mesma quantidade antes. O denso céu de folhas e troncos, aos poucos, se tornava um planalto, e ao longe, começava a se formar um mar de areia. Aproximavam-se do Deserto Sograt, o qual, não fosse a cidade de Morroc incrustada em seu centro, poderia ser descrito como um gigantesco espaço vazio no meio de Rune Midgard. A tarde ía chegando ao final, e o céu já se avermelhava com o pôr-do-sol. Logo a noite caiu, e os primos e o aprendiz resolveram parar; a noite era perigosa, cheia de monstros agressivos, bandidos à espreita e todo o gênero de cosas que fazem aventureiros viajantes pensarem duas ou mais vezes antes de fechar os olhos e cair no sono, mas todos estavam muito cansados, pois descansaram pouco após o contato espiritual que haviam feito na noite anterior.

- Vamos parar e descansar. Estamos caminhando sem um bom repouso desde Alberta, e nem no hotel em Payon conseguimos uma trégua nessa viagem!
- Tem razão, primo. Sempre acontecem coisas para nos manter em atividade.
- E foi você que atraiu todas elas.
- Credo, Justinian. Sempre colocando a culpa em mim por tudo!
- Eu não o faria se não fosse verdade. Bom, para ser franco, faria sim, mas neste caso não é necessário.
- Ah, Justinian, você exagera muito! Tudo bem que, durante essa viagem, eu cometi alguns errinhos. Mas me diga, quando foi que, antes disso, eu atrapalhei você em algo que estava fazendo?
- Só um instante... - Justinian remexeu sua bolsa, até achar um caderninho. O abriu e, folheando suas páginas, começou a recitar - Bom, teve a vez em que você levou um Bebê Selvagem para casa, e a família dele foi buscá-lo... teve outra na qual você colocou esporos venenosos no lugar dos comuns quando recebi aquela encomenda de álcool... quando fomos em Morroc buscar espinhos de cacto para poções e você atirou aquela pedra em um Golem, achando que era uma estátua normal... as vinte e sete vezes em que você colocou sal no café, ao invés de açúcar - aliás, quando acordarmos amanhã, EU faço o café -, isso sem contar as cinquenta e sete encomendas trocadas, quebradas ou perdidas, as oito vezes em que precisei reformar nossa casa, as três em que reformei a casa de outras pessoas, e todos os incontáveis tubos de ensaio, vasilhas, garrafas, livros, utensílios e ingredientes que você, de alguma forma, perdeu, danificou ou destruiu.
- Nossa...isso quer dizer que eu tenho sido um estorvo para você esse tempo todo, Just? - Sague segurava lágrimas.
- Claro que não, Sague. Imagina!
- Puxa, que bom! Por um instante pensei mesmo nisso! - e Sague estava totalmente recomposto, como se o inventário apocalíptico que Justinian descrevera nunca tivesse existido. Matthew, que até então estava calado, perguntou:
- Prontera ainda fica muito longe daqui, senhor Justinian?
- Não muito. Se nos apressarmos, em dois dias estamos lá. Basta atravessar o Deserto Sograt, seguindo para o norte.
- Que bom! Após tantas aventuras, é impossível que o Mentor Álgifer não me consagre Noviço.
- E porque essa vontade tão grande de se tornar noviço, Matthew?
- Tem a ver com meu pai. Nossa família tem muita influência em Schwartzvald, e um Olven Canveldar que possuísse algum cargo na Igreja de Prontera facilitaria muito as relações entre o Reino de Rune Midgard e a República.
- Então é apenas uma questão política?
- No início era, senhor Justinian. Mas quando me candidatei aos testes de noviço, me encantei com os ensinamentos e conhecimentos da Igreja. Hoje, eu mesmo quero me tornar Noviço, independente de ser a pedido de meu pai ou não.
- Ok... vamos parando por aqui. - Justinian bocejava - Nem ao menos acendemos uma fogueira e já está noite. Precisamos acordar cedo amanhã e retomar o caminho!
- Eu acendo a fogueira!
- A última fogueira que você acendeu, Sague, incendiou metade dos armazéns do porto de Alberta, e nós só moramos lá ainda porque nunca descobriram que foi você. Então, se quisermos que a floresta de Payon ainda esteja aqui para as gerações futuras, EU acendo a fogueira.
- E o que eu faço então?
- Fique a primeira hora de vigia. Eu e Matthew dormiremos, e daqui a uma hora você me acorda para trocarmos, ok?
- Uhn... certo então.

======================================================

A manhã de um novo dia chegou, bela e aconchegante, fazendo o forte sol do deserto despejar seus raios quentes sobre o rosto de Justinian. O alquimista acordou preguiçoso, com um grande bocejo, mas não tardou muito a compreender a situação óbvia que acontecera.

- Uaaaaahhh... nossa... eu precisava mesmo desse descanso. Parece que dormi a noite tod... EI! Eu DORMI MESMO a noite toda! Sague, Sague, acorda, cérebro de Ambernite!
- Hã, hein? Ora Just, não faça esse barulho todo...
- Eu não falei para você ficar de vigia e me acordar em uma hora?
- Ah, Just, eu fiquei de.. uahhh... vigia. Mas já tinham passado quinze minutos e não aconteceu nada, então...
- NÃO ACONTECEU NADA? JÁ VIU NOSSAS COISAS? TUDO REVIRADO, SAGUE! O QUE VOCÊ TEM A DIZER SOBRE ISSO?
- Sua gritaria acordou o Matthew.
- E EU NEM LIGO PRA ISSO! Puxa vida, deixe-me ver se levaram algo de valor aqui...
- Mmmm... o que aconteceu, senhor Sague?
- Ah, o Justinian, escandaloso como sempre.
- Sague! O recibo! Não estou encontrando o recibo!
- Que recibo?
- O recibo assinado pelo Sacerdote caloteiro! Sem ele, não posso cobrá-lo pelo pedido de poções!
- E o que estamos esperando para encontrar esse recibo? Vamos Just, não fique aí parado!
- É tão bom quando vocês dois se entendem bem e...
- PROCURA LOGO MATTHEW - exclamaram os dois primos juntos.
- ...tá bom, nem sempre...

======================================================

Alguns minutos de procura depois, nenhum dos três havia encontrado algo que se parecesse com um recibo. Justinian, transpirando impaciência, perguntou:

- Nada aí, Sague?
- Nada, primo! E você, Matthew?
- Só folhas, senhor Sague.
- Droga, era o que faltava. A essa altura, o ladrão deve estar longe. O que vamos fazer?
- Senhor Justinian, como é esse recibo?
- É um papel retangular, com o selo da Escola de Alquimia de Al De Baran, um papel azul-claro com bordas vermelhas. Porque?
- Porque ou aquele poporing está devendo algo para algum alquimista, ou acabei de achar o seu recibo.
- Como é?!?! - alguns metros adiante, um calmo poporing olhava os três.

Os monstros da família poring merecem uma explicação especial e detalhada. Quer dizer, mereceriam, mas até hoje nenhum pesquisador conseguiu definir exatamente O QUE É um poring. Imagine um suspiro, mas com a consistência de uma maria-mole. É a aparência geral de um poring, mas com olhos e boca. Os porings se sentem atraídos por qualquer coisa que esteja no chão e que eles possam carregar em seus corpos gelatinosos, como verdadeiros trombadinhas de marshmallow. Existem porings dos mais variados, como os Drops que vivem no Deserto Sograt - e
que, durante muito tempo, fizeram os sábios de Juno se perguntarem “como é que eles não derretem?” antes que abandonassem as divagações - os Marins das áreas nevadas, os venenosos poporings... existem até mesmo relatos de crianças de Prontera que juram ter visto um gigantesco poring fantasma nos arredores do deserto. Claro que, com certeza, são apenas lorotas infantis de crianças que não querem ir cedo para a cama, mas a visão de um fantasma destes deve mesmo
assustar - considerando que o monstro, mesmo vivo, já nos faz perguntar “que diabos é isso?”

- AGARREM AQUELE POPORING!!!

E assim era dada a largada da mais estranha corrida que já aconteceu em toda Rune Midgard. Na frente, um desesperado poporing, carregando na boca um recibo de compra. Logo atrás, um alquimista enfurecido, seguido de perto por um gatuno que parecia se divertir com a situação. Na retaguarda, um jovem aprendiz que lutava para carregar três mochilas enquanto tentava alcançar os outros competidores. A corrida continuaria por um bom tempo, saindo da floresta e adentrando o deserto. O poporing, então, fez uma curva rápida se escondendo em um arbusto. Justinian, usando de toda força que pôde, se arremessou na direção do arbusto com os braços esticados, gritando em tom de vitória:

- PEGUEI VOCÊ SEU LADRÃOZINHO!!!

Justinian não acertou seu alvo. Ele agarrou algo, sem dúvida, mas o poporing estava parado ao seu lado, como se esperasse os perdedores da prova. Ao olhar para o que capturara, Just gelou ao ver uma bota metálica prateada em suas mãos - e o frio aumentou muito quando ele olhou para cima e reconheceu a dona da bota.

- Ora, senhor Justinian Von Shumer... eu deveria me sentir honrada, por tê-lo se atirando à morte dessa maneira?
- ACK!!! - Sague, que vinha logo atrás, parou e perguntou:
- Justinian! Isso é hora para se esconder com garotas no mato? Tem crianças aqui!
- Sague, pare de falar asneiras! É a templária de que falei!
- O senhor tinha razão, senhor Justinian... aquele brasão é mesmo da Ordem Templária de Prontera!
- Ora ora... - Kalene pareceu surpresa ao ver Matthew junto dos primos - Que surpresa agradável... o jovem Canveldar também está aqui? Isso com certeza torna tudo muito mais cômodo... - e, enquanto dizia isso, retirava de uma pequena bolsa de couro um objeto que Justinian temia MUITO ver de novo.
- Sague! Matthew! É aquele Galho Seco estranho!
- O que vamos fazer agora, senhores?
- Alguma idéia brilhante, primo Just? - e, nesse momento, Kalene terminava sua evocação.
- Sim... rezar aos deuses para que ela evoque um Fabre.

Citação :
NOTAS DO AUTOR #08: Tive problemas para criar esse capítulo, pois meu Word resolveu dar tilt... Mas tudo foi resolvido, e finalmente a fic volta a figurar com Episódio novo. Façam suas apostas: será que Kalene realmente vai evocar um Fabre?
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qui Jul 17, 2008 3:32 pm

Há, 5 zeny que ela invoca um Bapho

Pow, duas palavras e uma letra pra esse capítulo: Bom e pequeno :/ nem deu pra sentir o gostinho da viajem T_T

Mas enfim, eu estou em um dilema cruel, olha pode ter certeza de uma coisa... Não existe mais "criatividade" todas as fics tem tabús e coisas comuns em outras (esqueci o nome T_T)

E nessa, eu estou em dúvida de Matthew descobrir que o Álgifer é o pai dele, e ele virar SA...

Também pode acontecer de ele descobrir algo muito ruim sobre o clero e continuar seguindo Just e Sague pra viverem felizes e encrendados para sempre...

Enfim, continua ae e vejamos o que acontece Very Happy
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qui Jul 17, 2008 7:13 pm

Citação :
rezar aos deuses para que ela evoque um Fabre

lol!

Tô lembrando dos 2 galhos secos que já usei... e dos inúmeros que outras pessoas usaram perto de mim...
... nunca saiu nada com menos de 30 níveis acima do meu...
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Sex Jul 18, 2008 7:14 pm

Huhuhu, lembro do dia em que me consagrei Soldier, onde teve um discurço tão lindo do General....

Mais o legal foi de depois do discurço meloso ele disse as imortais palavras que eu repito em todo festial ve Galho Seco.

"E é por isso, companheiros, parceiros... E acima de tudo, amigos... Que lhes digo com todo o amor que está oculto no fundo de meu humilde coração....."
*Pausa dramática de 10 segs*
"MORRAM PRA GALHO SECO FILHOS DA--"
*quebra litruz de Galho Seco"

kkkkkkkkkk geral morreu pro primeiro Lilith que apareceu (Não sei se lembram dele, seria dela? Nunca foi descoberto T_T) e o resto se encarregou de matar quem tava passando por lá....

Alguém chamou GM e ele ficou sentado no meio do mob soltando "kkkkkkkkkkk" a cada morte e acada Miss que subia dele...

Ainda devo ter uma SS do acontecido em um dos meus CDs, podem ter certeza eu VOU achá-la e postar aqui

----------------------------------------------------------------

Você pretende postar o livro 2 aqui, Arkanow? =3
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Sex Jul 18, 2008 8:53 pm

Yokan escreveu:
Você pretende postar o livro 2 aqui, Arkanow? =3

Com absoluta certeza Very Happy
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Ter Jul 22, 2008 8:12 am

Episódio 09 - UM NOVO - E ESTRANHO - DESAFIO

- Não entendo como o senhor escapou daquele tigre-demônio, senhor Justinian Von Shumer, mas garanto que não terá a mesma sorte aqui.
- O que quer de mim afinal, moça? Porquê está nos perseguindo?
- Ow, primo, ela está perseguindo VOCÊ. Não me inclua nas suas confusões amorosas, por favor!
- Sague, cala a boca!
- E porque eu contaria algo ao senhor? Além disso, nossa conversa precisa ainda de mais um participante.

Kalene então ergueu o Galho Sangrento, e começou a proferir as palavras de evocação que pareciam ativar o efeito do objeto.

"Venha até este lugar o poder que concede a vida e trasnfigura a realidade..."

- Justinian, isso que ela está falando representa perigo?

"Chamo até aqui aquele que governa o submundo e trás o caos e a morte..."

- Foi assim que ela evocou o Eddga da última vez. Pergunta respondida?

"Eu o convoco até aqui, REI DEMÔNIO BAPHOMET!!!"

- Com certeza, primo.

Das metades partidas do galho, o líquido vermelho correu, formando uma grande poça no chão do deserto. Do centro dela, o ar começou a rodopiar, formando um grande redemoinho de folhas e areia que impedia que se visse a forma surgida no furacão. Lentamente, a poeira começou a baixar, e a voz de Kalene foi ouvida.

- Agora, senhores, a sorte de vocês acabou. A terrível fera que foi evocada fará com que suas mortes sejam rápidas e... mas... o... quê?

Conforme a nuvem baixava e o redemoinho ía cessando, Kalene foi percebendo as formas da criatura que havia evocado. Contudo, o ser que ali surgira estava muito, mas MUITO distante de ser um Baphomet, uma criatura com cabeça e pés de bode, e chifres pontiagudos, que acreditava-se aterrorizar o submundo. Sague, que até então olhava por trás dos ombros do primo, saiu de seu esconderijo e começou a gargalhar, como se a melhor das piadas tivesse sido contada.

- HAHAHAHAA... ESSA é a terrível fera?
- O que aconteceu? - Justinian ainda mantinha receio, mas a visão à sua frente era peculiar demais para fazê-lo se preocupar em excesso - Da outra vez ela fez surgir o Eddga, mas agora...

Diante de Kalene e dos três aventureiros, um terrível, assustador e aparentemente impiedoso poring negro, com chifres e um par de asas coriáceas como as de um morcego, saltava após ter saído da nuvem de poeira.

- Como isso aconteceu... a teoria dele está certa então... - Kalene divagava tentando compreender a situação, mas logo foi interrompida por um Sague que quase não conseguia falar, de tanto que ria.

- Hahahaaha... olha moça, não é por nada não, mas acho que esse seu brinquedo está com algum defeito!
- Ria, gatuno insolente. Algum motivo existe para que tal... monstro tenha surgido. E não duvido que ele possua poderes capazes de aniquilar vocês.
- Como o quê, por exemplo? Arremessar jellopies?
- Hmpf... não ficarei para ver suas mortes. Divirtam-se com essa... essa... - até Kalene hesitava ao olhar para o poring negro saltitando no chão. - ...esse monstro! - E, dizendo isso, Kalene esmagou com força uma pequena asa d Creamy, que a fez desaparecer. Em seu lugar, apenas o terrível poring negro, que olhava para o grupo com absoluto desdém. Matthew demonstrava certa afeição para com o monstro.

- Ele até que é bonitinho...
- Era dessa templária perigosíssima que você tinha tanto medo, primo Justinian?
- Ainda não entendi... tem alguma coisa errada... - Justinian se aproximou do poring, que o encarava com um olhar vago, como se pensasse “Ah, não, mais um humano idiota”. O alquimista se abaixou, ao lado da criatura - É, ele realmente é bonitinho... parece um diabinho, mas é bonitinho... - e Justinian catucava o poring com o indicador. À medida em que fazia isso, o pequeno monstro ía ficando mais e mais irritado - mas mantinha a expressão de total desdém que parecia guardar especialmente para humanos.

- Nha, vamos embora, Just. Deixe o pequenino aí, talvez ele ache outros porings para brincar.
- Podemos levar ele conosco, senhor Just?
- Claro que não! Já temos você de mascote, e não precisamos de outro membro inútil se já temos o Sague. - Justinian se levantou e virou de costas para o monstro - Vamos embora, que Prontera está logo ali!

O jellopy voou zunindo pelo ar, acertando em cheio a nuca do alquimista.

Imagine uma gelatina. Retire uma colherada dela, usando uma colher daquelas pequenininhas, que acompanham toda sobremesa mas que ninguém usa para comer, pois procura logo uma colher maior. É mais ou menos isso que é um jellopy, uma substância gelatinosa que alguns monstros, como os porings, produzem. Dizem que uma boa quantidade de jellopies, misturados a leite e frutas, dão uma excelente refeição para o café da manhã ou o lanche da tarde. Eu, particularmente, prefiro pão com manteiga. Pelo menos estes dois eu sei que não são restos de monstros.
Justinian virou-se ao receber o jellopy na nuca, e antes que pudesse formular qualquer pergunta, recebeu outros dois tiros certeiros, um na barriga e outro na testa. Com uma grande marca vermelha acima dos olhos, o alquimista gritou:

- MAS QUEM DIABOS ESTÁ FAZENDO ISSO?

O poring negro continuava lá, com sua expressão apática.

- Foi você, não foi? Seu pedaço de carvão gelatinoso! - furioso, Justinian se aproximou do monstro - Confessa, bichinho feio!
- Seu primo conversa com porings, senhor Sague?
- Só quando toma muito Tropical Morroc - não que fosse grande explicação. Qualquer um começa a falar com porings e Pupas depois da terceira dose de Tropical Morroc.
- Vocês viram, não viram? Ele me atacou! Esse pivete miniatura!
- Deixa ele pra lá, primo, vamos embora... - o poring permanecia impassível.
- Nenhum poring, seja ele da cor que for, me faz de bobo! - e, dizendo isso, Justinian acertou um chute em cheio no pequeno monstro. O poring foi arremessado alguns metros adiante, aterrisando de cabeça (metafóricamente falando, claro, pois é impossível, devido à própria natureza do poring, discernir onde fica exatamente sua cabeça) em meio a um grupo de arbustos. Segundos depois, ele saiu de lá, e finalmente a expressão em seu... digamos, rosto, havia mudado.

- Acho que você o deixou zangado, primo.
- Coitadinho, senhor Justinian!
- “Coitadinho” de mim, ora! O que mais esse poring queimado vai fazer?

Ser chamado de “poring queimado” afetou negativamente o comportamento do pequeno monstro. Ele rosnou para Justinian, e uma estranha luminosidade emanou dele. Como se tivessem sido evocados de outro lugar, um grupo de dez pequenos diabretes, negros como seu mestre, carregando tridentes do tamanho de garfos, surgiu à volta do poring, que agora estava com uma expressão que tentava dizer “É ISSO que vou fazer, seu humano idiota!”.

- O-o-o que são essas coisas?
- Já li sobre eles antes, senhor Sague, em livros da Igreja! São deviruchis!
- Matthew, só me diga uma coisa: eles são DÓCEIS, não são?
- Bem... - e depois que os primeiros três diabinhos avançaram contra Justinian - acho que não depois que o mestre deles é chutado e xingado, senhor.

E, liderados pelo poring negro, os deviruchis começaram a perseguir os primos e o aprendiz, em mais uma estranha maratona de velocidade.

- Aahhh, o que vamos fazer?
- Da próxima vez trate melhor a fauna do deserto, primo!!!
- Nós vamos virar adubo para a flora do deserto se não fugirmos deles!
- Senhores, ali! - ao longe, uma ponte surgia sobre uma ravina. Um furioso rio cortava o vale abaixo.
- Precisamos passar por aquela ponte! Sague, você corta as cordas, e eles não vão poder nos seguir!
- OK!

Os três seguiram, o mais depressa que puderam em direção à ponte. Sague, especialmente, estava empolgado com a idéia. Seu primo havia lhe dado um voto de confiança, havia colocado a resolução de um plano em suas mãos, e ele não pretendia falhar.
Se, ao menos, não fosse Sague Von Shumer.
Quando finalmente alcançaram a ponte, Justinian ordenou:

- Sague, lembre-se, corte as cordas da ponte!
- Entendido, primo!

Justinian e Matthew estavam na metade da ponte, quando sentiram-na balançar. Inicialmente, Justinian imaginou que fosse o vento, mas percebeu que Sague não estava junto deles. E sentiu, instintivamente, que algo daria errado. Virando-se para trás, o alquimista viu o primo, com uma adaga em uma das mãos ea ponta de uma das cordas que prendiam a ponte na outra. Ao longe, o poring negro e sua gangue de deviruchis.

- Sague, o que está fazendo?!?!
- O que você pediu, primo! Cortando as cordas da ponte para...
- Eram as cordas DO OUTRO LADO, SAGUE! Larga isso e vem pra cá!!!!

Sague deixou de lado as cordas, correndo o mais que pôde até o primo e o aprendiz, mas um dos deviruchis resolveu terminar seu trabalho. Com um salto, o pequeno demônio golpeouo a corda, cortando o que faltava para arrebentá-la. Com isso, a ponte começou a despencar presa pelas cordas na outra ponta, em direção à parede de pedra que formava a encosta, e com ela eram levados Justinian, Matthew e Sague. Em meio aos gritos dos três, a ponte bateu com força no penhasco.

- EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ ISSO, SAGUE!
- Pelo menos o poring não está mais perseguindo a gente - na beirada oposta, o poring negro “sorria”, como se pensasse “Bem feito pra eles!”
- EU MATARIA VOCÊ AQUI SE NÃO CORRESSE O RISCO DE CAIR NO PENHASCO!
- Senhores, não vamos agüentar muito tempo!
- Matthew, rápido, você que pode alcançar! Pega na minha mochila um vidro com umas sementes azuis!
- Espera um pouco... aqui, peguei, senhor Justinian!
- Justinian, essas sementes não são aquelas....
- ... que você estragou e quase destruiriam a casa daquela senhora alguns meses atrás! Se dermos sorte, agora elas vão nos salvar! Lá vai!!!

Justinian arremessou o frasco o mais forte que pôde. Ele bateu na beirada do penhasco, quebrando e espalhando sementes de cor azulada no chão. As sementes, em contato com a terra, começaram um veloz processo de crescimento, muito mais rápido do que qualquer planta normal. Foram sementes como essas que, como dissemos anteriormente, cresceram vinte vezes seu tamanho normal em uma casa de Alberta, graças à vontade de Sague em ajudar o primo. Agora, elas novamente cresciam absurdamente, se arrastando pela encosta até alcançar os primos. As raízes, conforme cresciam, se firmavam mais e mais no solo, tornado-se mais firmes que qualquer outra planta da região, e resistentes o suficiente para que fossem usadas para escalada - ao contrário da ponte, que começava a ruir devido ao peso dos três aventureiros forçando as cordas no topo.

- Agarrem a planta e subam!!!

Conforme os três escalavam a planta, a ponte desabou de vez, caindo ruidosamente no rio e sendo levada pela correnteza. Quando finalmente chegaram no topo, puderam ver o poring negro, óbviamente aborrecido, saltando pros lados.

- Sague, eu nunca, NUNCA MAIS vou mandar você fazer nada que seja vital para nossa sobrevivência!
- Você que não soube explicar direito o que queria!
- QUALQUER UM entenderia o que eu quis dizer, Sague, qualquer um!
- Nossa, vejam quantos porings! - haviam diversos porings naquela região, um deles sendo reconhecido pelo alquimista de imediato, pelo papel que mantinha preso à... digamos, boca.
- Ora, seu pequeno... ME DÁ ISSO AQUI! - Justinian arrancou o recibo da... boca do poporing, que saiu saltando, com uma expressão que parecia dizer que tinha ficado triste com o tratamento.
- Puxa, senhor Just... trate bem os pobrezinhos!
- Já nos livramos daquele poring negro ridículo, eu não quero ver porings na minha frente tão cedo!
- Pois eu acho que vai acontecer o contrário, primo...
- Hein?

Mais à frente, um poring com asas angelicais, e uma auréola como as de anjos, saltava olhando diretamente para o grupo. Perto dele, vários outros porings - inclusive um deles era o mesmo poporing de antes, que fazia uma expressão que parecia dizer “Foram eles que me maltrataram, irmãozão!”.

- Então, senhores... corremos?
- Você não tem mesmo jeito com animais, primo...
- Sague, apenas cale a boca... e CORRA!

Os três finalmente íam na direção de Prontera. Com um uma legião de porings furiosos correndo atrás deles, é verdade, mas pelo menos estavam avançando.

Citação :
NOTAS DO AUTOR #09: Não foi um Baphomet, mas deu trabalho! Tanto pros nossos heróis quanto pra mim - eu estava desesperado pra terminar esse Episódio! Agora és eguir em frente... Isso, se Justinian conseguir que esse Angeling o perdôe
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qui Jul 24, 2008 12:50 pm

Puxa... Nunca pensaria que eles estariam na poringolândia... E muito menos que um Deviling ia aparecer, mas... Convenhamos um Alquimista dá conta de um deviling com algumas poções e força de vontade... Mas como ele é PP, esquece ;P

Muito bom, mas pensei que Deviling e Angeling eram inimigos, não, irmãos o_O
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Qui Jul 24, 2008 2:30 pm

Mas quem chamou ajuda do Angeling não foi o Deviling, foi o Poporing xD
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Sab Jul 26, 2008 8:02 pm

Hmm....

*pensa* Caraleooo Persona 3 é phodááááááá

Entendi agora, ei ei... Sábado já, cadê novo epi?? ò_ó

E outra... Impressão minha ou só eu que to lendo essa fic lendinya? ._.
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Dom Jul 27, 2008 9:59 am

Episódio 10 - PERDIDOS NO DESERTO

- É realmente preocupante que nossos Galhos Sangrentos não funcionem sempre da forma que desejamos... mas isso mostra que minhas suposições estavam corretas...
- Sim, milorde. Seria a única explicação aceitável.
- Mas nada disso é motivo para preocupações, minha cara Kalene. Em breve, poderei obter as respostas diretamente na fonte... a propósito, e quanto ao jovem Canveldar?
- Espero que minha... última evocação... tenha cuidado dele e dos dois que o acompanham.
- Certo. Poucas vezes vi gente comum tão insistente quanto eles. Espero que não cheguem a tempo de estragar tudo.
- Se ousarem pôr os pés na cidade, milorde, eu... eu...
- "Eu"...?
- ...me livrarei pessoalmente deles, milorde.
- Muito bem, então, Kalene. Volte a seus afazeres. Ainda tenho muitas coisas a resolver antes da hora chegar.

===========================================================================

A carroça ía se aproximando do início do deserto. Partira de Prontera, e tinha como destino a desértica cidade de Morroc.O sol do deserto era demasiadamente quente, mas o cocheiro trazia água em um cantil, e era suficiente para a viagem. Fazia tempo que ele queria fazer essa viagem, pois sempre quisera visitar a cidade onde, supostamente, um terrível deus-demônio havia sido preso em eras antigas. Muitas eram as histórias que cercavam essa lenda, e o cocheiro adoraria conhecê-las. Dois Peco-Pecos puxavam a carroça, calmamente pelo deserto, pois a viagem era tão proveitosa quanto o destino.

Repentinamente, um dos Pecos se agitou. Seu companheiro logo o seguiu, cacarejando alto - claro, "cacarejar" não é o termo mais adequado, mas levando em consideração a aparência de um Peco, é o mais aceitável. Sem entender o que acontecia, o cocheiro esticou o pescoço, para olhar o deserto e encontrar a razão pela qual seus Pecos estavam tão indóceis. Nesse momento, um grupo de porings, dos mais variados tipos, liderados por um poring com asas e auréola de anjo, passou raspando pelos pecos, derrubando um deles e fazendo o outro se desprender das correias e sair correndo. Por muito pouco a carroça não tombou, levando o cocheiro com ela. Ele já havia visto muitos porings, mas nunca havia visto nada como aquilo... Enquanto o cocheiro parava para ponderar a situação, o Peco que ficara na carroça perguntou:

- Er... eles já foram embora?
- AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!! - o choque foi demais para o cocheiro, que ao olhar seu Peco, desmaiou ali mesmo.

A cabeça de um gatuno saía por entre as penas da asa do Peco-Peco.

- Ao menos tenha modos ao perguntar, Sague, já não basta estarmos sendo perseguidos por aquele anjo-poring homicida e estarmos nos escondendo na carroça dele sem permissão?
- Além disso, trate bem os pobres Pecos. Lembre-se de que não estaríamos sendo perseguidos se o Senhor Justinian não tivesse maltratado o poring negro, os deviruchis, o poporing, o poring anjo, os bebês selvagens, os filhotes de lobo e...
- Guarde sua sinceridade enjoativa para você, Matthew.
- Bem, esse aqui - Sague cutucou o cocheiro, que devia estar passeando no Valhalla de seus sonhos no momento - acho que não vai nos ajudar mais...
- O que é muito ruim. Entramos demais no deserto, e eu perdi o caminho que seguiríamos para Prontera. E eu não conheço muito bem o Deserto Sograt....
- O que vamos fazer então, Senhor Justinian?
- Algo que eu odiaria ter que fazer, garoto, mas infelizmente, não vejo opção.

Justinian olhou para Sague, descrente na frase que diria. Respirou fundo - três vezes -, olhou fixamente para o primo, e disse:

- Sague, eu odeio ter que dizer isso, e sei que vou me arrepender MUITO por dizer isso, mas.... você lidera o grupo aqui.

As lágrimas encheram os olhos de Sague. Os de Justinian também, mas pelo motivo oposto.

- Pode deixar, primo Just! Eu conheço este deserto como a pama da minha mão! Vamos sair daqui antes que você possa dizer Schalv...Shuzal.... Svart...
- "Schwaltzvalt"?
- Ah, não vale!
- Deuses.. me digam que isso não foi um erro...

===========================================================================

A resposta veio, em definitivo, três horas e meia depois.

- Sim, foi um erro.
- Calma, primo, eu sei bem por onde estou indo. Não falei que conheço esse deserto como a palma da minha mão?
- E você não lava suas mãos faz quanto tempo?
- Não tenho culpa se aquela duna não estava ali na última vez que passei por esse lugar!
- E quando foi isso?
- Ahn.. uns cinco ou seis anos?
- AH, ÓTIMO! Estávamos quase perdidos na floresta, agora estamos completamente perdidos no deserto!
- E o pior é que estou com sede, senhor...
- O pior de tudo é você estar AQUI, garoto chato!
- Justinian, não trate nosso amigo dessa forma, ele vai se magoar e não vai falar pro mestre dele dobrar o pagamento pelas poções.
- A essa altura, Sague, chegar vivo em Prontera já será uma excelente recompensa.
- Então eu posso ficar com sua parte do zeny?
- NÃO.
- Ainda estou com sede...
- Deixe-me ver... - Justinian balançou seu cantil, e fingindo não ouvir o som de água dentro dele, completou - É, o meu está vazio.
- Eu sei o que fazer nessas horas!
- Desejar não estar com você?
- Não, primo! Tem um oásis que por aqui! Lá tem água pra nós! Só espero que ele ainda esteja no mesmo lugar.
- E de quanto é a chance de que a gente morra ao fazer isso?
- Esse é meu primo Justinian, sempre brincalhão! - e Sague saiu em disparada, procurando o oásis.
- ...
- É algo com o qual devemos nos preocupar, senhor Justinian?
- Acredito que sim. Sague não conhece a principal regra de sobrevivência do deserto.
- E qual é essa regra?
- "Não entre no deserto".

O oásis realmente estava bem perto deles, ao menos na concepção de Sague, que não possui absolutamente nenhuma noção de tempo e, às vezes, espaço. Depois de andarem sem rumo por horas, os três finalmente se depararam com um lago rodeado de palmeiras e pedras, incrustado na areia e convidativo como uma loja de fast-food no meio da estrada.


- Água! Senhor Justinian, é água mesmo! - Matthew já estava dentro do lago enchendo o cantil.
- Quem diria. Sague realmente nos trouxe a um oásis!
- Acho que você me deve essa, hein, primo?


As palavras de Matthew bateram na mente do alquimista como uma bola de ferro atinge uma maquete. "E, mesmo assim, ele ficou frente a frente com o Eddga para salvar o senhor?" Haviam momentos em que Justinian desejava estar tão perto de Sague quanto uma mosca deseja estar perto de uma teia de aranha, e isso acontecia praticamente o tempo todo, mas Just, como dizer, se acostumara com aquilo. O entusiasmo exagerado de Sague, suas tentativas frustradas de ajudar, os desastrosos resultados de seu raciocínio... Justinian perceberia, ali no oásis, que estava habituado àquelas situações, e ficar sem Sague era viver uma vida chata, sem emoção, preso ao laboratório de Alberta, sem conhecer os desafios e perigos do mundo.

Mas Justinian nunca admitiria que pensou sériamente em se desculpar por algo. Além disso, estar sem Sague também dava a Justinian uma expectativa de vida bem maior.

- A única coisa que lhe devo é uma passagem para Arunafeltz, só de ida. Ainda estamos perdidos no meio do deserto, como vamos sair daqui?
- Hm... ei, veja ali! Peco-pecos! - um grupo de Pecos se reunía à volta do lago. - E se pegássemos um deles para nos levar até Prontera?
- Claro, Sague. Os Pecos têm um senso de navegação inato que lhes permite saber onde ficam as cidades, com certeza.
- Eles têm?
- ... Sague, você conhece o significado da palavra "ironia"?
- É quando a pessoa está com muita raiva?
- Não, Sague... deixa pra lá.
- Hm.. tá bom. Não entendi mesmo o que isso tem a ver com os Pecos. - e Sague saiu na direção das aves.
- Matthew - Justinian se deu conta de que o aprendiz não falava nada já a algum tempo. -, o que está fazendo?
- er.. hein? Bem, eu... - Matthew saía do transe. Estivera, até o momento, entretido com a areia próxima da água. Para ele, que vivera tanto em Lighthousen e Prontera, ver algo parecido com uma praia o fez sentir como um turista russo se sentiria ao visitar uma praia brasileira, mas sem os vendedores de guaraná e sanduíches naturais. Um tanto encabulado, saiu de lado, revelando uma grande Igreja de Prontera de areia que se erguia no chão.
- Você tem... como direi... talento pra isso.
- Acha mesmo, senhor Justinian?
- Claro. TODO mundo TEM que ter ALGUM talento. - Olhou para Sague correndo atrás dos Pecos. - Bom, mais ou menos.

Sague estava para um treinador de animais selvagens como um javali estaria para uma loja de cristais. O gatuno foi se aproximando lentamente do grupo de Pecos, que comiam calmamente a grama que crescia nas pedras do oásis. Eles já haviam notado Sague, mas fingiam o contrário para pegá-lo de surpresa. Não que os Pecos fossem tão inteligentes, mas todo animal possui um instinto natural de sobrevivência que os faz pressentir perigos e coisas assim (e, neste ponto, Sague era uma contradição à Natureza). O gatuno saltou no grupo de Pecos, e as aves se dispersaram, fazendo seu atacante cair na areia fofa.

- Suas galinhas gordas, eu pego vocês!!!

Observar a perseguição era interessante e divertido, principalmente do ponto de vista dos Pecos. As aves viravam repentinamente e se esquivavam, fugindo de Sague.

- Vamos ajudar, senhor Justinian!
- Ahn... os Pecos ou o Sague?
- O senhor Sague, claro!
- Puxa, eu tive esperanças...

O alquimista e o aprendiz correram até onde Sague estava.

- Eu vou atrair um deles pra cá, e vocês o agarram, certo?
- Certo!

- Eu tenho chance de discutir isso?
- Não, primo. Se preparem! Matthew, sobe naquela palmeira, quando o Peco passar, se agarre nele!

Sague correu como nunca atrás de um dos Pecos, que começou a ir na direção de Justinian. Ele passou debaixo da palmeira, e Matthew se jogou... acertando em cheio um dos vitrais de areia da maquete de Catedral. Justinian, por sua vez, se agarrava firme ao pescoço do Peco, que por pouco não o atropelara.

- É isso aí, primo, dá nele!
- AAAAAAHHHH ALGUÉM SABE ONDE FICA O FREIO DESSA COISAAAAAAAA!!!!
- Vamos (ppppffffff) alcançá-lo, senhor (pptttt) Sague! - Matthew cuspia areia.
- Ele está muito rápido! Corre, Matthew, corre!!!
- AAAAAAAHHHHHHHHHhhhhhhh........

===========================================================================

O carroceiro já se recompunha. Perdera um Peco, e não sabia bem se o que sobrara levaria a carroça sozinho, mas metade das mercadorias estava cheia de areia e, com isso, inúteis, portanto o Peco só levaria metade do peso anterior mesmo, então tudo parecia bem. Sua viagem até Morroc não seria interrompida por um contratempo pequeno como aquele. Por mais estranho que tenha sido. Podia jurar que, por um relance, vira uma cabeça humana nas asas de seu Peco. Devia ser o sol do deserto, pensou.

Então, ele ouviu o grito. Começou distante, mas foi rápidamente ganhando velocidade e intensidade. Começou com um "AAAhhhhhh", mas rápidamente ganhava novos fonemas, como "Nãaaao", "Vai bater!" e "Vira galinha estúpida, viraaaaaa!!!" O carroceiro só teve tempo de se virar.
Alguns minutos depois, a carroça estava ainda virada. A metade da metade das mercadorias que sobraram anteriormente agora se espalhava na areia, e Justinian estava semi-acordado no colo do comerciante, que estava totalmente desacordado.

- Quando ele acordar, senhor Sague, acho que vai estar com raiva.
- Ah, Matthew, nem eram mercadorias caras!
- Eu falava do senhor Justinian, senhor Sague...
- Ah é... bem, ele também não é uma mercadoria lá muito cara.... Pelo menos o Peco ficou. Quem diria que eles gostariam tanto de comer bolo de frutas?

Eles ficariam ali até os dois acordarem. O que se seguiria seria uma loooonga viagem, na direção de Prontera ("Agora preciso voltar e pegar mercadorias, TODAS de novo!!! E a culpa é de vocês!!!"), com pitadas de pedidos sinceros de desculpas e promessas de pagamento dos produtos. Pagamento esse que sairia, claro, do bolso de Justinian.

Sague, no fundo da carroça, se divertia com algumas penas de Peco junto de Matthew, desconhecendo que seu primo desejava muito que os Pecos o tivessem pisoteado.

Citação :
NOTAS DO AUTOR#10: E então, chegamos ao Ep 10. Eu, particularmente, achei esse fraquinho, mas não é sempre que nossas mentes se sincronizam com o cosmo todo-poderoso, não é? Pelo menos agora, temos a certeza de que Sague, Just e Matthew chegam a Prontera. Não temos?
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   Dom Jul 27, 2008 12:55 pm

... Sei lá.... O epi se resumiu em correr ._. ficou esquisito...

"mas não é sempre que nossas mentes se sincronizam com o cosmo todo-poderoso" o_O WTF?!
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MensagemAssunto: Re: Histórias do Clã Von Shumer - Livro 1: A CONSPIRAÇÃO DE PRONTERA   

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